Condições de trabalho e a "nova normalidade" nos espaços laborais

Condições de trabalho e a "nova normalidade" nos espaços laborais

O trabalho dá origem à arquitetura. Como agregado do esforço físico e mental usado na criação de bens e serviços, o trabalho está vinculado ao que criamos e ao nosso processo. Em um campo moldado pela produção, arquitetura e design dependem do trabalho de uma ampla gama de profissionais. Porém, à medida que os trabalhadores passam cada vez mais horas e as medidas tradicionais de segurança mudam, questões trabalhistas surgem em meio a condições mais amplas da cultura de trabalho contemporânea.

via Duo Dickinson, Architectural Review
via Duo Dickinson, Architectural Review

O Architecture Lobby é uma organização fundada para defender melhores práticas trabalhistas. Lançada em 2013 pela arquiteta e acadêmica Peggy Deamer, é uma organização de "trabalhadores da arquitetura que defendem o valor da arquitetura no público em geral e o trabalho dentro da disciplina". O Lobby começa identificando arquitetos como trabalhadores e suas contribuições como "trabalho" - trabalho "estético, técnico, social, organizacional, ambiental, administrativo, fiduciário, mas em todos os casos, trabalho". Seu manifesto tem como alvo diversos tópicos, desde leis trabalhistas, honorários e serviços até transparência salarial, em um esforço para abordar condições precárias de trabalho.

Nesta época, no ano passado, Pascale Joassart, do KCET, explorou a ideia do trabalho informal e do trabalho em profundidade, abordando o trabalho fora de cargos assalariados ou mais formais e a ascensão do "Novo Normal". Ela afirma que o emprego tradicional, com segurança, benefícios e proteções, está se tornando cada vez menos comum, com termos como "trabalho freelancer, contingente, alternativo e precário" que surgiram para descrever os arranjos de trabalho. Por sua vez, essas tendências maiores se estendem à arquitetura.

Cortesia de The Architecture Lobby
Cortesia de The Architecture Lobby

No Columbia GSAPP, um simpósio foi realizado no final de 2018 sobre Renegociação da Precariedade. Como provocação, a descrição destacou que "os salários estão estagnados e os aluguéis estão subindo. O trabalho não é apenas difícil de encontrar, mas cada vez mais explorador e inseguro. As pessoas são forçadas a assumir mais empregos e empréstimos apenas para sobreviver. A privatização transformou cidades inteiras em playgrounds para especulação financeira, à medida que os sistemas de apoio social foram retirados sob a bandeira da política de austeridade. Em suma, a precariedade tornou-se uma condição generalizada". O simpósio procurou possíveis alternativas e locais de resistência, pois a luta pela precariedade precisa ser continuamente renegociada. Com base nas questões colocadas em relação ao trabalho e condições laborais, como as descritas em Columbia, os seguintes artigos exploram o trabalho através das lentes da arquitetura nos últimos cinco anos.

É hora dos arquitetos se unirem?

© UVW-SAW
© UVW-SAW

O crítico de arquitetura do The Guardian Oliver Wainwright relatou que o primeiro sindicato de arquitetura do Reino Unido foi formado no ano passado. A Seção de Trabalhadores da Arquitetura (UVW-SAW) é uma parte do United Voices of the World, um novo modelo de sindicato de base que apoia a expansão dos ideais sindicais para profissões e setores que tradicionalmente não tinham essa representação. O lançamento do sindicato e as razões por trás dele servem como o episódio mais recente da longa preocupação com as condições de trabalho enfrentadas pelos arquitetos no Reino Unido e em todo o mundo.

A favor e contra da cultura do trabalho noturno: os leitores respondem

© Forrest Jessee
© Forrest Jessee

Os editores do ArchDaily procuraram nossos leitores para nos ajudar a investigar um dos desafios mais difíceis da educação em arquitetura: o que alunos e professores pensam da cultura de trabalho de 24 horas que permeia a profissão de arquitetura? A partir dessa discussão, surgiram dois temas principais: primeiro, muitos pareciam acreditar que os estudantes de arquitetura têm muito trabalho; em segundo lugar, havia um consenso quase completo de que o fechamento dos ateliês não resolve nada além de transferir o problema de pernoites da escola para a casa dos estudantes.

Jovens arquitetos agindo na Bienal de Veneza

Cortesia de La Biennale di Venezia
Cortesia de La Biennale di Venezia

O Architecture Lobby, com sede em Nova York, realizou um protesto em frente ao Giardini no dia 7 de junho de 2014 durante o fim de semana de abertura da Bienal. Por meio de seu protesto, eles pretendem chamar a atenção para o declínio das condições de trabalho na profissão, incluindo baixos salários, longas horas e desemprego inseguro - principalmente para jovens arquitetos.

Qual é a realidade do trabalho de arquiteto nos EUA?

Cortesia de The Architecture Lobby
Cortesia de The Architecture Lobby

The Architecture Lobby completou uma pesquisa de setenta perguntas com arquitetos que buscava reunir uma ampla gama de dados sobre o trabalho na arquitetura - de padrões e políticas da empresa à satisfação do trabalhador - para fornecer informações de código aberto sobre a realidade do trabalho de arquitetura nos EUA. As estatísticas finais foram publicadas a partir da pesquisa depois de pesquisar centenas de profissionais de arquitetura.

Sobre este autor
Cita: Baldwin, Eric. "Condições de trabalho e a "nova normalidade" nos espaços laborais" [The Architecture of Labor: Working Conditions and the New Normal] 07 Fev 2020. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/933272/condicoes-de-trabalho-e-a-nova-normalidade-nos-espacos-laborais> ISSN 0719-8906

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