
Questões climáticas têm sido pauta principal nas discussões sobre o futuro das cidades, mas certamente não são novas. O alerta para a irreversibilidade das ações humanas sobre o planeta percorre o discurso científico desde a década de 1980, pelo menos. Frente às urgências ambientais cada vez mais frequentes, Donna Haraway, no livro Staying with the trouble: Making kin in the Chthulucene, sugere uma mudança de atitude da parte humana do planeta para assegurar não apenas uma recuperação ambiental (ainda que parcial), mas a própria sobrevivência da espécie.
A autora usa o termo Chthuluceno para defender não apenas uma nova época, mas uma postura que envolve o que ela chama de pensamento tentacular e sympoiesis – a construção sincrônica da realidade. A palavra cthulhu deriva da grega khthonios, que significa “vindo da terra” e, para Haraway, abre-se tanto para a imaginação quanto para o estudo que permite a compreensão do mundo.







