Romullo Baratto é arquiteto, doutor pela FAUUSP e Managing Editor do ArchDaily. Anteriormente, coordenou a equipe editorial da 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo e atuou como Managing Editor do ArchDaily Brasil, onde levou a plataforma a conquistar o Prêmio FNA — a primeira vez que a honraria foi concedida a um veículo de mídia. Seu trabalho transita entre a pesquisa acadêmica e a prática editorial, comunicando a arquitetura por meio de textos, entrevistas, palestras, curadoria e fotografia. Siga no Instagram @romullobf.
Pintor, escultor, arquiteto, matemático, engenheiro, botânico, historiador, músico... parece que a lista de aptidões de Leonardo da Vinci é realmente universal - e talvez seja justamente por isso que ele seja um dos artistas mais famosos do mundo, dentro e fora dos círculos da arte.
Em vida, parte de suas ideias e reflexões foram registradas em seus cadernos de anotações. Alguns destes manuscritos foram perdidos com o passar dos séculos e os que restaram se tornaram objetos raríssimos acessados apenas por um seleto grupo de colecionadores e historiadores - até agora.
Na cidade do Porto, no Bairro das Campinas, os trabalhos seguem com grande entusiasmo.
Estamos a dois dias da inauguração e, depois de muito trabalho pesado a abrir valas, carregar blocos de concreto para fundações, errar e corrigir, errar e improvisar, já é possível ter uma visão do que será o resultado final.
Maior cidade da América do Sul, São Paulo já é, possivelmente, a metrópole com o maior número de atrativos culturais do país, entretanto, isso não parece ser impedimento para a criação de novos centros voltados à cultura, lazer e esportes.
Em 2017 a capital paulista verá aparecer em seus guias culturais quatro novos centros de grande importância, atendendo a um público bastante heterogêneo habituado tanto ao centro da cidade quanto à sua avenida mais emblemática: a Paulista.
Veja, a seguir, os quatro novos centros de cultura que abrirão suas portas ainda este ano:
A Beoogé uma plataforma de empregos e aprimoramento profissional exclusiva aos profissionais de arquitetura. Feita por arquitetos para arquitetos, buscando suprir a lacuna entre os estagiários, arquitetos, as empresas e os escritórios. A ideia dos desenvolvedores é simplificar o processo seletivo de arquitetura e cultivar melhores relações profissionais entre candidato e empregador, na qual ambos formam parcerias.
A proposta não se enquadra em um site de empregos comum, onde os candidatos procuram por empregos e empresas procuram por candidatos. Funciona como um site de relacionamentos, apropriando-se da ideia de “match”, algo como o “jeito” do candidato combina com o “jeito” da vaga ou do lugar onde trabalha e vice-versa, ou seja, o sistema é intuitivo para economizar seu tempo, de modo a tornar essa tarefa muito simples e rápida.
Entidades de arquitetura e urbanismo, movimentos sociais e pesquisadores de todo o Brasil estão lançando um manifesto em defesa de um projeto para as cidades brasileiras.
“É urgente elaborar, por meio de uma construção social, um projeto para as cidades do Brasil, no médio e longo prazo, tendo como parâmetros a justiça espacial, intraurbana e regional; a sustentabilidade social, econômica e ambiental; o combate a toda sorte de desigualdade – social, racial e de gênero – o respeito à diversidade geográfica e cultural, além do controle social e o respeito aos recursos públicos”, diz o texto, assinado pelo IAB-DF, IAB-RS, Sindicato dos Arquitetos de São Paulo (SASP), Observatório das Metrópoles, Instituto Pólis, Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba e a Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA), entre muitos outros.
À convite do IVM Brasil - Instituto Cidade em Movimento, o arquiteto e urbanista francês, Pierre Alain Trévelo, esteve na cidade de São Paulo em maio deste ano. Além de conhecer alguns dos principais espaços públicos da região central da cidade, participou de visitas, reuniões e debates. Em todos os eventos, Trévelo destacou a concepção da “super superfície”, de um espaço livre para todos, que somente pode ser concebido a partir da consulta e da participação da sociedade civil na avaliação do espaço público.
Em uma praça entre quatro prédios no bairro de Campinas, no Porto, 25 alunos de 4 continentes se reúnem com os arquitetos Roberto Cremascoli, Ivo Poças Martins e Nicolò Galeazzi para realizar um laboratório de autoconstrução. Lá, estamos no processo de construir equipamentos que pretendem requalificar aquele espaço, com a intenção de unir os moradores e providenciar espaços de convivência, incentivando projetos como esse a serviço da comunidade, além de repensar nosso papel como estudantes de arquitetura.
Em seu artigo intitulado Cidades brasileiras: a pior verticalização do mundo, Anthony Ling explica porque a verticalização nas cidades brasileiras produz resultados negativos. Em seu texto, mostra que a crítica à verticalização está mal direcionada: o problema não é a altura dos prédios em si, mas as interferências regulatórias que eles carregam para se tornarem altos.
Dentre estas interferências, aponta os recuos exigidos por lei, que acabam afastando os edifícios da rua, a falta de incentivo para construir no térreo, e a obrigatoriedade de estacionamentos, que explicita a ênfase no transporte individual motorizado. Combinados, estes fatores acarretam prejuízos sociais enormes para a cidade e seus habitantes.
A Associação Nacional de Funcionários de Transporte Urbano de Nova Iorque, NACTO, lançou um novo guia orientado a melhorar o desenho das ruas, desta vez focado em como esses espaços públicos podem estar melhor preparados para enfrentar as chuvas.
A partir da perspectiva de que na cidade é mais complexa a absorção das águas pluviais devido à alta presença de concreto, seja nos edifícios, nas diversas infra-estruturas viárias, ou nas calçadas, torna-se necessário introduzir mudanças para melhorar a qualidade de vida.
Por isso, no novo guia desenvolvido em colaboração com o setor de Cidades Sustentáveis da Fundação Summit, são propostas estratégias orientadas a tornar as ruas locais mais seguros, sobretudo através da mobilidade, para que as cidades tenham uma melhor relação com seus corpos d'água já existentes.
A Norma de Reformas da ABNT (NBR 16.280) estabelece as etapas de obras de reformas e lista os requisitos para antes, durante e depois de uma reforma em um prédio ou em uma unidade. Toda obra de imóvel que altere ou comprometa a segurança da edificação ou de seu entorno precisará ser submetida à análise da construtora/incorporadora e do projetista, dentro do prazo decadencial (a partir do qual vence a garantia).
Após este prazo, exigirá laudo técnico assinado por engenheiro ou arquiteto e urbanista. E o síndico ou a administradora, com base em parecer de especialista, poderão autorizar, autorizar com ressalvas ou proibir a reforma, caso entendam que ela irá colocar em risco a edificação. A norma afasta definitivamente o chamado o faz-tudo, o curioso ou o amador – e privilegia a boa técnica.
Estão abertas as inscrições para o Edital nº 002/2017, do Concurso Público Nacional de Projetos de Urbanismo e Arquitetura no Setor Habitacional Pôr do Sol, em Ceilândia. Os interessados em participar do concurso promovido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB-DF) podem se inscrever até 29 de setembro pelo site.
O objetivo do concurso é selecionar o projeto de urbanismo e arquitetura melhor e mais adequado, que propicie as infraestruturas necessárias e a qualificação do espaço urbano no Pôr do Sol. A proposta abrangerá aspectos de planejamento urbano, mobilidade, infraestrutura, paisagismo, arquitetura de unidades habitacionais e de Equipamentos Públicos Comunitários (EPCs).
Dan Graham, sem título, 2016 vidro espelhado de 2 faces, alumínio, MDF e acrílico, 71 x 107 x 107 cm. Image Cortesia de Galeria Nara Roesler
“Assim como a arte está internalizada na sociedade, a arquitetura que a expõe é definida pelas necessidades da sociedade como um todo e pela arte enquanto necessidade institucional. A arte enquanto instituição produz significados e posições que regulam e contêm a experiência subjetiva das pessoas situadas no interior de suas fronteiras” – Dan Graham, “Arte em Relação à Arquitetura / Arquitetura em Relação à Arte”, Artforum, 1979
O lugar escolhido para intervir no Bairro das Campinas (1965) é localizado entre quatro blocos de habitação, utilizado pelos residentes sobretudo durante as festividades de São João. É um lugar que tem “caminhos” “desenhados” pelos moradores, marcas do tempo que foram o ponto de partida para a definição do programa e da implantação de dois equipamentos pensados sobretudo para as crianças e para ser apoio para a organização de festas na rua.
Em entrevista ao jornal português Diário de Notícias, o Pritzker lusitano Eduardo Souto de Moura fala a Ana Sousa Dias sobre sua trajetória desde a escola de Belas Artes, seu trabalho ao lado de Noé Diniz e Álvaro Siza, até sua consolidada carreira internacional - que tem lhe rendido projetos, mas não prazer.
"Se tenho de fazer 30 projetos, há três que me dão gozo e 27 que não. Estou farto. Não me chateia discutir desde que o pressuposto seja inteligível. Mas neste momento só interessa o tempo e o dinheiro, até pode ficar feio. Politicamente, respeitar as eleições e economicamente ter grandes lucros", comentou Souto de Moura.
Para aqueles que não tiveram ainda a chance de visitar Brasília, talvez um dos melhores modos de conhecer a cidade seja através das lentes de Joana França. Moradora da cidade moderna por excelência, Joana tem dedicado parte de sua carreira como fotógrafa de arquitetura a reunir um arquivo impressionante de imagens da capital federal.
Recentemente, publicamos um artigo com uma belíssima seleção de fotografias aéreas da cidade, divididas por escala - residencial, monumental, gregária e bucólica -, que deixam claro o que na teoria já é evidente: falta à capital a escala humana - ou, a escala humana de Brasília é outra.
A 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo anuncia a chamada aberta “Imaginário da Cidade”, oferecendo a grupos atuantes a oportunidade de contribuir e participar desta edição do evento. A chamada é aberta e foca sobretudo em trabalhos desenvolvidos atualmente, mirando possíveis desdobramentos nos formatos e categorias sugeridos neste edital.
A revolução industrial deixou marcas profundas nas cidades, definindo em grande parte a aparência e o funcionamento das cidades até os dias de hoje. Vias férreas serviram durante décadas à expansão econômica e territorial das cidades, entretanto, com o surgimento do automóvel na primeira metade do século passado e hegemonia do rodoviarismo na segunda metade, a grande maioria das ferrovias urbanas foram abandonadas, tornando-se apenas o registro concreto de eras passadas.
Por décadas desocupadas, comunidades de diversas cidades ao redor do mundo passaram, nas últimas décadas, a ver com outros olhos estas relíquias do transporte ferroviário. O The Guardian compilou cinco cidades que transformaram suas ferrovias abandonadas em espaços públicos, parques e áreas de lazer - veja-as a seguir.
Este projeto é o resultado do quinto Laboratório de Intervenção em Arquitetura in situ/, um projeto de investigação coordenado, desde 2012, pelo CEACT/UAL (Centro de Estudos de Arquitetura, Cidade e Território da Universidade Autónoma de Lisboa) que se propõe investigar temas da cidade em transição. Através de projeto e construção, os Laboratórios in situ/ intervêm, de forma exploratória e temporária, como formas de ação/investigação.
O Laboratório foi realizado em formato de workshop com alunos de arquitetura e propôs o desafio de desenhar, projetar e construir em apenas duas semanas. O objetivo é que os estudantes elaborem uma reflexão sobre a realidade construída e experimentem construir, com as próprias mãos, aquilo que desenharam.