De Tafí del Valle a San Carlos de Bariloche, a implementação da pedra natural na arquitetura argentina contemporânea revela a decisão dos arquitetos de dialogarem com seu entorno, bem como destacar a pureza dos materiais. Embora a pedra seja um dos materiais de construção mais antigos que perdurou ao longo da história, sua aplicação em residências no Uruguai, Brasil ou México apresenta características diferentes em relação às texturas, formas, tons e padrões.
Ao se tornar um país soberano, livre do domínio britânico, o povo da Índia se viu diante de perguntas que nunca haviam respondido. Vindo de diferentes culturas e origens, os cidadãos começaram a se perguntar o que significaria a Índia pós-independência. Os habitantes agora tinham a opção de construir seu próprio futuro, com a responsabilidade de recuperar sua identidade — mas qual era a identidade da Índia? Eram os templos e as cabanas do povo indígena, os altos palácios da era Mughal ou os escombros do domínio britânico? Iniciou-se a busca por uma sensibilidade indiana contemporânea que levasse as histórias coletivas dos cidadãos em direção a um futuro de esperança.
Em busca de composições que fujam do óbvio, voltar os olhos para soluções tradicionais e as traduzir de forma contemporânea tem sido um processo visível em diversos projetos. Nesse sentido, os pisos de pedras rústicas - Arenito, Pedras Goiás, São Tomé, etc - têm ganhado cada vez mais destaque nas arquiteturas residenciais. Se antes eram voltados apenas para a área externa, como o uso do "lajão", agora também estão presentes em espaços fechados, tornando-se um elemento que rompe com a rigidez de traçados retilíneos e, em alguns casos, colabora com a meta de diversas arquiteturas: a conexão interior-exterior.
https://www.archdaily.com.br/br/969585/casas-brasileiras-10-projetos-com-pisos-de-pedras-rusticasEquipe ArchDaily Brasil
Jingdezhen Imperial Kiln Museum / Studio Zhu-Pei. Image Courtesy of Studio Zhu-Pei
Ao longo dos últimos anos testemunhamos um interesse crescente por técnicas tradicionais e processos artesanais de construção, assim como no papel cada vez mais significativo dos materiais locais na arquitetura contemporânea. Conscientes do impacto ambiental e também econômico da industria da construção civil no mundo hoje, arquitetos e urbanistas estão mudando o rumo de nossa disciplina ao adotar novas estratégias e abordagens em seus projetos e processos com o principal objetivo de “atender às demandas da nossa sociedade sem, no entanto, comprometer ou esgotar os recursos naturais que atualmente encontram-se à nossa disposição”.
Quando fluxos migratórios não se dirigem a grandes centros urbanos surge a manifestação de uma arquitetura espontânea para suprir a necessidade de abrigo e proteção, função primordial de uma habitação. O uso de técnicas que se adaptam e improvisam com os materiais disponíveis no local traz novas possibilidades de imaginar a arquitetura e o modo como o humano desenvolve o entorno para servir a seus desejos e necessidades. Na impressionante Chapada Diamantina, em Igatu, o garimpo levou aproximadamente trinta mil pessoas para morar numa região distante e sem infraestrutura, impondo à criatividade humana o desafio de solucionar a questão de moradia, que foi respondida através da interação com o próprio entorno: as pedras.
É possível entender que nossos antepassados preservavam um profundo conhecimento a respeito das condições ambientais e das necessidades físicas do ser humano em sua busca por abrigo. Apesar dos avanços tecnológicos e da evolução da forma de se observar o mundo ao redor, esse tipo de conhecimento, e relação com o entorno, ainda pode ser empregado atualmente e adaptado às nossas realidades. Isso pode ser observado ao explorar o uso das pedras naturais na arquitetura, evidenciando as suas várias formas de atuação.
Fabricantes: Automundi, Brick, Casa de Família Móveis, Deca, Ezklo, +8Florense, Grupo RP, Hipervidros, Lucenera, Mundial Pedras, Palimanan, Unikitchen, YDesign-8
Conhecida por ser um material versátil, resistente, barato e longevo, a pedra vem sendo há muito tempo utilizada em sistemas construtivos tradicionais de diversas partes do mundo. Sua praticidade, neutralidade e disponibilidade em determinadas regiões são fatores diretamente relacionados a tais características e que, combinados ao seu apelo estético, influenciam no uso deste material em projetos arquitetônicos contemporâneos.
No apogeu do Império Romano, seu território se estendia a mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, entre Europa, Ásia e África. Roma exercia poder sobre uma população de mais de 70 milhões de pessoas, o que correspondia a 21% da população mundial na época. De fato, como já mostramos em outro artigo, todos os caminhos levavam à cidade de Roma, grande sede do império e o patrimônio material e imaterial deixado pelo império é incomensurável, sendo que até hoje pesquisadores buscam entender todo o seu impacto no mundo atual. Desde o início de sua expansão no século VI a.C. até sua queda no ano de 476 d.C., o legado deixado pelos romanos abrange áreas como o direito, as artes plásticas, o latim que originou diversos idiomas, o sistema de governo e, muito importante, a arquitetura.
Um dos materiais construtivos mais antigos, a pedra perdurou na história da arquitetura por suas características de resistência e durabilidade. Frequentemente utilizada em estruturas de proteção, como fortificações e muros, a pedra também é, historicamente, a base para uma série de construções com diferentes fins, como o residencial, na qual foi empregada desde os primeiros abrigos.
Na última semana de julho de 2016 ocorreu a 3ª edição do Workshop ACA de autoconstrução, organizado pelo STUDIO, com a colaboração do arquiteto e film-maker Stefano Di Corato, do engenheiro Jacopo Galeazzi e do arquiteto Stefano Cazzaniga. O grupo propôs esta atividade que surge do interesse de incorporar à formação dos universitários a experiência da construção. O workshop contou com a co-curadoria do arquiteto Paolo Mestriner e o apoio do Centro Holístico BeQui. Durante um curto período de tempo (8 dias), os participantes foram incentivados à familiarizar-se com os materiais e, principalmente, ir além do projeto, executando-o em escala real e em curto prazo. O principal desafio e objetivo desta edição é projetar e construir uma pequena capela no terreno de uma casa privada ao norte da Sardenha, na Itália.