
Parte da revisão e atualização da teoria arquitetônica recusa os binarismos vigentes tanto no senso comum quanto na esfera de ensino e transmissão de arquitetura. A oposição entre centro-periferia, a cidade “formal” e “informal”, o projeto como técnica e a construção como improviso são dualidades recorrentes na arquitetura, e possuem uma longa história de disputas. Apesar da hegemonia do norte-global em relação ao que deve ser a boa arquitetura, ou como se deve projetar, a realidade sempre se mostrou mais complexa, diversa e multidimensional.
No Brasil, uma das evidências disso é a favela. Fora a organização urbana — traçado e dimensão das ruas, loteamento de edificações, métodos construtivos que dizem respeito tanto aos materiais utilizados quanto à implantação em terrenos acidentados etc. —, essas zonas apresentam elementos específicos, como as lajes, que flexibilizam a norma construtiva e apresentam relações insólitas com a cidade, mas que abrem brechas para repensar a própria cartilha de “bons costumes” arquitetônicos.






