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O que impede os planejadores urbanos de criarem novos bairros caminháveis?

  • 07:00 - 6 Setembro, 2017
  • por
  • Traduzido por Lis Moreira Cavalcante
O que impede os planejadores urbanos de criarem novos bairros caminháveis?
Uma rua caminhável em Washington, DC. Imagem © <a href='https://www.flickr.com/photos/dewita-soeharjono/4558849693'>Usuário Flickr dewita-soeharjono</a> licença <a href='https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/'>CC BY 2.0</a>
Uma rua caminhável em Washington, DC. Imagem © Usuário Flickr dewita-soeharjono licença CC BY 2.0

Este artigo foi originalmente publicado por Common Edge como "Por que Não Conseguimos Criar Comunidades Caminháveis Completamente Novas?"

Eu vivi por 40 anos em bairros onde você pode caminhar até uma loja, um cinema, um restaurante, inclusive nos meus tempos de faculdade. Eu cresci em uma casa de fazenda com rua interna de acesso à garagem, mas na vida adulta estive sempre em partes caminháveis das cidades.

Outros também redescobriram as alegrias e os benefícios dos lugares caminháveis. Primeiro apenas algumas pessoas, depois uma onda delas. Embora em números totais ainda pode ser um gosto de uma minoria, é um desejo que agora está na moda, anunciado em filmes e programas de TV. Menos pessoas hoje aspiram viver numa casa grande com garagem para três carros.

Philip Langdon escreveu um livro, "Within Walking Distance: Creating Livable Communities For All" [Dentro de uma Distância Caminhável: Criando Comunidades Caminháveis Para Todos - tradução livre] (Island Press 2017), que aborda essa tendência e aponta algumas questões sobre as escolhas envolvidas.Porque existem escolhas. Enquanto de forma geral o urbanismo está voltando, no nível da rua, é alguém que decide se serão estabelecidas pequenas lojas locais ou franquias, ciclovias ou vagas de estacionamento, pequenos empresários ou corporações milionárias.

O livro de Langdon, assim como um novo do urbanista Richard Florida, The New Urban Crisis [A Nova Crise Urbana - tradução livre], falam de forma convincente sobre as mudanças pelas quais as cidades e bairros americanos estão passando. Os dois livros se sobrepõem, de forma reveladora e preocupante.

via Common Edge
via Common Edge

Mas primeiro vamos olhar para Within Walking Distance. Como você pode imaginar, Langdon é fã de mudanças e construção. Nesse sentido, ele é semelhante a Roberta Gratz, autora de The Living City e de outros livros, que louvam o urbanismo de baixo para cima. Langdon examina seis distritos ou bairros que superaram a decadência ou surgiram do nada, por assim dizer. São eles: Northern Liberties, um bairro na Filadélfia; Little Village, uma porção mexicano-americana de Chicago; East Rock, em New Haven; Brattleboro, em Vermont; The Pearl District em Portland; e o Cotton District em Starkville, no Mississippi.

As histórias são importantes, porque nos ajudam a ver que nada é predeterminado. Embora tenha havido uma revitalização urbana geral, indivíduos e grupos fazem escolhas que determinam o sucesso e a saúde de uma área. Um indivíduo pode detectar uma casa abandonada ou uma loja de esquina, renová-la e alavancar um bairro. Em Northern Liberties, uma propriedade industrial abandonada gerou um movimento bem sucedido no bairro para transformá-la em um parque, o que. ao mesmo tempo, aproximou as pessoas.

"Eu acabei apreciando bastante as associações de bairro, os grupos de comerciantes locais, os distritos que visavam melhorias nos negócios, as organizações de voluntários e, sobretudo, os indivíduos com pensamento cívico, incluindo artistas, arquitetos, empresários, proprietários e inquilinos", escreve Langdon.

A área mais incomum que Langdon examina é o chamado Cotton District, em Starkville, no Mississippi. Lá, Dan Camp, um empresário apaixonado pela arquitetura tradicional, tem construído há décadas casas e edifícios de apartamentos com colunas, lintéis, cornijas e vários outros elementos clássicos. E Camps não está apenas equipando seus edifícios com esses atributos, ele também treinou equipes para criar essas peças e possui habilidades bem específicas, como instalar uma janela do jeito antigo. Isso não faz sentido pela perspectiva comercial, e é por isso que é um caso interessante. Você nunca veria isso numa ementa de uma escola de negócios. Mas Camps, um empresário que visa obter lucros, ganhou dinheiro e construiu uma reputação, tanto para ele quanto para sua cidade. A cidade agora faz propaganda do Cotton District como algo que torna Starkville especial. No entanto, isso não é dizer que é uma estratégia excelente. Pelo menos julgando pelas fotos no livro de Langdon, os edifícios do Camp parecem mais estranhos - os edifícios parecem um pouco fora de proporção - que pitorescos ou bem elaborados. Ainda assim, é inegavelmente interessante.

Mas o Cotton District é uma exceção no livro de Langdon, pois surgiu basicamente do nada. Todos os outros lugares que Langdon descreve referem-se à renovação e à reabilitação, numa espécie de ato de preservação histórica, e não a algo novo.

Isso entra em um aspecto que me interessou e me deixou perplexo: parece que é impossível criar um novo lugar caminhável. Como aponto nesta coluna que escrevi no ano passado, não consigo destacar nenhum bairro ou distrito que funcione como um ambiente completamente caminhável ou próximo disso, que não seja localidade existente/antiga. Parecemos capazes de restaurar lugares para os tornarem caminháveis, mas não construí-los do zero.

Eu tentei descobrir por que a caminhabilidade escapa das mentes mesmo dos nossos melhores planejadores e empresários. E não encontrei respostas claras. O que alguns empresários e arquitetos me disseram é que, mesmo em novos distritos criados com bastante transporte coletivo, com uma linha de metrô por baixo, os esforços rotineiros e habituais para garantir a atividade do automóvel individual e estacionamentos acabam ou, pelo menos, diluem o urbanismo até o ponto de ser prejudicado.

De certa forma, o livro de Langdon é uma admissão de derrota, porque, com exceção do Cotton District, que de fato não parece tão caminhável, todos os lugares apontados são lugares requalificados e não novos. No entanto, Langdon trabalhou durante anos como editor sênior da The New Urban News, cujo papel principal era a promoção de lugares que aplicavam o Novo Urbanismo, como a famosa Seaside e Orenco Station, fora de Portland. O fato de Langdon não mencionar nenhum desses lugares, exceto de passagem, para mim, diz alguma coisa. Langdon apenas chega perto de comentar em sua Introdução, onde ele diz que, após a crise da habitação de 2007 a 2008, "ficou claro que as comunidades caminháveis que os americanos estavam mais interessados eram (...) os bairros mais antigos, os centros das cidades, as zonas previamente industriais, e os subúrbios compactos de primeira linha."

E onde estão essas comunidades caminháveis nas quais os americanos estão interessados? Se ampliarmos a lente ainda mais, vemos que a maioria delas, as prósperas que Langdon examina, são parte ou estão próximas das metrópoles ricas, as cidades de classe mundial globais que surgiram ao longo da última geração. E é aqui que começamos a sobrepor essa discussão ao novo livro de Florida, cujo título completo é tão comprido que chega a ser angustiante, mas é muito revelador: The New Urban Crisis: How Our Cities Are Increasing Inequality, Deepening Segregation, and Failing The Middle Class - And What We Can Do About It [A Nova Crise Urbana: Como Nossas Cidades Estão Aumentando a Desigualdade, Aprofundando a Segregação e Falhando Com a Classe Média - E o Que Podemos Fazer Sobre isso - tradução livre]. É curioso que tenha as palavras "New Urban", pois Florida aborda a ideia de uma maneira muito diferente.

via Common Edge
via Common Edge

Florida, que se consolidou como promotor de cidades e da ideia da "Classe Criativa" enraizada nelas, concorda com Langdon que a vida na cidade voltou. Mas ele então aponta quesão apenas as super cidades globais que estão sendo revitalizadas, e estão fazendo isso de mãos dadas com a riqueza e com a desigualdade de renda. A revitalização mais ampla das cidades, infelizmente, não faz parte dessa tendência; está, na verdade, ajudando a causar isso, pois as indústrias que criam riquezas, como as de tecnologia, prosperam também com o contato entre as pessoas, portanto estão se mudando para ambientes mais caminháveis.

Em resposta a isso, os cidadãos comuns,os não caminhantes, por assim dizer, estão se rebelando. Florida fala de se mudar para Toronto em 2007, a terra do bonde e da lendária urbanista Jane Jacobs, apenas para ver Rob Ford eleito prefeito, que fez campanha para eliminar as ciclovias e promover o uso do carro. Foram os suburbanos que o elegeram, aqueles que se sentiram excluídos da visão das "ruas completas" das elites do centro da cidade.

Algo semelhante aconteceu em nível nacional com a eleição de Donald Trump, Florida, diz. Isso também foi uma rebelião dos habitantes dos subúrbios. Estas são as pessoas deixadas de fora dos contos urbanos de fadas retratados em programas como Girls, da HBO, entre outros.

O que Langdon não diz, e talvez não veja, é que a maioria dos lugares que ele retrata, embora ocupados por pessoas que trabalham muito, são em sua maioria apêndices das grandes cidades globais que encontraram uma maneira de conseguir isso nessa nova era de riqueza global e desigualdade de renda. Eles são broches na lapela nas jaquetas de alguns caras muito ricos.

Assim, enquanto aqueles que cultivam jardins em Northern Liberties podem parecer humildes, eles existem porque a grande Filadélfia conseguiu criar um papel para si mesma, principalmente através da educação superior e da saúde, os chamados "eds and meds" e sua proximidade com a Cidade de Nova Iorque (o local é descrito por ex-moradores do Brooklyn como o "6º borough").

Pode ser um exagero dizer que apenas as cidades ricas e desiguais voltaram, e Florida realmente exagera um pouco. Mas não muito. Embora existam cidades mais humildes que voltaram a prosperar - lembro-me da minha cidade natal, Norfolk - há dezenas de outras cidades altamente caminhavéis que estão abandonadas ou semi-abandonadas. Elas vão desde as quadras altamente divulgadas de Baltimore, a anônimas cidades pequenas espalhadas por todas as partes dos Estados Unidos.

Então o que fazer? Em primeiro lugar, a revitalização urbana é uma coisa boa, mesmo que venha acompanhada de desigualdade. Mas devemos abordar essa desigualdade pelos meios mais diretos. Isso significa impostos mais elevados sobre os mais ricos e melhores e mais completos benefícios sociais, como saúde, planos de pensão, licenças maternidade e paternidade e férias. Isso significa abordar, não através de ajustes nos projetos de nossas ruas e nas normas de afastamento, mas com a forma como alocamos empregos e rendas. Ajustar as regras do jogo.

Se atacarmos isso, temos a chance de produzir uma mistura mais uniforme de urbanismo, que se espalha de pequenas cidades e cidades do meio-oeste, às metrópoles costeiras famosas que tanto ouvimos. E não há motivo para que esses lugares não possam ser caminháveis.

Alex Marshall é o autor de "The Surprising Design of Market Economies e Under the Metropolis: The Secret Lives of Cities". Ele é um membro sênior da Regional Plan Association, o órgão de planejamento urbano sem fins lucrativos em Nova York.

Sobre este autor
Alex Marshall
Autor
Cita: Marshall, Alex. "O que impede os planejadores urbanos de criarem novos bairros caminháveis?" [What's Stopping Urban Designers From Creating Walkable Neighborhoods From Scratch?] 06 Set 2017. ArchDaily Brasil. (Trad. Moreira Cavalcante, Lis) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878945/o-que-impede-os-planejadores-urbanos-de-criarem-novos-bairros-caminhaveis> ISSN 0719-8906