O que é arquitetura do Brasil Colônia?

O que é arquitetura do Brasil Colônia?

O período compreendido entre o século XVI e início do século XIX no Brasil, conhecido como Brasil Colônia, tem início a partir do momento em que os portugueses invadem o território brasileiro e impõem o processo de colonização. Na arquitetura e no urbanismo, esse processo será responsável por uma série de padrões que moldaram, ao longo dos séculos, a arquitetura e as cidades no país.

Com a chegada dos portugueses, surgem as primeiras instalações dos colonizadores no território brasileiro, caracterizadas sobretudo pela sua precariedade e insuficiência na defesa de outros invasores. A partir da decisão da Coroa portuguesa de dividir as terras em capitanias hereditárias administradas por donatários, começam a surgir vilas e aglomerados urbanos. 

Solar do Unhão, em Salvador, Bahia. Imagem: © Manuel SáOuro Preto, Minas Gerais. Foto de Rosino, Flickr. Licença CC BY-SA 2.0Planta da Restituição da Bahia, por João Teixeira Albernaz, 1631. Domínio público“Espaços-Varanda” na arquitetura colonial. Imagem: © Marjorie Lange+ 5

Segundo Nestor Goulart Reis Filho, em seu livro Quadro da arquitetura no Brasil, um dos traços característicos da arquitetura urbana em qualquer período histórico é a sua relação com o tipo de lote em que está implantada. Assim, ao estudar o período colonial brasileiro, este vínculo pode ser facilmente percebido a partir da ocupação das casas, dispostas lado a lado, sem recuos laterais, e no limite das ruas, que ainda não dispunham de calçamentos ou passeios. 

Planta da Restituição da Bahia, por João Teixeira Albernaz, 1631. Domínio público
Planta da Restituição da Bahia, por João Teixeira Albernaz, 1631. Domínio público

A arquitetura residencial nos centros das vilas e cidades do Brasil Colônia se caracterizava por um padrão uniforme de número de pavimentos, fenestração, área e gabarito, muitas vezes definidos a partir das Cartas Régias ou posturas municipais, de modo a garantir uma aparência portuguesa às vilas e cidades brasileiras. A planta baixa estreita e alongada das habitações permitia aberturas para iluminação natural apenas nos cômodos contíguos à rua e naqueles localizados ao fundo, entre os quais eram localizadas as alcovas e um corredor, central ou lateral, para circulação entre os ambientes.

“Espaços-Varanda” na arquitetura colonial. Imagem: © Marjorie Lange
“Espaços-Varanda” na arquitetura colonial. Imagem: © Marjorie Lange

Nos centros urbanos, os principais tipos de habitação podem ser divididos entre as casas térreas, com piso em terra batida, e os sobrados, construções que possuíam pavimentos superiores com piso em assoalho. Nas bordas das cidades, por outro lado, o afastamento dos centros permitia, a partir da construção do edifício isolado, uma maior liberdade na área construída e na abertura de janelas. As chácaras, como eram chamadas estas construções, pertenciam às famílias mais abastadas e possuíam facilidade de abastecimento e serviço, à época ainda muito dependentes do meio rural.

Solar do Unhão, em Salvador, Bahia. Imagem: © Manuel Sá
Solar do Unhão, em Salvador, Bahia. Imagem: © Manuel Sá

O estudo tipológico da arquitetura do Brasil Colônia tem muito a revelar sobre a configuração social do período. Os sobrados pertenciam às famílias mais ricas, que ocupavam os andares superiores, enquanto a população escravizada ocupava o pavimento térreo e as mulheres permaneciam em quartos resguardados. Os escravizados, além das funções realizadas no cotidiano das casas e sobrados, eram os responsáveis por sua construção, que seguia técnicas construtivas também padronizadas, usualmente com paredes de pau-a-pique, adobe ou taipa de pilão.

Além da arquitetura civil de função privada, outros edifícios marcaram o território brasileiro durante o Brasil Colônia, com suas diferentes funções e soluções formais. Entre eles as Casas de Câmara e Cadeia, onde eram localizados os órgãos da administração pública municipal; as fortificações militares, cujo caráter defensivo, herdado da Idade Média, tinha como objetivo defender o território de invasões estrangeiras; e as igrejas, que além da forte presença nos campos político, econômico e social, também foi um dos principais agentes modeladores do ambiente urbano. A diversidade nas composições arquitetônicas das igrejas tem origem nas diferentes ordens religiosas (jesuítas, franciscanos, carmelitas e beneditinos), cada qual com suas especificidades e com programas que se complexificavam à medida em que se associavam a colégios e conventos.

Ouro Preto, Minas Gerais. Foto de Rosino, Flickr. Licença CC BY-SA 2.0
Ouro Preto, Minas Gerais. Foto de Rosino, Flickr. Licença CC BY-SA 2.0

De modo geral, a colonização portuguesa impôs a padronização das soluções arquitetônicas e urbanas, que se assemelhavam em diferentes medidas à aparência portuguesa, apesar das adaptações convenientes ao contexto brasileiro. Os primeiros anos do século XIX - até a Proclamação da República em 1822 -, ainda pertencentes ao período colonial, são facilmente assimiláveis ao século anterior, com a continuidade das soluções arquitetônicas e urbanísticas que caracterizaram o período.

Referência bibliográfica
FILHO, Nestor Goulart Reis. Quadro da arquitetura no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2000.

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Sobre este autor
Cita: Susanna Moreira. "O que é arquitetura do Brasil Colônia?" 15 Fev 2021. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/956978/o-que-e-arquitetura-do-brasil-colonia> ISSN 0719-8906

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