
Para mim, e creio que para a maioria das pessoas que dia após dia exigem de seus corpos apenas o mais cotidiano, é fácil eu me entender como um corpo que pensa, ao invés de uma mente com um corpo. Como se meu corpo me contivesse sem eu realmente ser eu mesma. Somos um corpo ou temos um corpo? a pergunta foi confrontada por distintos filósofos desde os tempos de Platão e, para ser realista, não vou dar esta resposta. E, francamente, não estou buscando por ela, nem sequer havia pensado nela se não fosse pelo dia que visitei o Dia:Beacon e conheci, por fim, as Elipses Torcidas de Richard Serra.
Um pouco como a arquitetura, a escultura de grande escala é vivida de duas maneiras: a primeira é consumi-la como um todo; observá-la desde longe para a compreender como uma forma. A outra - a mais pessoal - acontece ao habitá-la, para realmente experimentar sua escala. Sucede algo curioso quando se está parado frente a algo tão contundente e, por não encontrar uma melhor maneira de descrever, tão material.








