Memorial para as vítimas de feminicídio em espaços públicos na Cidade do México

Memorial para as vítimas de feminicídio em espaços públicos na Cidade do México

Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro GuerreroMemorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro GuerreroIntervenção "Vivas Livres Juntas", Monumento à Revolução, Cidade do México (2021). Imagem © Ana Chinos SalgadoMemorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Ixchel Cisneros Soltero+ 16

No dia 8 de março de 2021 diferentes manifestações foram realizadas por ocasião do Dia Internacional da Mulher incluindo a #8M na Cidade do México que tem como objetivo tornar visível e exigir justiça diante da onda de feminicídios que ocorre todos os dias em todo o país e que aumenta a cada ano. Ela, por sua vez, tem desencadeado outras várias manifestações como a de 16 de agosto de 2019 e a de 8 de março de 2020, onde milhares de mulheres se reuniram para se manifestar de forma pacífica (e violenta), transgredindo o espaço público e deixando como resultado, diversos danos nas ruas, nos transportes públicos e principalmente - durante a marcha de 16 de agosto de 2019 - no Monumento ao Anjo da Independência (que ainda se encontra em processo de restauração), atitudes pelas quais o movimento feminista foi desacreditado com os danos sendo superpostos às demandas manifestadas.

Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Ixchel Cisneros Soltero
Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Ixchel Cisneros Soltero

Com este precedente, dias antes do 8 de março de 2021, o Governo da Cidade do México realizou a instalação de um fechamento feito em cercas de metal que protegia alguns dos recintos mais importantes do centro histórico, como o Palácio Nacional, a Catedral Metropolitana e o Palácio de Belas Artes, o que causou descontentamento por parte das manifestantes, visto que - como exposto nas diferentes redes sociais - demonstraram um interesse desesperado em proteger o patrimônio material e uma clara indiferença ao diálogo com as centenas de mulheres face às dezenas de casos de assédio, abuso e violações que não foram punidos por funcionários públicos.

Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Ixchel Cisneros Soltero
Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Ixchel Cisneros Soltero

Em resposta ao "cercamento", os manifestantes assumiram a tarefa de criar um memorial às vítimas de feminicídio que consistia em escrever os nomes de aproximadamente 1.254 mulheres, refletido nos 140 painéis que cobriam o Palácio Nacional onde também foram colocados cartazes, flores, fotografias, mesinhas de cabeceira e objetos que buscaram dar visibilidade à violência e injustiça em um país onde 11 feminicídios são registrados diariamente.

Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro Guerrero
Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro Guerrero
Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro Guerrero
Memorial das vítimas de feminicídio em uma cerca em frente ao Palácio Nacional da Cidade do México (2021). Imagem © Sofía Castro Guerrero

A isto foi adicionada uma projeção no prédio do Palácio Nacional que exibia as frases "MÉXICO FEMINICÍDIO", "UM VIOLADOR NÃO SERÁ GOVERNADOR" e "ABORTO LEGAL JÁ". Por outro lado, foi realizada uma intervenção na Praça da República (em frente ao Monumento à Revolução) onde se exibiu a frase "VIVAS LIVRES JUNTAS" com as cores representativas do movimento feminista como forma de colocar o corpo nos espaços que precisam continuar sendo reivindicados.

Intervenção "Vivas Livres Juntas", Monumento à Revolução, Cidade do México (2021). Imagem © Ana Chinos Salgado
Intervenção "Vivas Livres Juntas", Monumento à Revolução, Cidade do México (2021). Imagem © Ana Chinos Salgado
Intervenção "Vivas Livres Juntas", Monumento à Revolução, Cidade do México (2021). Imagem © Ana Chinos Salgado
Intervenção "Vivas Livres Juntas", Monumento à Revolução, Cidade do México (2021). Imagem © Ana Chinos Salgado

Cada 8 de março (#8M) é convocada uma manifestação em comemoração ao Dia Internacional da Mulher para mostrar que o direito à cidade implica poder usufruir livremente do ambiente urbano, bem como reivindicar o direito ao corpo, principal veículo com o qual nos relacionamos ao meio ambiente e responder aos seus estímulos. Incorporar a visão feminina no planejamento urbano permite contemplar problemas até então não pensados, bem como implementar estratégias que mitiguem a violência da arquitetura e do planejamento urbano. Transgredir pela desobediência e questionar o que viola a fruição da cidade não só como experiência estética, mas também humana, transcende a questão de gênero, uma vez que as mulheres constituem a metade da população mundial.
- Parvin Alexandra Camal Segundo. "A experiência urbana feminina"

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Sobre este autor
Cita: Arellano, Mónica. "Memorial para as vítimas de feminicídio em espaços públicos na Cidade do México" [Crean memorial de víctimas de feminicidio en espacios públicos de la Ciudad de México] 12 Mar 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/958387/memorial-para-as-vitimas-de-feminicidio-em-espacos-publicos-na-cidade-do-mexico> ISSN 0719-8906

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