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A potência comercial de uma cidade: Estratégias de revitalização urbana

A potência comercial de uma cidade: Estratégias de revitalização urbana
A potência comercial de uma cidade: Estratégias de revitalização urbana, via Plataforma Urbana
via Plataforma Urbana

Buenos Aires é a cidade central de uma extensa região metropolitana que congrega cerca de 14 milhões de habitantes e que se estende radialmente por mais de 50 km a partir da Praça de Maio, seu núcleo de fundação e sede do governo nacional. Esta cidade, que abriga quase 3 milhões de pessoas que nela moram permanentemente, recebe a cada dia – via transporte público ou particular – mais de 5 milhões de pessoas que moram nos municípios vizinhos e que vem desempenhar suas atividades de trabalho. Todas estas circunstâncias lhe dão uma grande potência em termos de desenvolvimento comercial em suas diferentes áreas.

Por Dr. Arq. Guillermo Tella, Doutor em Urbanismo e Lic. Alejandra Potocko, Licenciada em Urbanismo.

A cidade conta com uma enorme densidade comercial. Possui pelo menos trinta eixos comercias importantes. Em diferentes etapas de seu crescimento e consolidação, encontramos ruas especializadas nas áreas centrais, que compõem os “centros de bairro” e também algumas ruas com características singulares. Cada uma adquiriu um papel relevante de estruturação urbana. Estes corredores comerciais, caracterizados por um intenso movimento, constituem lugares ativos e são atrativos tanto para compradores quanto para transeuntes. 

No entanto, nos últimos anos, vários motivos incidiram na perceptível queda da dinâmica do comércio de varejo. Os hipermercados e os shoppings centers foram transformando os hábitos de consumo, impondo novas lógicas de comercialização acompanhadas por arquiteturas fechadas que entraram em concorrência aberta com o comércio tradicional. A estas transformações estruturais, a crise somou uma progressiva multiplicação de vendedores ambulantes que superlotam as ruas, entrando em choque com o comércio formal.

Estes são alguns dos fatores que, com o passar do tempo, foram tirando o destaque que estas ruas comerciais costumavam ter. Em tal contexto negativo, as intenções individuais dos comerciantes em crescer e expandir seus negócios foram condenadas ao fracasso. As conseqüências se manifestaram na forte deterioração de muitas das ruas comerciais tradicionais, que foram distanciando o público e geraram um círculo vicioso de degradação crescente. 

A tradicional Peatonal Florida

via Plataforma Urbana
via Plataforma Urbana

Ao longo de suas onze quadras de extensão, desde a Avenida de Maio até a Plaza San Martín, a Peatonnal Florida se mostra como o “O salão de Buenos Aires”, tal como fora batizada em meados do século passado. É, sem dúvida, a rua comercial mais famosa da cidade. Sua história remonta desde as origens de Buenos Aires. Suas etapas de máximo potencial comercial de deram a partir de sua semi-peatonização em 1911 (mediante uma restrição do trânsito de automóveis em horas diurnas) e de sua peatonização definitiva, no ano de 1971.

Florida foi a primeira rua pavimentada da cidade, a primeira de pedestres (mesmo que em partes e horários) e a primeira a contar com um edifício com elevador. Foi onde se cantou pela primeira vez o Hino Nacional, onde estiveram personagens reconhecidos e por onde passaram ilustres celebridades. Reuniu desde sempre as lojas mais importantes e as galerias comerciais de maior prestígio. De modo a ter sido protagonista da profusa história local.

Conforme os anos passaram, mudou seu nome para Florida, rememorando a batalha travada em 1814 no Alto Peru. A partir das epidemias de febre amarela em 1871, a elite portenha começou a deslocar suas residências do sul da Praça de Maio para zonas mais altas (os arredores da Praça San Martín), potencializando enormemente o desenvolvimento comercial daquela área.

via Plataforma Urbana
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Por volta do final da década de 90, a Peatonal Florida começou uma etapa de declive que se estendeu até o passar da crise do ano 2001. Muitos comércios tiveram que fechar as portas, a crescente atividade informal, o crescente número de catadores de papelão nas ruas e a falta de investimentos públicos para manter a rua em bom estado irromperam em um processo de degradação que só começou a se reverter com o crescimento do turismo estrangeiro alguns anos mais tarde. Atualmente, seu nível de ocupação é absoluto e tem, como em suas melhores épocas, uma intensa vitalidade. 

A rua Defensa en San Telmo

San Telmo é o sítio de fundação de Buenos Aires. Como ocorre em toda cidade, sua função como centro comercial lhe confere um desafio adicional a sua qualidade de centro histórico. Estruturado ao longo das pitorescas ruas Defensa y Balcarce, da avenida San Juan até a rua Chile, exibe em cada canto seu valor histórico: calçadas, postes, casas coloniais com poços, igrejas e museus. É uma das zonas históricas mais bem conservadas.

San Telmo era habitado por famílias mais abastadas até o final do século XIX que, pelas condições de insalubridade que se instauraram no bairro, começaram a abandoná-lo. A migração de seus habitantes para o norte da cidade provocou o abandono dos antigos casarões, que espontaneamente foram se transformando em cortiços para abrigar famílias de europeus recém chegados ao país.

Atualmente a área comercial agrupa antiguidades, abjetos de arte, indumentária e produtos artesanais. O Mercado de Sant Telmo e as antigas casas foram convertidas em galerias que oferecem uma variada gastronomia e espetáculos de tango. Além disso, o bairro concentra uma grande quantidade de ateliês e antiquários. O recente aumento do turismo internacional tem contribuído para a recuperação econômica do bairro, que se manifesta não apenas como um processo de revalorização urbana e arquitetônica, mas também na consolidação de sua função comercial. 

A elegante avenida Santa Fé

As ruas temáticas, que correspondem àquelas em que existe a predominância de comércios de uma categoria específica de produtos, constituem a terceira parte dos principais eixos comerciais identificados. Encontramos entre eles a avenida Belgrano (móveis), Liberdad (jóias, relógios e áudio), Murillo (couros) Córdoba e Avellaneda (indumentária), Defensa (antiguidades), e Warnes (autopeças e serviços para automóveis), entre outros.

A elegante avenida Santa Fe constitui um dos principais eixos de Buenos Aires e é uma importante via de acesso à área central pelo corredor norte da cidade. Desde Retiro – através da Recoleta – até Palermo, oferece quarenta quadras de desenvolvimento comercial. Um de seus maiores atributos é a equilibrada articulação com residências de classe alta – particularmente em sua interseção com vias arteriais como a Coronel Díaz, Callao ou Esmeralda.

Em se tratando da oferta comercial, a avenida se divide, em sua região mais consolidada, em 3 setores muito diferenciados. O primeiro, entre a Praça San Martín e a avenida 9 de Julio, se caracteriza pela sua atração turística, com serviços e produtos sofisticados para a classe econômica mais alta. O segundo, entre as avenidas 9 de Julio e Callao, constitui um setor dirigido a um perfil socioeconômico médio-alto; e finalmente o terceiro setor, até a avenida Pueyrredón, destinado a um nível médio.

Com quase 1000 pontos comerciais, sua taxa de ocupação é elevada, maios que 95%. Alías, sua taxa de ocupação sempre foi superior à média de Bueinos Aires, apesar das crises e da concorrência dos shoppings centers e hipermercados. Conta com instituições que a impulsionam, tal como a “Asociación Gran Vía Del Norte” ou a “Asociación de Amigos de La Avenida Santa Fe”, que buscam constantemente abrir caminhos de fomento do comércio local e de melhoramento do entorno urbano mediante as associações entre comerciantes e moradores.

Geração de programas de atuação

O programa “Centros Comerciales a Cielo Abierto” tem como objetivo revitalizar as ruas com locais de comércio existentes, que foram como tempo perdendo a afluência de público por causa da combinação de diversos fatores. Para isso se propôs uma gestão coletiva a cargo dos comerciantes, das associações e das distintas áreas governamentais, a fim de colocar em andamento uma política de melhoramento do espaço público e de recuperação de edifícios, que consolide e incorpore as características destes tradicionais passeios de comércios. 

Com o intuito de promover a reativação destes centros comerciais, organizou-se um programa de gestão público-privada. Nesta gestão participarão os proprietários e locatários dos imóbeis locais, as associações de comerciantes em conjunto com as distintas repartições do governo local encarregadas da manutenção dos espaços públicos. 

Como mecanismo, implementou-se a assinatura de um acordo de registro em cada um dos locais onde se interviria, em que se definem as ações a serem aplicadas sobre o espaço público e as responsabilidades assumidas por cada uma das partes envolvidas. Neste âmbito são realizados estudos de diagnósticos e de viabilidade econômica e financeira, e se procede a outorga de créditos a taxa zero para aqueles proprietários que não puderem realizar as reformas que foram acordadas para a adequação dos estabelecimentos comerciais. As sucessivas propostas foram debatidas com todas as partes envolvidas para se alcançar um processo de tomada de decisões compartilhado.

Por meio de intervenções diretas, assegura-se a qualidade do mobiliário urbano e da iluminação, a manutenção permanente das calçadas e da vegetação. Da mesma forma trabalha-se a adequação de marquises, painéis publicitários, placas de sinalização, sacolas de compras de publicidade conjunta. O desenho do mobiliário, da sinalização e dos grafismos se inscreve em um programa global de comunicação, cujo objetivo é atingir uma “imagem de marca” do lugar que valorize suas características comerciais e culturais. 

via Plataforma Urbana
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As tipologias predominantes

Uma possível classificação destas intervenções pode se efetuar segundo três escalas. Em primeiro lugar, se projetarão centros de “hierarquia metropolitana”, localizados em locais simbólicos da cidade. Entre estes vale citar: as propostas para a Peatonal Lavalle – peça chave na área central da cidade -, o Paseo Defensa e Caminito – localizados sobre os circuitos turísticos de San Telmo e La Boca -  e o Paseo Pacífico. 

Em cada caso, as propostas se diferem conforme a demanda, embora a operação público-privada que caracteriza o programa seja similar em todos os casos. Em segundo lugar, serão projetados “centros de hierarquia setorial”, localizados naqueles sítios caracterizados pela concentração de comércios especializados. Entre estes, pode-se mencionar, por exemplo, o “Paseo del Mueble”, sobre a rua Belgrano – entre Combate de Los Pozos e Jujuy -, onde se localizam muitas das lojas de móveis de Buenos Aires.

Em terceiro lugar, serão projetados “centros de caráter pontual”, cujo propósito é fortalecer as centralidades de bairro mediante a consolidação das atividades das ruas comerciais. Entre o grande número de intervenções propostas, pode-se mencionar o Paseo San Martín – da rua Nicasio Oroño até a avenida Juan B. Justo - , e o Paseo de Villa Pueyrredón – sobre a rua Gral. José G. de Artigas, entre a avenida Gral. Mosconi e as vias da antiga Ferrovia Mitre (ramal Suárez); entre outros.  

Deste modo aspira-se recuperar a dinâmica comercial do varejo e, juntamente com ele, a afluência de público. O programa de Centros Comerciales a Cielo Abierto é uma das múltiplas estratégias que foram colocadas em andamento com o propósito de “recuperar a rua” como espaço de encontro, de suporte de atividades e como âmbito de integração social.

via Plataforma Urbana
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Texto por via Plataforma Urbana. Tradução Archdaily Brasil.

Sobre este autor
Fernanda Britto
Autor
Cita: Fernanda Britto. "A potência comercial de uma cidade: Estratégias de revitalização urbana" 13 Dez 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/86223/a-potencia-comercial-de-uma-cidade-estrategias-de-revitalizacao-urbana> ISSN 0719-8906

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