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Lina Bo Bardi: poesia material e imaterial

Lina Bo Bardi: poesia material e imaterial
Lina Bo Bardi: poesia material e imaterial, Fachada - Casa Valéria Cirell. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
Fachada - Casa Valéria Cirell. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

Apesar de nascida na capital italiana, Lina Bo Bardi tornou-se uma das figuras mais importantes a sintetizar a cultura brasileira ao mundo e ao próprio país, unindo arquitetura, política e cultura popular. Seu perfil inquieto e sua ânsia à quebra de tradicionalismos fez do Brasil o território ideal à aplicação de seus ideais.

Entre os elementos arquitetônicos que Lina trabalhou ao longo de sua obra, a qualidade material e cultural é fundida na busca pela integral poesia dos espaços. Para além dos elementos concretos e solidificados, a arquiteta buscou o desenvolvimento de um trabalho pautado pela presença dos elementos culturais e uma intensa discussão política, idealizando uma arquitetura pautada pelo rompimento de barreiras entre o erudito e o popular.

Solhar do Unhão. Image © Manuel Sá
Solhar do Unhão. Image © Manuel Sá

Sua primeira obra construída - a Casa de Vidro, concebida para ela e seu marido e projetada em 1948 no alto de uma colina no bairro do Morumbi - demonstra o imenso respeito à natureza, que marcou toda a sua carreira. Apoiada sobre pilares esbeltos e com extensos panos de vidro ao longo de toda a fachada, a residência parece flutuar sobre a vegetação do entorno. Para além do objeto arquitetônico, Lina concebeu parte dos mobiliários que compõe os interiores, maçanetas e mesmo objetos.

Alguns anos depois, foi convidada a projetar a Casa do Chame-Chame em 1958 – período em que dividiu sua carreira profissional entre as cidades de São Paulo e Salvador. Os volumes arredondados resolvem o difícil terreno em esquina e desnível, através de reentrâncias e muros de arrimo. Mas o que chama a atenção é que as faces das paredes externas possuem incrustados seixos rolados, junto a diversas espécies vegetais que mimetizam o corpo arquitetônico ao seu terreno. A casa parece surgir de tudo o que havia no local e disponível à mão.

MASP. Image © FLAGRANTE
MASP. Image © FLAGRANTE

A dissolução entre o objeto construído e o ambiente natural, se aproxima à obra de Wright, como exposto em um de seus escritos:

“[...] a arquitetura orgânica, perto da natureza procura se imedesimar com ela, se entrega sem opor resistência, sem querer dominá-la, a aceita e a ama, tira dela o gosto dos materiais primários e rústicos, e sobretudo nao quer que seja esquecida e quer lembrar cada instante as suas lei, no dinamismo das formas, no ‘não concluído’, no sem fim das formas. Assim Frank Lloyd Wright, em cujas obras os limites praticamente não existem prolongando-se indefinidamente aquilo que foi definido espaço orgânico, assim como a obra de um outro arquiteto reinvindicado como orgânico, o espanhol Antoni Gaudí, para definir a obra do qual podemos usar sua mesma definição: ‘o plano não existe na natureza’ [...]”. [1]

Posteriormente, em uma série de outras obras, o elemento vegetal é introduzido junto ao objeto edificado, e “desde seu primeiro croqui, o elemento verde vem desenhado”. [2]

Casa Valéria Cirell. Image © Pedro Vannucchi
Casa Valéria Cirell. Image © Pedro Vannucchi

Se na Casa de vidro, a relação entre interior e exterior dilui-se ao elemento vegetal; na casa Chame-chame, a vegetação é agregada ao próprio corpo arquitetônico, mimetizando-se; também aparece nos estudos ao Museu à beira mar (1951), através de um pátio-jardim interno; Casa Valeria Cirelli, pelo emprego de materiais brutos – pedras, cerâmica, madeira, barro e sucata em harmonia à vegetação; estudo ao Museu da Encosta (1960) – proposta não construída; estudo à fachada da nova Prefeitura de São Paulo, revelando um muro com jardim vertical (1991); estudos de jardineiras e jardins ao Centro de Convivência LBA – Legião Brasileira de Assistência (1990); estudo a fachada do Museu de Arte de São Paulo (MASP) utilizando espécies vegetais (1965); estudos de fachada ao Conjunto Imambuca (1965); estudo do Diorama no Instituto Butantã, por meio de muro de concreto junto a flores tropicais e quedas d’água (1980); entre outros.

No conjunto dos trabalhos que Lina vinha desenvolvendo no território nacional, o projeto ao SESC Pompeia, talvez seja o que melhor exemplifica o caráter de sua obra. Elementos como o desenho do piso, a criação de um anfiteatro e a verticalização das quadras poliesportivas evidenciam a intenção de leves intervenções ao lugar, dotando-o de uma urbanidade espetacular. Parafraseando Olívia de Oliveira, o espaço conforma-se  como uma “´cidadela’, [...], demonstrando sua intenção urbana para o lugar [...]”. [4] agindo também como uma recuperação espacial, poeticamente sintetizando que existem outras maneiras à abordagem de problemas urbanos, na procura por meios mais simples e soluções mais afeitas à realidade.

Sesc Pompéia. Image © Nelson Kon
Sesc Pompéia. Image © Nelson Kon

No Museu de Arte de São Paulo (MASP) “organiza o edifício em duas partes, uma totalmente elevada, aérea, cristalina e outra semienterrada, rodeada de jardins e de vegetação” [5], permitindo ao projeto uma franca relação entre o edifício e a cidade. Isto é, a presença do vazio dispõe de uma série de qualidades urbanas, enquadrando a vista do grande vale: a apropriação do espaço público, a liberação da vista, e, portanto a criação de um “intervalo silencioso”. [6]

Croquis - Cadeira Bowl. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
Croquis - Cadeira Bowl. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
Cadeira Bowl. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.
Cadeira Bowl. Image © Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

Vale ressaltar que para além do ofício de arquiteta, Lina também desenhou mobiliários, objetos, roupas, cenografias e fez pinturas – revelando a personalidade inquieta e multifacetada. E essa personalidade é espelhada claramente em suas obras, bastante diversas entre si, e totalmente pautadas pelo entorno, denotando um estudo e respeito a cada encargo recebido. Em seu acervo, há também uma diversidade de trabalhos gráficos, ligados à programação visual de revistas, cartazes e materiais de divulgação de exposiçõe. Seu legado é de inegável importância, entre escritos, peças gráficas, arquiteturas e objetos. 

MASP. Image © FLAGRANTE
MASP. Image © FLAGRANTE
Teatro Oficina. Image © Nelson Kon
Teatro Oficina. Image © Nelson Kon

Notas

[1] (BARDI in: OLIVEIRA, 2006, p.95).
[2] (OLIVEIRA, 2006, p.118)
[3] (OLIVEIRA, 2006, p.81)
[5] (OLIVEIRA, 2006, p.201)
[6] (OLIVEIRA, 2006, p.259)
[7] (OLIVEIRA, 2006, p.259)

Referências Bibliográficas

OLIVEIRA; Olivia de. Lina Bo Bardi – Sutis substâncias da Arquitetura. São Paulo: Romano Guerra, 2006.
ORTEGA, Cristina Garcia. Lina Bo Bardi: móveis e interiores (1947-1968) – interlocuções entre o Moderno e o local. 2008. Dissertação (Dputorado em Arquitetura e Urbanismo). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo.

Sobre este autor
Matheus Pereira
Autor
Cita: Matheus Pereira. "Lina Bo Bardi: poesia material e imaterial" 05 Dez 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/884899/lina-bo-bardi-poesia-material-e-imaterial> ISSN 0719-8906

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