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Arch Daily Topic 2021 Equidade: O mais recente de arquitetura e notícia

Vestígios urbanos do passado colonial: Dar es Salaam e Nairobi

Observando rapidamente o continente africano, encontraremos uma enorme diversidade de padrões de assentamentos humanos, variando desde pequenos ambientes urbanos, enclaves rurais até extensas metrópoles. Sobrevoando este vasto território, podemos concluir também que muitas cidades africanas estão trabalhando para superar a lacuna histórica que as separa do resto do mundo—embora essa “evolução”, na maioria dos casos, esteja apenas acentuando as desigualdades estruturais que permeiam este continente de norte a sul. E esta dinâmica não é uma novidade, pois a aparência de muitas das cidades africanas ainda hoje é resultado de uma longa história de opressão e segregação.

Dar es Salaam. Imagem © Johnny MillerKibera. Imagem © Johnny MillerRoyal Golf Course e Kibera. Imagem © Johnny Miller© Johnny Miller+ 9

As mulheres e o canteiro de obras autogestionário

Muitas vezes despercebida ou desconsiderada, a desigualdade de gênero na arquitetura traz consequências tanto às mulheres e suas carreiras quanto aos espaços e produtos criados. Há, porém, um nicho de trabalho dentro da construção civil que contradiz essa lógica, propondo a criar um espaço de trabalho mais igualitário. Este texto propõe uma reflexão sobre essa desigualdade e como ela é desafiada pelas práticas autogestionárias. 

Projeto interseccional: transformando a prática arquitetônica para o futuro

Um projeto de arquitetura nasce de nuances, da empatia para com os usuários e de uma compreensão profunda de seu contexto específico. Melhores soluções são aquelas que atendem tanto às necessidades e os anseios dos clientes quanto questões de contexto e identidade. Neste sentido, o projeto interseccional pode ser entendido como uma abordagem que leva em conta diversos fatores —de identidade, gênero, raça, sexualidade, classe e muitos mais — e como estes interagem entre si. Considerando isso, quanto melhor compreendermos as questões de relativas ao contexto específico e ao usuários para os quais projetamos nossos espaços, melhor serão nossos edifícios e, consequentemente, as cidades que estaremos construído para o futuro. 

Photo by Gianluca Stefani. Image Courtesy of EVA StudioPrefab Vertical Gym. Image Courtesy of Urban Think TankExploring our knowledge(s). Image Courtesy of Matri-Archi(tecture). Graphic design: Kizzy Memani, Phathu NembilwiLocHal Library. Image © Stijn Bollaert+ 10

"Não é porque você tem recursos limitados que deve aceitar a mediocridade": entrevista com Francis Kéré

A arquitetura africana tem recebido merecida atenção internacional na última década e um dos principais responsáveis por isso é, sem dúvida, Diébédo Francis Kéré. Natural de Gando, Burkina Faso, Kéré se formou em arquitetura na Technische Universität Berlin, Alemanha. Hoje, mantém filiais de seu escritório Kéré Architecture em ambos os países, com o qual busca desenvolver trabalhos na "intersecção da utopia com o pragmatismo", explorando a fronteira entre a arquitetura ocidental e a prática local.

Conhecido por envolver a comunidade no processo de construção de seus edifícios, Kéré e seu escritório vêm desenvolvendo trabalhos que extrapolam os limites convencionais da arquitetura e tocam temas como economia local, migrações, cultura e equidade. Tivemos o prazer e o privilégio de conversar com o arquiteto sobre alguns de seus projetos e sua visão mais ampla da arquitetura. Leia a entrevista íntegra a seguir. 

A evolução da planta residencial nos EUA: o período pós-guerra

Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo buscava um recomeço e a população dos Estados Unidos, o lugar certo para viver o sonho americano. Passando por um amplo processo de desenvolvimento e crescimento populacional, porém com um estoque habitacional insuficiente, soluções rápidas e eficientes tiveram que ser inventadas da noite para o dia para poder suprir a paulatina demanda por moradia. Neste sentido, o surgimento de novas técnicas de construção e a popularização de materiais de construção industriais e pré-fabricados pareciam abrir caminho para um novo futuro mais digno e equitativo para todos.

Como as smart cities podem agravar a desigualdade

As metrópoles urbanas de nosso planeta são o lar de uma abundância de histórias. Elas são o lar de histórias de riqueza, de inovação e de maravilhas arquitetônicas, assim como de histórias de desigualdade, iniquidade e segregação urbana — lugares onde a renda determina a qualidade do ambiente espacial ao seu redor. Dentro destas histórias se desenvolveu uma crescente defesa para tornar as cidades "mais inteligentes", para usar dados e tecnologia digital para construir ambientes urbanos mais eficientes e convenientes.

New York Times Square. Imagem © Wikimedia User Terabass sob a licença CC BY-SA 3.0.Songdo Masterplan, South Korea. Imagem Cortesia da KPFSongdo River Walk. Imagem Cortesia The NationalSeattle, Estados Unidos. Imagem © Nitish Meena via Unsplash+ 10

O que é equidade em arquitetura e design?

Segundo o dicionário, equidade significa “disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um” enfatizando a importância de se levar em consideração as diferenças dos indivíduos. Nesse sentido, a equidade representa um senso de justiça que determina o modo de agir em relação a cada pessoa, reconhecendo suas características e necessidades específicas. Usando uma analogia médica, equidade significa entender que todos precisam de atenção, mas não necessariamente dos mesmos cuidados. Vale ressaltar ainda que este termo é frequentemente confundido com a palavra igualdade, porém, difere-se dela justamente porque a igualdade é baseada no princípio da universalidade, perante o qual todos os indivíduos deveriam ser regidos pelas mesmas regras, sem possibilidade de adaptação.

De Chicago a Nápoles: o fracasso de dois grandes projetos de habitação social

A atual pandemia escancarou as muitas desigualdades enraizadas em nossa sociedade, especialmente no que se refere à distribuição extremamente desigual de recursos e infraestruturas públicas em territórios urbanos. Desde o início da corrente crise sanitária mundial, aqueles que podiam pagar, por exemplo, optaram por trocar a vida na cidade por suas confortáveis casas de final de semana em meio à natureza. No outro extremo, também testemunhamos como as pessoas mais pobres sofreram com a dificuldade de acesso à cidade, espaços públicos e áreas verdes—sendo forçados a continuar suas rotinas de trabalho e deslocamento apesar das muitas restrições e dos evidentes riscos de saúde pública. Para piorar, não podemos deixar de mencionar a questão do acesso (ou a falta de) à moradia digna e de que forma deveríamos abordá-la para responder aos muitos desafios do presente e do futuro.

Vele di Scampia. Imagem © Enzo Abramo under CC0 Public DomainCabrini-Green. Imagem © Wikimedia User David Wilson under the  Creative Commons Attribution 2.0 Generic license.Cabrini-Green. Imagem © Flickr User Eric Allix Rogers under the (CC BY-NC-ND 2.0) license.Cabrini-Green. Imagem © Flickr User UIC Library Digital Collections under the (CC BY-NC 2.0) license.+ 10

A impossibilidade da equidade na arquitetura

“Equidade” é um termo tão amplo quanto fugaz, e isso também se extende para o campo da arquitetura. Embora muitos arquitetos e arquitetas reafirmem constantemente seu desejo por uma maior equidade em nossa disciplina, motivações não são suficientes para alcançar resultados na prática. Além disso, há uma série de problemas históricos que contribuem e muito para que esses anseios ainda pareçam muito distantes de serem alcançados.

A desigualdade em cidades latinas tem solução?

Diferente do conceito de igualdade, a equidade nos ensina que todos precisam de atenção, mas não necessariamente dos mesmos auxílios. Por isso, através de um conceito de equidade urbana é possível manter singularidades de cada região de um munícipio, preservando sua diversidade e riqueza, mas sem esquecer as necessidades de infraestrutura que implicam diretamente desde a qualidade do espaço público até os serviços básicos que uma residência privada recebe - conceber a cidade de forma justa independente da região que recebe o investimento.

Habitação social contemporânea na China: resposta às restrições

Saskia Sassen, professora da Robert S. Lynd, de Sociologia da Universidade de Columbia, prevê em seu livro de coautoria "Os Documentos de Quito e a Nova Agenda Urbana" que, no futuro, as cidades serão um campo de batalha crucial, à medida que continuamos a lutar contra a gentrificação e o crescente grau de isolamento em nossas comunidades. Sassen argumenta que “as cidades devem ser um espaço inclusivo, tanto para os ricos quanto para os pobres. No entanto, nossas cidades nunca alcançaram igualdade para todos, já que nunca foram projetadas dessa forma. Mesmo assim, elas não devem ser lugares que toleram desigualdades ou injustiças”.

Neurociência ambiental: um campo emergente para cidades mais equitativas

Pocket Park na Xinhua Road, Shanghai por SHUISHI. Imagem © Hao Chen
Pocket Park na Xinhua Road, Shanghai por SHUISHI. Imagem © Hao Chen

A neurociência ambiental é um campo emergente, dedicado ao estudo do impacto dos ambientes sociais e físicos, sobre os processos e comportamentos do cérebro. Desde várias oportunidades de interação social aos níveis de ruído, e acesso a áreas verdes, as características do meio urbano têm implicações importantes para os mecanismos neurais e o funcionamento do cérebro, influenciando assim nosso estado físico. O campo ilustra uma imagem diferente de como as cidades impactam nossa saúde e bem-estar, proporcionando assim uma nova camada científica de compreensão, que poderia ajudar arquitetos, urbanistas e tomadores de decisão a criar ambientes urbanos mais equitativos.

High Line - Jardim sobre os trilhos. Imagem © Iwan BaanTainan Spring / MVRDV. Imagem © Daria ScagliolaPocket Park na Xinhua Road, Shanghai por SHUISHI. Imagem © Hao ChenInstalação Versus / TITAN. Imagem © Julien Lanoo+ 5

O custo da mudança climática: quem realmente está protegido pelos esforços de mitigação urbana?

O impacto que a crise climática teve no planeta na última década é uma influência crítica de como os arquitetos e urbanistas projetam as cidades do futuro. É claro que, tanto em nível individual quanto corporativo, é importante agir e proteger a Terra antes que os impactos negativos mudem nossos ambientes familiares para sempre - e o tempo esteja se esgotando rapidamente. Quando se trata de criar formas para salvar nossas cidades do “the next big one”, seja um furacão, enchente, nevasca ou incêndio, a maneira como projetamos a infraestrutura preventiva negligencia um número significativo de pessoas. A mudança climática não afeta apenas os lugares mais ricos do mundo, na verdade, tem efeitos maiores sobre os mais pobres.

Pré-fabricação poderia tornar mais acessível a construção de moradias

O conceito de pré-fabricação na construção corresponde a elementos, partes ou edificações inteiras produzidas em fábrica e transportadas ao canteiro de obras para uma instalação expressa. Isso representa inúmeras vantagens aos métodos de construção tradicionais, como rapidez, precisão na execução, eficiência, limpeza de obra e, em muitos casos, economia. Considerando que a moradia é uma necessidade primária dos humanos, utilizar métodos industriais para a construção de habitações acessíveis e de boa qualidade sempre movimentou os arquitetos, seja para abrigar populações urbanas crescentes, para assentamentos temporários ou emergenciais, nas mais diversas escalas. Após muitas tentativas na história, permanece a dúvida se a popularização da pré-fabricação no campo da construção pode ser uma solução para proporcionar uma maior equidade no acesso à habitação.

O que ordens de despejo têm a dizer sobre a desigualdade social nas grandes cidades

Um dos principais impactos da atual pandemia na economia das cidades foi o aumento das ordens de despejo e multas por atrasos no pagamento dos aluguéis. Sabe-se que a vida nas grandes cidades não é fácil e embora o salário médio nas metrópoles costuma ser maior se comparados a cidades de menor porte, os custos de vida também são relativamente mais altos. Isso significa que, uma vez desempregados—como os milhares de trabalhadores que perderam seus postos de trabalho por conta da pandemia—, os moradores das grandes cidades passam a enfrentar sérios problemas para poder pagar as suas contas. Neste início de retomada, a medida que a economia começa a dar sinais de recuperação, há uma série de questões que ainda precisam ser resolvidas, principalmente em relação ao endividamento de muitos inquilinos que por meses não tinham meios para poder pagar seus aluguéis. Neste contexto, o que fica claro é que o custo de vida nas grandes cidades está tornando a vida nas metrópoles praticamente insustentável para muitos trabalhadores—os quais se vêm entre a cruz e a espada e sem nenhuma opção de escolha.

Relações de poder e desigualdade em mapas: uma análise urbana através da cartografia

A humanidade como a conhecemos hoje é resultado de séculos e mais séculos de fenômenos naturais e migratórios complexos responsáveis por forjar a aparência geográfica e humana do planeta no qual habitamos. Humanos são seres sensoriais, e como tais, se relacionam com o mundo através de suas experiências vividas, mas, além disso, há outra forma pela qual podemos compreender o mundo no qual vivemos, isto é, através da uma representação bidimensional inventada pelo homem—os mapas. A cartografia, muitas vezes, é utilizada para delinear fronteiras e estabelecer limites, e desta forma têm sido utilizada historicamente como uma ferramenta de opressão e segregação.

© Cook's Handbook for London. With Two MapCourtesy of Daily OverviewCourtesy of Daily OverviewCourtesy of Daily Overview+ 9

Como as cidades estão assumindo um papel central no combate à crise climática

Desde que o acordo de Paris foi firmado em 2015, minimizar os efeitos e consequências das mudanças climáticas em curso no planeta tem sido, pelo menos declarativamente, um objetivo comum em todo o mundo; no entanto, as ações que estão sendo tomadas variam amplamente de país para país. Pensando nisso, as principais grandes cidades do planeta decidiram se posicionar e partir para a ação ao invés de apenas esperar ordens de cima. Fato é que muitas das iniciativas levadas a cabo pelas administrações municipais e regionais acabam sendo neutralizadas pelo consequente aumento das emissões de carbono em outras regiões do país e do mundo. Além disso, é importante ressaltar que a vulnerabilidade e a capacidade de adaptação frente às consequências do agravamento da crise climática varia muito de lugar para lugar. Procurando esclarecer e discutir o conceito de desigualdade ambiental, este artigo chama a atenção para o fato de que a crise climática só pode ser combatida de maneira eficaz através de um esforço global conjunto, coordenado e transdisciplinar.

Como as cidades estão assumindo um papel central no combate à crise climática© Raimund Koch. Imagem Nova IorqueMajuro Atoll Marshall Islands. ImagemFavela em Bangladesh. Imagem Cortesia de UN Habitat+ 6