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A ascensão do "Ruin Porn"

A ascensão do "Ruin Porn"
A ascensão do "Ruin Porn", Ruínas Históricas do Moinho no Centro de Minneapolis. Imagem Cortesia deFlickr CC License / Joey Lax-Salinas
Ruínas Históricas do Moinho no Centro de Minneapolis. Imagem Cortesia deFlickr CC License / Joey Lax-Salinas

Ultimamente os arquitetos têm compartilhado uma fascinação crescente por ruínas. À medida que as tecnologias para imaginar os edifícios do futuro se tornaram mais precisas - nos permitindo não apenas caminhar por eles, sobrevoá-los e dissecar suas paredes, mas também calcular as quantidades exatas de materiais, capacidades estruturais e custos - nossa fascinação por ruínas, um processo governado por leis da natureza e do tempo, espacialmente imprevisível e raramente uniforme, também tem se tornado mais popular.

A ascensão do "Ruin Porn", Ruínas Históricas do Moinho no Centro de Minneapolis. Imagem Cortesia deFlickr CC License / Joey Lax-Salinas
Ruínas Históricas do Moinho no Centro de Minneapolis. Imagem Cortesia deFlickr CC License / Joey Lax-Salinas

Blogs como Ruin Porn, Abandoned America e Architecture of Doom se apoiam num sub-gênero recente da fotografia, identificado como "ruins photography" ou "ruin porn" ("pornografia de ruínas", numa tradução literal). Enquanto os edifícios podem entrar em decadência por muitos motivos, estas imagens tendem a focar no declínio urbano, especialmente de cidades como Detroit, Chicago e Berlim, que viveram uma onda de industrialização no século passado.

Gravura de Piranesi, Templo de Venere e Cupido em Roma. Imagem Cortesia de Wikimedia Commons
Gravura de Piranesi, Templo de Venere e Cupido em Roma. Imagem Cortesia de Wikimedia Commons

O interesse em documentar esses edifícios abandonados com suas estruturas desmoronando e atmosferas desoladas tem sido objeto de muitas discussões recentes. Apoiadores do ruin porn argumentariam que estes edifícios promovem o turismo, algumas vezes chamado de "turismo intelectual de desastres", em cidades como Nova Iorque e Rio De Janeiro e particularmente em Detroit, que presenciou um aumento de artistas visitantes. No entanto, alguns críticos do movimento acreditam que tornar estes edifícios dilapidados um fetiche dificulta o processo de restauração, enquanto outros dizem que romantizar essas ruínas é uma abordagem muito passiva em termos de despertar consciência e espírito de mudança. Em seu artigo Detroitism, John Patrick Leary escreve, “A fotografia de ruínas, em particular, tem sido criticada por seu sensacionalismo 'pornográfico'... E outros ainda reviram os olhos para toda a atenção positiva associada aos jovens 'criativos', em sua maioria brancos, que brilham as custas dos sérios problemas de infraestrutura das cidades e da diversidade de ideias para ajudar em consertá-las."¹ Certamente, fotógrafos como Julien Mauve, Andrew Moore e William Widmer criaram cativantes obras de arte. Para arquitetos, no entanto, estas não seriam oportunidades para fantasiar apenas sobre o que já foi, mas sobre o que realisticamente poderia ser?

Fábrica Packard em Detroit . Imagem © Flickr user George Thomas
Fábrica Packard em Detroit . Imagem © Flickr user George Thomas

A prática de documentar edifícios em ruínas em várias formas artísticas não é nova: gravuras de Giovanni Battista Piranesi de jardins do Período Romântico Inglês como Stowe e Stourhead e os croquis de viagem de Le Corbusier são testemunhos do fato de que arquitetos são, há muito tempo, inspirados pelo processo de ruína pelo qual todo edifício eventualmente passará. Para Piranesi, suas ruínas eram propaganda do poder de Roma Antiga, além de servirem como recordações de viagens, enquanto que para os românticos, as ruínas ajudavam a estabelecer as conexões arquitetônicas com a natureza e os processos naturais. Para arquitetos do século XX como Le Corbusier e Louis Kahn, por outro lado, estudar grandes ruínas do Egito, Grécia e Roma era uma maneira de compreender os atributos de arquitetura que passaram no teste do tempo, e as diferentes abordagens de organização e percepção do espaço. À luz desses movimentos, é fácil interpretar o movimento de Ruin Porn como uma continuação, até certo ponto, desta trajetória. Ao mesmo tempo, outras associações ligadas ao Ruin Porn fazem dessa recente fascinação uma questão singular e complexa para a arquitetura.

The Neues Museum, Berlim. Imagem Courtesy of Flickr CC License / stijn
The Neues Museum, Berlim. Imagem Courtesy of Flickr CC License / stijn

Se, como arquitetos, nosso interesse em ruínas urbanas modernas está atrelado às nossas avançadas capacidades tecnológicas em projetar edifícios, então, é igualmente possível que nossa capacidade sem precedentes de preservação e restauração tenha um papel na compreensão desse fenômeno. Na recente edição da revista Log 31, o editor convidado Bryony Roberts escreve: " Os campos da arquitetura e da preservação têm, há muito tempo, estado separados, se não antagônicos, porém, práticas mais recentes começam a fundir estes dois à medida que a preservação começa a ser reconhecida como um ato de projetar. A convergência de projeto e preservação abre um novo território para a experimentação arquitetônica, na qual estamos desenhando o passado e o presente simultaneamente."2 Projetos como o Neues Museum de David Chipperfield mostram o nível de sensibilidade que projetos contemporâneos podem trazer a restaurações, combinando um respeito pela estrutura original do edifício com a confiança de levá-lo para além da ruína, para o a esfera da arquitetura contemporânea. Da mesma forma, a reforma do Park Avenue Armory, de Herzog e de Meuron, evidencia como as mais avançadas tecnologias podem ser utilizadas para realizar minuciosas restaurações, mesmo nos detalhes mais diminutos, para preservar as camadas históricas de um edifício.

Restauração Park Avenue Armory. Imagem © James Ewing
Restauração Park Avenue Armory. Imagem © James Ewing

Nossa fascinação com o Ruin Porn é um fenômeno muito complexo para ser disseminado como uma obsessão mórbida com a decadência e a desolação. A caracterização quase didática de onde nossa civilização falhou no último século está encorporada no conceito de ruin porn, e este talvez seja uma fonte profunda de inquietação para arquitetos. Por outro lado está o desconforto causado pelo fato de estarmos tão intrigados com aquilo que não é arquitetura, que está além das nossas habilidades, quase como um médico maravilhado com um cadáver. No passado, a obsessão da arquitetura com a ruína foi uma reflexão sobre processos naturais e estudos de formas espaciais. Ruin Porn, enquanto abranger elementos que exprimam esses interesses do passado, também carrega uma perversidade que a torna única de nosso tempo. A decadência recente de edifícios como o Eastown Theatre de Detroir, quando comparado às Grandes Pirâmides ou o Coliseu de Roma, permite que estas estruturas declinem tanto para a decadência como para a preservação com uma facilidade tentadora. Podemos ver estas ruínas como ícones de organizações industriais e socioeconômicas falidas, monumentos de uma era passada de nossa história urbana, mas elas, ao mesmo tempo, apresentam oportunidades tentadoras para a preservação, recuperação e estratégias de renovação urbana. Certamente, o sucesso de projetos como o High Line em Nova Iorque e o Canary Wharf, em Londres, tornam essas fantasias ainda mais sedutoras.

Correlação não é causa, e assim como o real impacto das gravuras de Piranesi só se torna evidente em retrospectiva, só poderemos avaliar realmente a natureza da relação entre a ascensão do ruin porn e a crescente atenção dada à preservação após esses dois movimentos se definirem. Infelizmente, esta é a grande ambiguidade contida na influência que cada movimento pode ter no outro.

1 Leary, John Patrick, "Detroitism" in Guernica (http://www.guernicamag.com/features/leary_1_15_11/)

 2 Roberts, Bryony: “Beyond the Querelle” in Log 31: New Ancients, Spring 2014. New York: Anyone Corporation, P.16

Sobre este autor
Shayari De Silva
Autor
Cita: De Silva, Shayari. "A ascensão do "Ruin Porn"" [The Rise of Ruin Porn] 16 Ago 2014. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/625553/a-ascensao-do-ruin-porn> ISSN 0719-8906
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