A história das cidades em 10 edifícios, segundo o Guardian Cities

A história das cidades em 10 edifícios, segundo o Guardian Cities

Todas as coisas boas devem chegar a um fim e a excelente série "History of Cities in 50 Buildings" do Guardian Cities, infelizmente, não é uma exceção. A série definitivamente vale a pena ser lida, trazendo o melhor da escrita acadêmica e arquitetônica de autores convidados e da equipe própria, mas se você está com pouco tempo - e se é um arquiteto, é bastante provável que isso seja verdade - compilamos, a seguir, 10 destaques da lista do Guardian para você.

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Teatro Amazonas, Manaus, 1896

Teatro Amazonas, Manaus. Imagem © Wikimedia user Leaderfo

Manaus, fundada no final do século 17 como um posto avançado defensivo português, nunca foi uma candidata provável para uma futura metrópole. A cidade hoje possui mais de 2 milhões de habitantes, se localiza no coração da floresta amazônica e é acessível apenas por barcos ou avião. Mas a descoberta de seringueiras e a vocação industrial e comercial no final do século 19 fez de Manaus uma das cidades de maior crescimento daquele período. O teatro, todo em mármore e azulejos importados, foi parte de uma iniciativa de extravagância cívica que procurou fazer da cidade a "Paris da Amazônia."

Hufeisensiedlung (Horseshoe Estate) Berlim, 1925-33

Hufeisensiedlung Estate, Berlim. Imagem © Flickr user Sludge G

Groß-Berlim surgiu na sequência da primeira guerra mundial, combinando os subúrbios díspares de Berlim em uma cidade que cresce rapidamente. Enormes faixas da cidade foram construídas nos anos de Weimar e as facções beligerantes culturais da Alemanha trouxeram todas as suas crenças e disputas para a arquitetura suburbana. O Horseshoe foi construído fora da influência do GEHAG, como um reflexo da democracia social e o sindicato operário, baseado na construção da sociedade, tentou trazer os luxos do modernismo para as classes trabalhadoras prósperas, substituindo o vidro colorido por tijolos pintados e coberturas planas. Exatamente o oposto, as classes médias construíram suas próprias propriedades baseadas na arquitetura tradicional com coberturas marcantes.

Narkomfin Building, Moscou, 1932

Narkomfin Building, Moscou. Imagem © Wikimedia user NVO

Se Berlim estava construindo propriedades modernistas concebidas para proporcionar uma existência petty-bourgeois digna para as classes trabalhadoras, o edifício Narkomfim estava tentando dissolver as classes em uma cultura coletiva e nos alojamentos. A habitação comunal em duas principais cidades da Rússia era uma resposta prática à uma crise de habitação que nunca termina, mas as células de dormitórios privados e cozinhas comunitárias em Narkomfim foram concebidas como um "condensador social" para fomentar o espírito coletivo e romper as ideias sobre propriedade privada . Estes grandes experimentos enfraqueceram em face as reclamações dos habitantes sobre as condições apertadas e disputas mesquinhas pelos espaços comuns, e na década de 1960 a promessa de um apartamento privado para cada família que transforma o socialismo soviético.

Fiat Tagliero Building, Asmara, 1938

Fiat Tagliero, Asmara. Imagem © Flickr user David Stanley

O império colonial italiano teve um início tardio, mas a fusão do fascismo com o imperialismo inspirou uma regra colonial que estava determinada a refazer as cidades na forma da Itália moderna, que foi inigualável por empresas comerciais do século 19. Asmara, hoje a capital da Eritréia, esteve sob o governo italiano desde 1889, mas a invasão da Etiópia, em 1935, chamou a atenção da Itália de Mussolini, que rapidamente a reivindicou. Modernismo, futurismo e o racionalismo italiano encontrados em Asmara são o cenário perfeito para a arquitetura experimental; as alas da estação de serviço Fiat Tagliero simbolizava o modernismo que varreu as colônias da Itália - mesmo quando eles se assemelhavam aos bombardeiros que lançaram ataques químicos contra aldeias na Etiópia para cumprir a ambição italiana.

Levittown, Nova Iorque, 1947-51

Levittown, Nova Iorque. Imagem via Wikimedia user Shauni

Na verdade, existem quatro Levittowns nos Estados Unidos; três no Nordeste e uma em Puerto Rico. A primeira, de 1947, é uma comunidade planejada em Long Island de mais 17.000 moradias isoladas, que chegou a completar uma casa a cada 16 minutos no pico da sua construção. Esta foi a fábrica de habitação, a produção em massa de casas em uma escala incrível que informaram o desenvolvimento pós segunda guerra mundial na América do Norte. Levitt declarou que "somos fabricantes", mas eles construíram estilos de vida. As casas tornaram-se símbolos não somente de propriedade mas também de conformidade e exclusão racial na década de 1950.

Byker Wall, Newcastle, 1968-82

Byker Wall Estate, Newcastle. Imagem © Flickr user George Rex

Enquanto os EUA construíram novos subúrbios, o Reino Unido destruiu suas favelas. Byker era originalmente uma comunidade vitoriana de cerca de 17.000 casas declaradas impróprias para a habitação no início de 1950. A mesma história vivida em todo o país, mas Byker Wall revelou-se extraordinariamente bem visto, agora listado para preservação. O projeto radical de Byker de pequenos edifícios, não feitos em concreto e cores brilhantes, foi influenciado por projetos suecos.

Ponte City, Joanesburgo, 1975

Ponte Tower, Joanesburgo. Imagem © Flickr user fiverlocker

Ponte City Tower deixou de ser parte, em 1970, do otimismo sobre o futuro da África do Sul para "a favela urbana mais alta e grandiosa do mundo" e, em seguida, voltou a fazer parte do otimismo novamente. Construída como um endereço na moda para a minoria branca da África do Sul, a Ponte City Tower de 52 pavimentos e núcleo interno era parte de uma onda de desenvolvimento que transformou Joanesburgo, mas a ascensão de classe média na década de 1980 e da turbulência dos anos 1990 fez com que a torre se tornasse um reduto para gangues e crimes. A torre poderia ter estrelado High Rise de J.G. Ballard, mas reformas e uma nova classe média transformaram a Ponte City Tower num edifício de alta segurança.

Sistema de BRT de Curitiba, 1991

Sistema RIT, Curitiba. Imagem © Wikimedia user Morio

Visões futuristas de transporte sempre parecem envolver tubos de vidro e o sistema de transporte rápido de ônibus de Curitiba não é uma exceção. Concebido como uma maneira de proporcionar trânsito rápido para uma cidade em igualmente rápido crescimento sem custar muito mais do que os sistemas convencionais, o sistema acabou por custar 50 vezes menos que o necessário para implementar infraestrutura ferroviária. O sistema original, planejado em 1971, foi uma mudança radical de planejamento modernista no Brasil, mas acabou sendo um sucesso local. O crescente número de passageiros nos anos 80 e 90 tornou necessária uma racionalização. As estações de metro simplificadas fizeram exatamente isso, permitindo o pagamento de tarifa antes do embarque e introdução de estações de transferência, trazendo toda a rede a um regime de pagamento e criando o primeiro sistema de Bus Rapid Transit (BRT) do mundo.

Edifício do Parlamento Palestino, Abu Dis, 1996

Parlamento Palestino, Abu Dis. Imagem Cortesia de Notes from Palestine

Hoje emparedado e abandonado, este imponente edifício branco teria sido o Parlamento do Estado palestino. Os Acordos de Paz de Oslo, assinados em 1993, forneceram um acordo na forma do Estado palestino e um Estado necessita de um Parlamento - alojado numa capital simbólica, nos arredores de Jerusalém. O edifício foi projetado com sensibilidade, incorporando a tradição palestina em um edifício moderno para criar a conexão ao patrimônio que os palestinos queriam desesperadamente de seu estado proposto, mas foi criticado desde o primeiro dia da construção por ambos lados. Em meio ao conflito, eclodiu novamente em 2000, o edifício ainda estava inacabado e havia sido abandonado.

Roppongi Hills, Tóquio, 2003

Roppongi Hills, Tóquio. Imagem © Flickr user Kirt Cathey

Tóquio tem sido um emaranhado altamente urbanizado durante séculos e o desenvolvimento de Roppongi Hills  abraça essa atitude de laissez-faire em direção a reinvenção urbana do século 21. Inicialmente um bairro para a classe Samurai cada vez mais despojados e empobrecidos, o bairro de Roppongi tornou-se um bairro militar após a Segunda Guerra Mundial e, correspondentemente, tornou-se conhecido pela vida noturna. Muito perto da zona comercial em expansão para escapar remodelação, a família Mori gradualmente comprou o distrito e transformou-o em parte do fascínio do Japão com as comunidades auto-suficientes: torres para a elite de Tóquio, em um labirinto de ruas e jardins urbanos que separava o complexo do resto da cidade.

Leia a matéria completa no Guardian Cities clicando nas legendas acima ou acessando a lista aqui.

Sobre este autor
Cita: Goodwin, Dario. "A história das cidades em 10 edifícios, segundo o Guardian Cities" [10 Highlights from Guardian Cities' "History of Cities in 50 Buildings"] 12 Jun 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/768020/10-destaques-do-guardian-cities-historia-das-cidades-em-50-predios> ISSN 0719-8906

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