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Baubotanik: Um sistema construtivo inspirado na botânica que cria estruturas vivas

Baubotanik: Um sistema construtivo inspirado na botânica que cria estruturas vivas
Baubotanik: Um sistema construtivo inspirado na botânica que cria estruturas vivas, Ponte de salgueiro no verão de 2012. Imagem © Ferdinand Ludwig
Ponte de salgueiro no verão de 2012. Imagem © Ferdinand Ludwig

Edifícios de madeira são regularmente celebradas por seu aspecto sustentável, pois o dióxido de carbono retirado da atmosfera pelas árvores permanece retido na estrutura do edifício. Mas e se pudéssemos fazer melhor, projetar edifícios que não só retém o carbono, mas ativamente absorvem dióxido de carbono para reforçar a sua estrutura? Neste artigo, originalmente publicado pela Federação Internacional de Arquitetos Paisagistas como "Baubotanik: Botanically Inspired Biodesign", Ansel Oommen explora a teoria e técnicas de Baubotanik, um sistema de construção com árvores vivas que busca alcançar exatamente isso.

As árvores são as guardiãs altas e tranquilas de nossa narrativa humana. Elas passam a vida inteira respirando para o planeta, sustentando vários ecossistemas, ao mesmo tempo que asseguram serviços essenciais na forma de alimento, abrigo e medicamentos. Seus ramos resilientes elevam tanto o céu como nossos espíritos. Sua grandeza refletida no velho musgo é um testamento da mudança dos anos e séculos, tanto que imaginar um mundo sem árvores é como imaginar um mundo sem vida.

Para continuar existindo, então, a humanidade não só deve coexistir com a natureza, mas também ser o seu benfeitor ativo. Na Alemanha, esta aliança é encontrada através da Baubotanik, ou Construções com Plantas Vivas Construções. Criado pelo arquiteto Dr. Ferdinand Ludwig, a prática foi inspirada na antiga arte da arborescultura.

Torre salgueiro após concluída. Imagem © Ferdinand Ludwig Detalhe de conexão. Imagem © Ferdinand Ludwig Campo de testes de inoculações. Imagem © foto chira moro Plane cube. Imagem © Ludwig.Schönle + 8

"Entrei em contato com alguns exemplos históricos de arquitetura viva enquanto estava estudando [na Universidade de Stuttgart] e fiquei fascinado desde o primeiro momento", explicou. "A proposta é uma nova maneira de integrar árvores em projetos arquitetônicos e urbanos."

Como o nome sugere, quando moldadas através de uma série de processos que envolvem poda, flexão, enxertia, e tecelagem, as árvores podem se tornar extraordinárias obras de inovação. Os primeiros exemplos de pontes de raiz viva em Meghalaya, Índia, e as cercas entrançadas da Europa medieval revelam seu valor agregado ao ambiente construído.

Apesar da intervenção humana, este processo também pode ocorrer na natureza quando troncos, ramos ou raízes próximos lentamente fundam junto. Conhecido como “inoculação”, ou enxertia, isto pode ocorrer dentro de uma única árvore ou árvores vizinhas de espécies iguais ou diferentes. Ao longo do tempo, conforme os ramos crescem, eles exercem uma pressão crescente sobre a outra, semelhante ao atrito entre duas mãos friccionadas. Isso faz com que a casca exterior se solte, expondo o tecido interno e permitindo que a vasculatura de ambas as árvores se mesclem, essencialmente unindo suas seivas.

Série de cortes com inoculações. Imagem © Ferdinand Ludwig
Série de cortes com inoculações. Imagem © Ferdinand Ludwig

A Baubotanik de Ludwig, no entanto, vai um passo além. Por incorporar um componente vegetal para andaimes de metal e outros materiais de construção, um edifício vivo é formado. Ao longo do tempo, conforme as árvores envelhecem, suas articulações fundidas continuam a se fortalecer, suportando ainda mais carga. Com efeito, a capacidade das árvores em crescimento de incorporar materiais estranhos, como metal e plástico, destaca o potencial das estruturas Baubotanikal em desenho urbano.

Detalhe de conexão. Imagem © Ferdinand Ludwig
Detalhe de conexão. Imagem © Ferdinand Ludwig

Infelizmente, não são todas as espécies de árvores que são adequadas para investida criativa. As opções ideais devem ser flexíveis e vigorosas, com cascas finas que podem ser facilmente enxertadas, como o salgueiro (Salix), o sicômoro / plátano (Platanus), o álamo (Populus), o vidoeiro (betulus), e o choupo-branco (Carpinus).

Ludwig elaborou: "Para o meu doutorado, testei cerca de 10 espécies diferentes em relação à sua capacidade de união. O plátano, o choupo-branco e a faia se uniram muito bem e rápido devido à sua casca fina e escamosa. Aquelas com uma casca grossa causaram mais problemas quando unidas."

Surpreendentemente, uma das escolhas mais promissoras não obteve tanto sucesso. "No início, usamos vários salgueiros devido ao crescimento rápido [e facilidade de propagação] depois de serem cortados. Porém, não os usamos mais, pois eles não duram muito tempo e os pontos de conexão entre a planta e os elementos técnicos tendem a apodrecer."

Mesmo assim, suas primeiras tentativas para uma torre salgueiro de três andares, uma passarela de salgueiro-vime, e uma estação de observação de pássaro de salgueiro-prata ainda estão de pé, mas não sem alguns desafios.

Ponte de salgueiro no verão de 2012. Imagem © Ferdinand Ludwig
Ponte de salgueiro no verão de 2012. Imagem © Ferdinand Ludwig

Seis anos após o início da torre salgueiro, Ludwig observou: “Fortes tempestades de granizo, geada, infecções fúngicas, e problemas com a qualidade da água, todas impactaram nossas previsões de crescimento [pelo quarto ano], que ficou para trás das expectativas – um exemplo típico da influência de fatores não previsíveis."

Felizmente, Ludwig e sua equipe de colaboradores foram capazes de resolver estes problemas através do replantio seletivo e adaptações técnicas. Como resultado, desenvolveram um sistema para cortar e replantar certas árvores sem afetar a vitalidade geral da estrutura. Este sistema de redundância permite uma perda de até 30% das árvores sem qualquer efeito adverso, mas torna-se mais difíceis de manter conforme o envelhecimento da estrutura.

Torre salgueiro após concluída. Imagem © Ferdinand Ludwig
Torre salgueiro após concluída. Imagem © Ferdinand Ludwig

O Plane-Tree-Cube, maior edifício baubotanikal já construído, incorpora plátanos e foi aberto ao público durante Landesgartenschau 2012, um show hortícola regional, em Nagold, Alemanha. Uma atração popular, recebeu o "Prêmio Especial de Inovação" em Holzbaupreis Baden-Württemberg, um concurso que avaliou edifícios originais feitos de madeira.

Plane cube. Imagem © Ludwig.Schönle
Plane cube. Imagem © Ludwig.Schönle

Pioneiro, o sistema também recebeu prêmios "Deutschland, Land der Ideen" (Alemanha: Terra das Ideias), Übermorgenmacher (Criando o dia depois de amanhã), e Archiprix International, um concurso de design urbano e paisagismo.

Ludwig, agora professor assistente na Universidade de Stuttgart, viu sua influência crescer. Ano passado, atuou como mentor e líder do projeto para a Universidade de Alghero, na Sardenha / Itália. Organizando várias oficinas de design e construção para a LandWorks, compartilhou seus conhecimentos projeto processual com estudantes de todo o mundo através de uma abordagem prática.

Em relação aos planos e objetivos futuros, respondeu: "Nós desenvolvemos soluções que se adaptam às alterações climáticas em Stuttgart usando o potencial de Baubotanik. Isso parece muito interessante e urgente e esperamos que possamos contribuir para este tema no futuro." 

Campo de testes de inoculações. Imagem © foto chira moro
Campo de testes de inoculações. Imagem © foto chira moro

O valor de Baubotanik não deve ser perdido no mundo de hoje cada vez mais urbano. Ao contrário de suas homólogas feitas de madeira morta, a arquitetura viva continua a combater a erosão do solo, ao mesmo tempo que produz oxigênio, alimento, abrigo e habitação. As árvores podem reduzir escoamento de águas pluviais e melhorar a qualidade da água com suas raízes. Além disso, eles podem até mesmo reduzir os custos de energia, devido à sua sombra refrescante. Ao reduzir essa demanda de energia, elas, por sua vez, reduzem as emissões de gases de efeito de estufa.

Parte integrante do ecossistema, as árvores também convertem dióxido de carbono, um dos principais gases de efeito estufa, em biomassa, mitigando, assim, as alterações climáticas. Mas apesar de todos esses benefícios, as árvores são ainda seres vivos e devem ser tratadas como tal pelo biodesign. Dr. Ferdinand Ludwig credita seu sucesso ao fato de ser atento a um principio chave - elaborar regras de design que são derivadas de regras botânicas de crescimento.

Detalhe. Imagem © Ferdinand Ludwig
Detalhe. Imagem © Ferdinand Ludwig

"Se você não respeita as regras de crescimento em seu design, a estrutura da planta não vai crescer como você quer e pode até morrer."

Apenas trabalhando em conjunto com a natureza, apenas cultivando uma paixão pelo futuro de nosso mundo e de nosso ambiente, podemos realmente avançar para um futuro mais sustentável e equilibrado.

Cita: Oommen, Ansel. "Baubotanik: Um sistema construtivo inspirado na botânica que cria estruturas vivas" [Baubotanik: The Botanically Inspired Design System that Creates Living Buildings] 22 Nov 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/777514/baubotanik-um-sistema-construtivo-inspirado-na-botanica-que-cria-estruturas-vivas> ISSN 0719-8906
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