Como será o trânsito de veículos nas cidades do futuro?

Ao longo do ano passado—e muito provavelmente esta tendência permaneça no ano de 2021—, testemunhamos um considerável esvaziamento dos espaços públicos dos principais centros urbanos, algo que nunca antes havíamos visto e que muito provavelmente, não voltaremos a ver muito cedo. Essa sensação de ausência de trânsito e congestionamento foi uma das principais consequências dos longos períodos de quarentena. Curioso é o fato que, mesmo depois de amenizadas muitas das restrições impostas, o trânsito caótico das grandes cidades parece estar se negando a voltar à sua normal atividade.

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Autpista en Atlanta. Image © Atlantacitizen [Wikipedia] bajo licencia CC BY-SA 3.0

Ao invés de esperar a volta à “normalidade”, os padrões de qualidade de vida estão tendo que ser reavaliados. De repente, passamos a viver em um mundo remoto, com as crianças estudando no quarto de casa enquanto os pais trabalham na sala e/ou na cozinha. O espaço doméstico transformou-se também no espaço de trabalho, de produção. A nossa rotina de deslocamento no espaço urbano foi substancialmente afetada, a tal ponto que precisamos nos lembrar de sair de casa pelo menos uma vez por dia. O mais provável é que, a partir de agora, depois de termos experimentado essa liberdade da não obrigação de estarmos fisicamente presente o tempo todo e em todo lugar, que a “normalidade” de fato nunca mais volte, e que isso não necessariamente será algo ruim.

Uma das megatendências que estão remodelando o campo da arquitetura é a urbanização das chamadas megacidades. Entretanto, se estas metrópoles—que em alguns casos são até mais populosas que países inteiros—não forem geridas como cidades inteligentes, é muito provável que o antigo caos siga reinando mesmo depois do fim da pandemia.

O índice de trânsito do TomTom, o qual avalia em tempo real as condições de trânsito em 416 cidades de 57 países diferentes, nos oferece uma perspectiva bastante clara sobre o impacto global da pandemia nos congestionamentos urbanos das grandes ciudades do planeta. O algoritmo utilizado para calcular a porcentagem de aumento ou redução nos congestionamentos compara o tempo de deslocamento real com o tempo médio histórico de certos trajetos. A partir disso, o site apresenta uma série de dados de fácil compreensão—confirmando que o trânsito global das cidades observadas diminuiu consideravelmente no ano de 2020, até mesmo em períodos de reabertura pós-quarentena.

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© tetiana.photographer via Shutterstock

Do total de municípios analisados, 387 testemunharam uma significativa redução no trânsito e apenas 13 deles observaram um aumento nos tempos de deslocamento. Em abril, quando as restrições mais severas foram impostas à população, o congestionamento global destas cidades foi reduzido em até 50%.

A resiliência humana nos faz aprender rapidamente com as situações que nos são impostas. Com as medidas restritivas adotadas para reduzir a disseminação da pandemia não foi diferente. Ainda assim, muitos trabalhadores não tiveram escolha, vendo-se obrigados a sair à rua em busca do pão de cada dia. O relatório publicado pelo TomTom indica ainda que justo no dia anterior a entrada em vigor de novas medidas restritivas, o trânsito da maioria das grandes cidades chegou a aumentar em até 142%, como no caso da cidade de Paris no dia 29 de outubro, enquanto Atenas registrou um aumento de 123% no dia 6 de Novembro e Londres um 104% dois dias antes, no dia 4 do mesmo mês.

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Costanera Norte, Santiago, Chile. Image © alobos Life, [Flickr] bajo licencia CC BY-NC-ND 2.0

Em cidades como Bogotá, uma das medidas tomadas para enfrentar os imensos  congestionamentos, e sobretudo para evitar a saturação do transporte público e assim minimizar os riscos de contágio e a propagação do vírus, tem sido promover o uso da bicicleta como principal meio de transporte urbano. Para isso o município disponibilizou mais faixas exclusivas para este meio de transporte, sejam elas temporárias ou permanentes.

A capital colombiana está entre as três cidades mais congestionadas no ranking oficial divulgado pelo TomTom. Com 53% de todos os sistemas congestionados, um dado que só é superado pela gigantesca cidade de Mumbai, na Índia, e pela região metropolitana de Moscou.

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Carrera Séptima, Bogotá. Image Cortesía de IDU

Os arredores de Bogotá, como consequências disso, passaram a ser mais procurados, registrando neste mesmo período um aumento no interesse imobiliário dos moradores da capital em busca de melhores condições e qualidade de vida. Isso mostra que o desejo de fugir dos congestionamentos das grandes cidades pode impulsionar o crescimento dos pequenos centros próximos às grandes cidades. E, ao promover meios de transporte alternativos—como a bicicleta ou até o patinete—estas cidades estão gerando uma nova demanda por moradia em lugares próximos ao ambiente de trabalho. Essas medidas não só beneficiam a qualidade de vida, mas também resultam em um impacto ambiental muito menor.

Este artigo é parte do Tópico do ArchDaily: O Futuro das Cidades. Mensalmente, exploramos um tema específico através de artigos, entrevistas, notícias e projetos. Saiba mais sobre os tópicos mensais. Como sempre, o ArchDaily está aberto a contribuições de nossos leitores; se você quiser enviar um artigo ou projeto, entre em contato.

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Sobre este autor
Cita: Baraya, Santiago. "Como será o trânsito de veículos nas cidades do futuro?" [¿Cómo será la congestión vehicular en las ciudades del futuro?] 10 Fev 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/956350/como-sera-o-transito-de-veiculos-nas-cidades-do-futuro> ISSN 0719-8906

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