Julia Daudén

Arquiteta Urbanista formada pela Escola da Cidade, em São Paulo. Fez parte de sua graduação em intercâmbio com a Universidade IUAV de Veneza. Atua profissionalmente no campo de projeto e no ArchDaily Brasil como autora e tradutora de artigos.

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Interiores brasileiros: 21 projetos com concreto aparente

Reforma MR 53 / BLOCO Arquitetos. Imagem: © Joana França
Reforma MR 53 / BLOCO Arquitetos. Imagem: © Joana França

O concreto é símbolo importante de um período de grande reconhecimento da arquitetura brasileira e até hoje segue como um dos materiais preferidos dos profissionais da área interessados em explorar a flexibilidade e expressividade que seu uso confere aos projetos. Apesar de estar associado sobretudo às estruturas das construções, o concreto pode figurar como protagonista por sua materialidade, temperatura, cores e outros aspectos que vão além de suas qualidades estruturais. Quando mantido aparente, o concreto imprime um caráter marcante nas áreas internas das obras ao dialogar com os demais elementos que compõem a ambiência das propostas. 

Casa Guarujá / Nitsche Arquitetos. Imagem: © André ScarpaCasa em Salto de Pirapora / Vereda Arquitetos. Imagem: © André ScarpaResidência Bento Noronha / Metro Arquitetos. Imagem: © Ilana BesslerCasa no Morro do Querosene / gruposp. Imagem: © Nelson Kon+ 23

O que produzem os concursos de arquitetura no Brasil?

Uma das mais emblemáticas ferramentas de escolha para projetos de arquitetura e urbanismo no Brasil são os concursos. Sedimentados na cultura arquitetônica no país, estabelecem, por um lado, uma circunstância de estímulo, oportunidade e aquecimento, tanto da prática, quanto do debate de ideias – condição importante para a reafirmação de um sentido democrático e horizontal para as escolhas de propostas vencedoras. Por outro, são alvo de debate acalorado pela forma como têm se desenvolvido, pelos métodos de avaliação e, sobretudo, por premiarem propostas que, frequentemente, reiteram um tipo de arquitetura ligada a um vocabulário formal moderno, negligenciando prostas que buscam algum tipo de renovação do ideário formal. 

Pavilhão do Brasil / Studio Arthur Casas + Atelier Marko Brajovic. Imagem: © Filippo PoliEscola de Ensino Médio SESC Barra / Indio da Costa Arquitetura. Imagem: © Pedro KokTribunal Regional do Trabalho / Corsi Hirano Arquitetos + R. Nishimura. Imagem: © Nelson KonNASP- Sede Natura São Paulo / Dal Pian Arquitetos Associados. Imagem: © Nelson Kon+ 14

Casas brasileiras: 20 residências com pé-direito duplo

Casa MLA / Jacobsen Arquitetura. Imagem: © Leonardo Finotti
Casa MLA / Jacobsen Arquitetura. Imagem: © Leonardo Finotti

Projetos residenciais de casas podem ser campos de experimentação de formas, materiais, técnicas construtivas ou organizações espaciais. Um desses recursos é o pé-direito duplo, isto é, situações nas quais a distância livre entre o piso e o teto equivale a cerca do dobro de um pé-direito padrão (considerado entre 2,50 e 2,70 m). Os grandes espaços formados nessa condição são um prato cheio para se aproveitar de entradas de luz e ventilação naturais, além de estabelecer relações verticais mais interessantes. 

Casa NK / Rua 141 + ZALC Arquitetura. Imagem: © Fran Parente Casa da Preguiça / Nautilo Arquitetura & Gerenciamento. Imagem: © Alessandro GuimarãesCasa Cajás / Aguirre Arquitetura. Imagem: © Israel GollinoCasa Guará / Nommo Arquitetos. Imagem: © Eduardo Macarios+ 21

Casas brasileiras: 15 escadas que roubam a cena

Casa Ilhas / Arquitetura Nacional. Imagem: © Cristiano Bauce
Casa Ilhas / Arquitetura Nacional. Imagem: © Cristiano Bauce

Algumas obras consagradas da arquitetura são reconhecidas por seus detalhes ou por elementos específicos pensados com tamanho cuidado e inventividade que passam a ser a referência imediata que vem à cabeça quando pensamos nestes projetos.

Um desses elementos que frequentemente se torna protagonista nas propostas é a escada, que presente em alguns clássicos, como o Solar do Unhão de Lina Bo Bardi, com sua escada de madeira singular que organiza todo o espaço livre e faz da estrutura sua medida, ou, ainda, a icônica escada helicoidal do Palácio do Itamaraty desenhada por Oscar Niemeyer com as curvas precisas que caracterizam sua obra.

Casa EP / Studio Otto Felix. Imagem: © Denilson Machado - MCA EstúdioCasa das duas vigas / Yuri Vital. Imagem: © Nelson KonCasa em Joinville / UNA Arquitetos. Imagem: © Bebete ViégasCasa Grid / BLOCO Arquitetos. Imagem: © Haruo Mikami+ 16

Interiores brasileiros: 19 projetos de arquitetura com tijolo aparente

Manter os materiais em sua forma natural e aparentes nos projetos parece uma estratégia cada vez mais disseminada na prática da arquitetura contemporânea. Herdada das formulações modernas, a ideia de manter em vista os elementos que constituem as construções, além de estabelecer uma relação franca entre o usuário e o espaço construído, diversifica a paleta material das obras e pode ser uma ferramenta muito importante no momento de pensar as composições de interiores. O tijolo talvez seja o material mais aplicado nesse contexto: hoje em dia, fala-se em "revestimento" de tijolo à vista, o que leva a noção da exposição dos materiais para um outro lugar, o do ornamento, sendo reproduzido inclusive como papel de parede ou peças exclusivamente de acabamento.

Casa BLM / ATRIA Arquitetos. Imagem: © Haruo MikamiCasa dos Pórticos / BLOCO Arquitetos. Imagem: © Haruo MikamiApartamento Antônio Bicudo / Vão. Imagem: © Rafaela NettoResidência Nivaldo Borges / João Filgueiras Lima. Imagem: © Joana França+ 20

Interiores brasileiros: 11 projetos com detalhes coloridos

Casa Ubatuba / Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados. Imagem: © Pedro Vannucchi
Casa Ubatuba / Königsberger Vannucchi Arquitetos Associados. Imagem: © Pedro Vannucchi

A concepção de projetos residenciais lida a todo momento com pensar as formas de qualificar o cotidiano daqueles que ocuparão os espaços projetados diariamente. A ideia de subverter radicalmente o programa habitacional tem como limite justamente o contato com a vida do dia a dia, com as atividades e dinâmicas práticas domésticas e com um caráter de grande permanência dos usuários, o que faz com que a inovação e criatividade nesses casos estejam, em geral, materializadas em detalhes, articulações entre cômodos, pontos de interesse, mobiliários e formas de pensar o desenho dos interiores de forma agradável e adequada aos moradores.

Uma das formas de criar pontos de supresa e de quebra da monotonia de um conjunto padrão do programa residencial é o uso de cores de forma estratégica e pontual em ambientes internos. Associar elementos arquitetônicos como vigas, pilares, pisos, lareiras, painéis, armários a tons contrastantes entre si estabelece uma nova leitura para antigos componentes e pode mudar a percepção dos ambientes internos de forma inovadora. Reunimos a seguir uma seleção de projetos brasileiros que exploram o uso desse recurso em suas propostas para interiores.

Casa de Vila Campo Belo / DT Estúdio. Imagem: © Carolina Ribeiro / Revoada EstúdioFiandeiras 75 / Motirõ Arquitetos. Imagem: Casa Guará / Nommo Arquitetos. Imagem: © Eduardo MacariosApartamento RA / Pascali Semerdjian Arquitetos. Imagem: © Ricardo Bassetti+ 12

Perdendo a escala: aeroportos vistos de cima

Aeroporto Jandakot, Austrália. Imagem de Nearmap. <a href='https://www.instagram.com/p/Bd1khcWFqIZ/'>Via Instagram</a>
Aeroporto Jandakot, Austrália. Imagem de Nearmap. Via Instagram

Em diversos momentos da história, a escala humana e a aproximação dos edifícios à dimensão sensível e vinculada ao corpo foram valores perseguidos pelos arquitetos e objeto de reflexão dentro da produção teórica do campo. Embora seja uma virtude que um espaço possa ser apreendido em uma relação direta entre pessoa e construção, existem situações, e mais do que isso, algumas escalas de projeto, que só podem ser percebidas a partir de um olhar mais distanciado. 

Uma breve história da fotografia de arquitetura

A partir dos primeiros experimentos realizados pelo francês Joseph Niépce em 1793, e de seu primeiro teste de maior sucesso em 1826, a fotografia tornou-se objeto de exploração e recurso de registro de momentos vividos e lugares do mundo. Dentro do amplo espectro da produção fotográfica ao longo da história, em vários casos a arquitetura desempenhou papel protagonista nos registros, seja pela perspectiva da fotografia enquanto arte, documento ou, como foi muitas vezes, instrumento de construção de cultural.

Com grande autonomia enquanto prática e debate particular dentro desse tema, a fotografia de arquitetura tem a capacidade de reiterar uma série de aspectos expressivos das obras retratadas, tensionar a relação das mesmas com seus entornos, propor leituras específicas ou genéricas dos edifícios, entre outras possibilidades de investigação.

Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Manhattan, 1936. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Presente anônimo. Sob termos de "Fair Use"Berenice Abbott. Spring and Varick Streets, Manhattan, 1935. © 2018 Berenice Abbott/Commerce Graphics. Crédito: MoMA. Presente de Board of Education, the City of New York. Sob termos de "Fair Use"Julius Shulman. Case Study House #22, 1960 (Architect: Pierre Koenig) © J. Paul Getty Trust. Usada com permissão. Julius Shulman Photography Archive, Research Library at the Getty Research Institute (2004.R.10). Cortesia de Barbican Art GalleryMichael Wesely. 7 August 2001--7 June 2004 The Museum of Modern Art, New York, 2001-04. © 2018 Artists Rights Society (ARS), New York/VG Bild-Kunst, Bonn. Crédito: MoMA. Comprado. Sob termos de "Fair Use"+ 23

Todos os pavilhões brasileiros que já participaram das Exposições Internacionais

As Exposições Internacionais têm sua origem no século XIX, quando em Londres (1851), sob o título de Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações, reuniu-se um conjunto de produtos manufaturados de diversas nações em um esforço de servir de vitrine para os avanços da técnica e, mais tarde, da indústria, em um momento de conjunção e compartilhamento das iniciativas das várias partes do mundo.

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1958 em Bruxelas. Cortesia de Bernardes ArquiteturaPavilhão Brasileiro da Exposição de 1939 em Nova Iorque. Cortesia de Carlos Eduardo Comas, via revista ArqTexto n.16Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1970 em Osaka. Cortesia de Ruth Verde Zein Expo Dubai 2020: Pavilhão Brasileiro 1º lugar. Image via Site oficial Concurso Público Nacional de Arquitetura e Expografia Pavilhão do Brasil na Expo Dubai 2020+ 17

A importância do corte na representação e prática arquitetônica

A compreensão da arquitetura enquanto campo trata, entre outras coisas, de sua linguagem e representação como síntese de uma série de esforços variados - qualidades construtivas, compositivas, espaciais e técnicas - que se articulam para culminar na obra construída. Para tanto, pensar na representação gráfica que pressupõem todos esses esforços é essencial, uma vez que ela representa, simultaneamente, procedimento e produto do fazer arquitetônico.

12 Projetos brasileiros que celebram o espaço da democracia

Nos últimos anos, vários movimentos Brasil afora e em diversos países fizeram grande serviço à sociedade reiterando a necessidade de ocupar os espaços públicos das cidades de forma a reivindicar qualidade e liberdade de uso para os bens coletivos. Como exemplo, temos no Brasil o Movimento Ocupe Estelita no Recife que, por meio de uma luta frente à crescente especulação imobiliária na região, confrontou as intenções mercadológicas do desenho urbano agressivo nas margens do Capibaribe. Foi a partir de alguns casos como esse que, em entrevista à organização Fora, o professor, crítico e curador Guilherme Wisnik tratou da questão do espaço público enquanto espaço de conflito.

Praça das Artes. © Nelson KonSesc Pompeia. © Pedro KokVista do Mutirão Paulo Freire. Image Cortesia de USINA CTAHSesc 24 de Maio. © Flagrante / Romullo Fontenelle+ 13

Entendendo a planta moderna através de 10 residências icônicas

Os "cinco pontos da nova arquitetura" de Le Corbusier funcionaram no século XX como o grande norte da produção arquitetônica em diversos países e são fundamentais para a compreensão do que foi o legado moderno nesse campo. Janelas em fita, fachada livre, pilotis, terraço jardim e, talvez o ponto mais expressivo, o conceito de planta livre, constituem o manifesto do arquiteto franco-suíço. Em termos de prática projetual, este último ponto significa distinguir estrutura e envoltória, permitindo a livre disposição de paredes divisórias que deixam, então, de cumprir uma função estrutural.