Agricultura urbana pode alimentar 20 milhões de pessoas em São Paulo

Agricultura urbana pode alimentar 20 milhões de pessoas em São Paulo

Cortesia de TAA DESIGNImagem © Paul SebestaImagem © popupcity.netHorta em Paraisópolis. Imagem via CicloVivo+ 8

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) possui quase 22 milhões de habitantes, cerca de 10% do total da população brasileira. Para alimentar essa quantidade enorme de pessoas, todos os dias chegam à metrópole toneladas de insumos, de diferentes partes do país. Porém, novo estudo do Instituto Escolhas mostra que, com algumas medidas, é possível abastecer toda essa população com legumes e verduras de produção local.

A opção pela produção local diminui as perdas com o transporte e deixa a metrópole de São Paulo menos sujeita a problemas de oferta, como aconteceu durante a greve dos caminhoneiros de 2018 ou cogitou-se no início da pandemia de Covid-19.

Lançado no dia 24 de novembro, o estudo “Mais perto do que se imagina: os desafios da produção de alimentos na metrópole de São Paulo” traz dados de consumo, distribuição e comercialização de alimentos na RMSP hoje e, por meio de análises de caso, identifica entraves e traz recomendações do que pode ser feito para avançarmos nesse potencial de produção e abastecimento por meio da produção local. O estudo do Instituto Escolhas é realizado em parceria com o Urbem e tem o apoio da Porticus.

Imagem cortesia de CicloVivo
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Entenda o estudo

Atualmente, a agricultura urbana e periurbana (dentro e nos arredores da cidade) já ocupa um lugar de relevância na região metropolitana de São Paulo. São mais de 5 mil estabelecimentos agropecuários ou 15,5% da área total da RMSP, sendo que os 39 municípios dessa região produzem 52% dos cogumelos e espinafre e cerca de 10% do repolho e alface de todo o país. O município com a maior participação é o de Mogi das Cruzes, com 35% do valor bruto da produção da região.

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Em toda RMSP, mais de 1 milhão de pessoas, ou 13% da população local, estão diretamente ocupadas com alimentação, seja na produção, indústria e, principalmente, no comércio e serviços alimentares. O estudo partiu da análise desses dados secundários, que caracterizam o sistema alimentar da RMSP, para então analisar o potencial que essa produção local de alimentos tem para tornar esse sistema mais resiliente e sustentável.

Foram identificados diferentes tipos de agricultura existentes na metrópole, desde agriculturas comerciais (que têm maior capacidade de investimento e operam em pequena, média e grande escala), agriculturas multifuncionais (que, além da comercialização, também estão voltadas para o sustento da família), até mesmo iniciativas não voltadas à comercialização, como hortas institucionais, comunitárias e quintais produtivos.

Em seguida, foi realizada uma avaliação da viabilidade econômico-financeira de alguns desses casos e uma simulação do seu potencial de abastecimento da metrópole.

Resultados

Os estudos de caso evidenciaram que o agricultor comercial de médio e grande porte na RMSP tem enfrentado altos custos de produção e baixos preços nos circuitos de comercialização convencional, com mais de um atravessador. Já o agricultor familiar que opta pela produção orgânica precisa garantir preços mais altos na comercialização, geralmente obtido por meio de circuitos curtos (venda direta ou com até um atravessador) e do acesso garantido à terra para se viabilizar economicamente.

Nas simulações realizadas pelo estudo, 200 hectares de áreas cultivadas por propriedades modelo em áreas urbanas da metrópole teriam o potencial de prover verduras e legumes para cerca de 80 mil pessoas e ocupar 1 mil trabalhadores. Essa extensão equivale à área de terrenos vagos no distrito de Sapopemba, no município de São Paulo, e o número de famílias que poderiam consumir os alimentos, 24 mil, corresponde a 1,5x o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família naquele distrito.

Imagem cortesia de CicloVivo
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De forma mais expressiva, 60 mil hectares cultivados em propriedades modelo na área periurbana da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) teriam o potencial de abastecer com verduras e legumes 20 milhões de pessoas por ano e criar 180 mil novos postos de trabalho na metrópole. As duas simulações foram realizadas considerando a produção orgânica de alimentos.

“As simulações do estudo destacam o potencial da produção local de alimentos de abastecer a metrópole com alimentos saudáveis, como verduras e legumes, e de gerar emprego e renda para os seus moradores”, comenta Jaqueline Ferreira, Gerente do Instituto Escolhas e Coordenadora do estudo.

Os números reforçam a importância dos gestores públicos passarem a considerar a agricultura no planejamento e políticas urbanas. – Jaqueline Ferreira

Para acessar o o estudo completo, clique aqui.
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Via CicloVivo.

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Sobre este autor
Cita: Equipe ArchDaily Brasil. "Agricultura urbana pode alimentar 20 milhões de pessoas em São Paulo" 28 Nov 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/952137/agricultura-urbana-pode-alimentar-20-milhoes-de-pessoas-em-sao-paulo> ISSN 0719-8906

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