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Três momentos na fotografia de arquitetura

Três momentos na fotografia de arquitetura
Três momentos na fotografia de arquitetura, Bernd Becher, Hilla Becher. Framework Houses, 1959-73. © 2018 Hilla Becher. Crédito: MoMA; presente de Hilla Becher. Sob termos de "Fair Use"
Bernd Becher, Hilla Becher. Framework Houses, 1959-73. © 2018 Hilla Becher. Crédito: MoMA; presente de Hilla Becher. Sob termos de "Fair Use"

A partir dos primeiros experimentos realizados pelo francês Joseph Niépce em 1793, e de seu primeiro teste de maior sucesso em 1826, a fotografia tornou-se objeto de exploração e recurso de registro de momentos vividos e lugares do mundo. Dentro do amplo espectro da produção fotográfica ao longo da história, em vários casos a arquitetura desempenhou papel protagonista nos registros, seja pela perspectiva da fotografia enquanto arte, documento ou, como foi muitas vezes, instrumento de construção de cultural.

Com grande autonomia enquanto prática e debate particular dentro desse tema, a fotografia de arquitetura tem a capacidade de reiterar uma série de aspectos expressivos das obras retratadas, tensionar a relação das mesmas com seus entornos, propor leituras específicas ou genéricas dos edifícios, entre outras possibilidades de investigação.

No dia 19 de agosto comemora-se o dia internacional da fotografia, assim, reunimos a seguir exemplos de produções significativas dentro do campo da fotografia que lidam com a a temática da arquitetura, separadas, por assim dizer, em três momentos ou recortes: fotografia urbana, do final do século XIX e primeira metade do século XX; fotografia do moderno, destacando a relação entre influentes arquitetos e os fotógrafos que registraram suas obras modernas; e arquitetura na fotografia artística, com exemplos de produções bem inseridas no campo artístico, mas que têm na arquitetura e no espaço construído seu tema. 

Fotografia urbana

Eugène Atget. Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève, 1898. Crédito: MoMA; Abbott-Levy Collection.Presente de Shirley C. Burden. Sob termos de "Fair Use"
Eugène Atget. Rue de la Montagne-Sainte-Geneviève, 1898. Crédito: MoMA; Abbott-Levy Collection.Presente de Shirley C. Burden. Sob termos de "Fair Use"

A fotografia urbana é uma vertente que explora de forma mais indireta as relações de arquitetura e registro visual, e é muito bem exemplificada pelas fotografias de Eugène Atget, personagem que incorporava o espírito do flaneur e que capturou cenas cotidianas de Paris fin de siècle. Apesar disso, é inegável que esse tipo de tomada de cena na cidade sempre revela seu contexto e características de momento histórico que são de grande serviço à leitura do que se produzia enquanto edifício em determinada época.

Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Manhattan, 1936. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Presente anônimo. Sob termos de "Fair Use"
Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Manhattan, 1936. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Presente anônimo. Sob termos de "Fair Use"

Essa linha de trabalho lida com o objeto que é, por excelência, o material de trabalho dos arquitetos: a cidade. Nova Iorque - cidade de maior proeminência no cenário mundial no século XX - teve seu protagonismo extensamente registrado por Berenice Abbott, que durante os anos 1930 produziu, inspirada na experiência de Atget, exemplares fotográficos que falam das dinâmicas, construções, desenho e fluxos da maior cidade estadunidense. 

Eugène Atget. Rue Oblin, 1899. Crédito: MoMA; Abbott-Levy Collection.Presente de Shirley C. Burden. Sob termos de "Fair Use" Berenice Abbott. Barclay Street Elevated Platform, 1933. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Presente anônimo. Sob termos de "Fair Use" Eugène Atget. Ancienne école de Médecine. Rue de la Bûcherie, 1898. Crédito: MoMA; Abbott-Levy Collection.Presente de Shirley C. Burden. Sob termos de "Fair Use" Berenice Abbott. New York at Night, 1932. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use" + 23

Fotografia do moderno

Ezra Stoller. Beinecke Library, Yale University, Skidmore, Owings & Merrill, New Haven, CT, 1963. © Ezra Stoller. Cortesia de Yossi Milo Gallery, Nova Iorque
Ezra Stoller. Beinecke Library, Yale University, Skidmore, Owings & Merrill, New Haven, CT, 1963. © Ezra Stoller. Cortesia de Yossi Milo Gallery, Nova Iorque

No campo da arquitetura, o século XX foi predominantemente marcado pelo projeto e debate proposto pelos arquitetos modernos. Sempre com grande esforço em estabelecer uma atividade prática aliada à construção de um discurso, era comum que profissionais desse momento se associassem a fotógrafos para registrarem seu trabalho. Além disso, o início desse século foi de intenso desenvolvimento das revistas de arquitetura, o que, mais ainda, promoveu um movimento de registro das obras produzidas naquele momento.

Julius Shulman. Case Study House #22, 1960 (Architect: Pierre Koenig) © J. Paul Getty Trust. Usada com permissão. Julius Shulman Photography Archive, Research Library at the Getty Research Institute (2004.R.10). Cortesia de Barbican Art Gallery
Julius Shulman. Case Study House #22, 1960 (Architect: Pierre Koenig) © J. Paul Getty Trust. Usada com permissão. Julius Shulman Photography Archive, Research Library at the Getty Research Institute (2004.R.10). Cortesia de Barbican Art Gallery

Para esses arquitetos, o projeto enquanto manifesto era parte fundamental de sua prática, portanto, as fotos produzidas de suas obras deveriam estar alinhadas aos propósitos discursivos. Alguns casos ilustres dessa relação no período moderno são do arquiteto Le Corbusier e Lucien Hervé, Walter Gropius e o fotógrafo T. Lux Feininger (formado pela Bauhaus), Frank Lloyd Wright com os fotógrafos Henry Fuermann e Pedro E. Guerrero, além de Richard Neutra com Julius Shulman. Esse último foi, inclusive, um dos fotógrafos mais atuantes no registro de uma das maiores iniciativas de publicação de uma cultura visual arquitetônica, as Case Study Houses patrocinadas pela revista norte-americana Arts & Architecture de 1945 a 1966.

Além desses exemplos, vale destacar no âmbito do registro da arquitetura moderna o papel do norteamericano Ezra Stoller, cuja fotografia representou, nela mesma, uma manifestação das características da arquitetura que se produzia à época: elegante, simples, limpa e direta. Durante sua vida profissional, teve o trabalho tão reconhecido que o seu próprio nome transformou-se em verbo, e ter seu projeto Stollerized (que em uma tradução livre poderia-se dizer, "Stollerizado"), isto é, fotografado por ele, tinha grande valor. Trabalhou registrando a obra de grandes arquitetos como Frank Lloyd Wright, Louis Khan e Philip Johnson.

Ezra Stoller. United Nations, Equipe internacional liderada por Wallace K. Harrison, New York, NY, 1950. © Ezra Stoller. Cortesia de Yossi Milo Gallery, Nova Iorque Julius Shulman. Case Study House #22, 1960 (arquiteto: Pierre Koenig) © J. Paul Getty Trust. Usada com permissão. Julius Shulman Photography Archive, Research Library at the Getty Research Institute (2004.R.10). Cortesia de Barbican Art Gallery Lucien Hervé. High Court, Chandigarh, Índia,1955. © 2018 Estate of Lucien Hervé. Crédito MoMA, presente de agnés b.. Sob termos de "Fair Use" Pedro E. Guerrero. Casa Robert Llewellyn Wright, de Frank Lloyd Wright. © 2014 Pedro E. Guerrero Archives + 23

Arquitetura na fotografia artística

Michael Wesely. 7 August 2001--7 June 2004 The Museum of Modern Art, New York, 2001-04. © 2018 Artists Rights Society (ARS), New York/VG Bild-Kunst, Bonn. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use"
Michael Wesely. 7 August 2001--7 June 2004 The Museum of Modern Art, New York, 2001-04. © 2018 Artists Rights Society (ARS), New York/VG Bild-Kunst, Bonn. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use"

O debate sobre o conceito de espaço foi alimento para discussões dentro do universo da arte em inúmeras ocasiões. Na arquitetura, é evidente que se trata de um dos temas e preocupações centrais do ofício e, no limite do confrontamento da arquitetura e da fotografia enquanto arte, o espaço foi e é lugar de experimentação de arquitetos e fotógrafos. 

Michael Wesely. 7 August 2001--7 June 2004 The Museum of Modern Art, New York, 2001-04. © 2018 Artists Rights Society (ARS), New York/VG Bild-Kunst, Bonn. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use"
Michael Wesely. 7 August 2001--7 June 2004 The Museum of Modern Art, New York, 2001-04. © 2018 Artists Rights Society (ARS), New York/VG Bild-Kunst, Bonn. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use"

Tratando-se de um tema comum às atividades, pensar a fotografia do espaço como parte do que se pode ler como fotografia de arquitetura, significa dar a esse termo um lugar de destaque e importância conceitual para a prática projetual. Dentro disso, é possível reconhecer diversas iniciativas de experimentação fotográfica que lidam com o espaço. É o caso do fotógrafo alemão Michael Wesely, que cria imagens a partir da técnica de longuíssima exposição que trazem movimento e dinamismo para uma leitura subjetiva da arquitetura e das paisagens a partir de imagens que podem levar até anos para serem concluídas. Um de seus projetos mais recentes, Câmera Aberta, foi o registro da obra do Instituto Moreira Salles em São Paulo construído a partir de seis câmeras que passaram três anos captando imagens do processo de obra do edifício paulistano.

Bernd Becher, Hilla Becher. Water Towers, 1988. © 2018 Hilla Becher. Crédito: MoMA; presente de Werner e Elaine Dannheisser. Sob termos de "Fair Use"
Bernd Becher, Hilla Becher. Water Towers, 1988. © 2018 Hilla Becher. Crédito: MoMA; presente de Werner e Elaine Dannheisser. Sob termos de "Fair Use"

Outra iniciativa que representa um tipo de fotografia que lida com volumes, não necessariamente arquitetônicos, mas sempre inseridos no espaço é o trabalho do casal Hilla e Bernd Becher, que ficou muito conhecido por suas séries de fotografias de tipologias industriais, tanto edifícios, quanto estruturas como silos e caixas d'água, quase sempre organizadas em grids simétricos. Apesar de habitarem o campo da fotografia conceitual, os Becher também evocam a todo momento em seu trabalho uma abordagem que coloca em questão o objeto retratado e o espaço que este habita.

Estes três momentos em que a fotografia e a arquitetura se cruzam na história não se fecham nas produções apresentadas, mas abrangem a obra de muitos outros profissionais de atuação relevante para ambos os campos; tampouco pretendem definir um panorama linear na história da fotografia de arquitetura. São um recorte específico - e sucinto - que tem como objetivo apresentar a multiplicidade de enfoques possíveis nessa sobreposição de campos, cujo resultado só pode ser o enriquecimento tanto da fotografia quanto da arquitetura. 

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Sobre este autor
Cita: Julia Brant. "Três momentos na fotografia de arquitetura" 19 Ago 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/899786/tres-momentos-na-fotografia-de-arquitetura> ISSN 0719-8906

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