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Precisamos pensar em arquiteturas flutuantes?

Precisamos pensar em arquiteturas flutuantes?
Precisamos pensar em arquiteturas flutuantes?, © NLÉ architects. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects
© NLÉ architects. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects

Muito se fala sobre os avanços arquitetônicos nos quesitos social, político, técnico-construtivo e ambiental. Contudo, nos mais variados discursos e ocasiões, a estaticidade sempre assumida pela Arquitetura ainda é pouco comentada. Quando falamos sobre o tema imediatamente imaginamos “corpos” pesados e estáticos. A humanidade historicamente desenvolveu-se trabalhando em conjunto com a natureza, através da observação, adaptação e o respeito a ela. E esse fator é mais latente quando pensamos na água, que cobre aproximadamente 71 por cento da superfície do planeta. 

Com mais da metade da área do planeta recoberta por corpos hídricos e milhares de pessoas vivendo em suas proximidades ou zonas afetadas por catástrofes ambientais, pensar sistemas capazes a adaptar-se, por meio de arquiteturas flutuantes, pode ser imprescindível para o futuro no campo da arquitetura.

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© lubasi via Flickr Licença CC BY-SA 2.0

Na floresta amazônica – maior bacia hidrográfica do mundo, há quem viva parcialmente em embarcações, transitando de modo nômade, em virtude dos períodos de cheia dos rios nas diferentes épocas do ano. E com o intuito de transitar junto às residências flutuantes, a sabedoria popular desenvolveu as casas em palafitas – esbeltas estruturas de madeira sustentando as habitações elevadas ao nível d’água. Ainda assim, geralmente os atendimentos médicos e escolas, por exemplo, localizam-se a quilômetros de distância, forçando diariamente longos deslocamentos pelos corpos d’água.

Nos aglomerados urbanos, as camadas sociais mais baixas geralmente acabam por ocupar áreas vulneráveis ambientalmente, suscetíveis a inundações e deslizamentos, sofrendo em épocas de chuva. Em 2011, o terremoto e tsunami de Sendai destruíram extensa área no Japão e áreas adjacentes. Por conta da força da natureza, o papel da tecnologia ainda resume-se a mitigar os danos causados por esses eventos.

Na década de 1970, o instigante grupo Archigram  foi responsável pelo projeto The Walking City, uma cidade andante, adaptável, construída sobre imensos contêineres, em estrutura metálica e pernas móveis, com a finalidade de deslocar-se livremente pelo solo ou água. Se a arquitetura utópica, num sistema híbrido entre submarino e nave espacial, provocou reflexões sobre o futuro da arquitetura, hoje, analisando o contexto geográfico conjuntamente aos problemas sociais a exemplo de lugares carentes às condições básicas, podemos entendê-la como um embrião de arquiteturas capazes de adaptarem-se aos diferentes territórios, de modo menos ostensivo.

© Deutsches Architekturmuseum. ImageArchigram, The Walking City (Projeto 1964)
© Deutsches Architekturmuseum. ImageArchigram, The Walking City (Projeto 1964)

Podemos pensar a dinâmica dessas arquiteturas flutuantes e seu papel como importante agente no fomento de qualidade de vida aos povos menos abastados ou vítimas de catástrofes ambientais. Para além de residências, elas podem responder a problemas imediatos como espaços dedicados aos programas educacionais, culturais e ligados à saúde e infraestruturas diversas, levando em consideração o esgotamento sanitário, o tratamento da água  e ainda adaptando-se às variações da maré e aumento no nível d’água.

Nos últimos anos, o arquiteto Marko Brajovic, radicado no Brasil, tem estudado o processo e conceitos da natureza como solução de problemas, pela visão da Biomimética. Para ele, a natureza é como um designer de 3.8 bilhões de anos de experiência, capaz de responder inúmeros problemas técnicos, fornecendo dados para a instrumentalização da tecnologia. No processo de seu ateliê, a arquitetura, não pensada como formato, mas como processo, é dividida em três diferentes linhas de pesquisa: Biomimética, Fenomenologia e Comportamentos da natureza. Diante do caráter híbrido e diversidade dos ensaios projetuais, tem estudado as água como importante meio às arquiteturas flutuantes. Conjuntamente a Nacho Marti, mestre em Ciências em Tecnologias Emergentes e Design na Architectural Association School of Architecture de Londres, tem promovido workshops na Amazônia buscando o encontro entre diferentes estudantes e pesquisadores, a fim de encontrar soluções à aplicação destas arquiteturas.

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© lubasi via Flickr Licença CC BY-SA 2.0
Cortesia de AA VISITING SCHOOL AMAZONAS. ImageMaquetes realizadas pelos estudantes no workshop pela Amazônia
Cortesia de AA VISITING SCHOOL AMAZONAS. ImageMaquetes realizadas pelos estudantes no workshop pela Amazônia

Carlo Ratti, arquiteto, professor e pesquisador do MIT (Massachusetts Institute of Technology), recentemente, propôs uma praça flutuante centrada na Lagoa Lake Worth. Livre de estruturas fixas será construída sobre câmaras de ar, equilibrando-se diante da concentração e controle do mesmo. A proposta não é a primeira utilizando o sistema, anteriormente o professor propôs uma academia flutuante sobre o rio Sena, em Paris, intitulado Paris Navigating Gym.

Os projetos do arquiteto nigeriano Kunlé Adeyemi, também merecem destaque. Á frente do escritório NLÉ Architects, o ex-discípulo de Koolhaas têm apresentado estudos e projetos cada vez mais solidificados na tentativa de resolução aos problemas sociais intrínsecos regionais. O caso da Escola Flutuante de Makoko, em Lagos, vislumbrou uma arquitetura vernacular, capaz de atender uma série de alunos da comunidade.

© NLÉ architects. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects
© NLÉ architects. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects
© Iwan Baan. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects
© Iwan Baan. ImageEscola Flutuante em Makoko / NLÉ Architects

Abordamos o tema em resposta aos obstáculos que ainda regem a arquitetura quando amparada às problemáticas ambientais e, sobretudo, sociais. Se há progresso em técnicas construtivas, tecnologias e novos materiais, ainda há defasagem e escassez nos estudos e ideias conceituais. Cabe aos estudantes, arquitetos e pesquisadores, refletirmos e buscarmos soluções passíveis de implantação.

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Sobre este autor
Matheus Pereira
Autor
Cita: Matheus Pereira. "Precisamos pensar em arquiteturas flutuantes?" 19 Out 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/881274/precisamos-pensar-em-arquiteturas-flutuantes> ISSN 0719-8906