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The Indicator: O mais recente de arquitetura e notícia

The Indicator: 101 coisas que não aprendi na faculdade de arquitetura

Cortesia Desconhecido
Cortesia Desconhecido

Este artigo tem co-autoria de Sherin Wing.

1] Mesmo se o seu chefe for seu amigo ele pode te demitir para salvar seu negócio.

2] Leia o livro On Bullshit, de Harry G. Frankfurt. Carregue-o com você. É um livro de bolso.

3] Não beba durante o trabalho e principalmente não use drogas quando estiver com seus colegas de trabalho sob nenhuma circunstância. 

4] Não importa o quanto você se ache importante,  você ainda pode ser um servo aos olhos de outras pessoas que possuem mais poder do que você.

5] Depois de deixar a escola arquitetura nem todo mundo se preocupa com arquitetura ou quer falar sobre isso.

6] Todos os hábitos alimentares e dietas adquiridos durante a escola devem ser descartados.

7] Os hábitos de higiene que você manteve durante o período de estudante de arquitetura são inadequados para a vida real; banhe-se regularmente e troque sua roupa interior.

8] A pressa e a satisfação que você experimenta em um ateliê pode ser inversamente proporcional ao quanto você vai gostar de trabalhar para uma empresa.

9] É arquitetura, não medicina. Você pode fazer uma pausa que ninguém vai morrer.

10] Outras coisas são mais importantes do que a arquitetura; elas são as únicas que vão ajudá-lo a resistir até o final. Veja 49.

Continue lendo a seguir.

The Indicator: Continuaremos em silêncio? O custo humano da Copa do Mundo no Qatar

Qatar diz que os projetos para a Copa do Mundo estão "no caminho", mas a International Trade Union Confederation (ITUC), que tem investigado a morte de trabalhadores nos Emirados nos últimos dois anos, veementemente discorda. Até o momento houve 1200 mortes de trabalhadores associadas aos projetos da Copa do Mundo em curso. Um relatório contundente, emitido pela ITUC em 16 de março, afirma que ao menos que sejam realizadas melhorias significativas nas condições de trabalho nos canteiros relacionados à Copa, pelo menos mais 4000 trabalhadores podem perder suas vidas. Isso significaria que essas construções estão "no caminho" de matar 600 trabalhadores por ano, ou pelo menos 12 por semana até que as faixas de inauguração sejam cortadas e os fogos de artifício disparados.

Em uma reunião do comitê executivo da FIFA realizada em Zurique no dia 20 de março, o presidente Sepp Blatter afirmou, "Temos alguma responsabilidade mas não podemos interferir nos direitos dos trabalhadores". Do mesmo modo, o comitê local da FIFA no Qatar diz que trabalhadores não são sua responsabilidade. Zaha Hadid disse o mesmo.

Entretanto, dado o coro crescente de manchetes como "The Qatar World Cup Is a Total Disaster" (A Copa do Mundo no Qatar é um desastre total), é possível que eles precisem dizer algo mais forte sobre a questão em algum momento - ou ter a imagem de sua arquitetura manchada. É claro que sabemos que o que querem dizer é que não é sua responsabilidade legalmente. Mas isso significa que deveriam estar acomodados, nem ao menos tentando influenciar uma mudança?

Saiba mais sobre a situação dos trabalhadores de Qatar a seguir.

The Indicator: Poderiam os escritórios de arquitetura abolir suas hierarquias?

O que a arquitetura pode aprender com Zappos? Sim, todos nós já ouvimos falar sobre cafés veganos, salas de yoga, jogar jogos de guerra e usar Crocs dentro do escritório, mas - mais importante - Zappos está transformando a cultura de escritório de forma vasta e significativa: põe um fim na hierarquia da equipe.

De acordo com o The Washington Post, Zappos é a maior companhia a ter adotado o princípio da Holocracy, a ideologia do empresário de software que se tornou guru de gerenciamente, Brian Roberston. Guru seria a palavra certa pois, à primeira vista, e talvez à segunda ou terceira, a Holocracy surge de algo parecido como um culto, embora um culto de gestão de negócios. Isso me assusta um pouco, mas tendo olhado através da página deles, eu me sinto um pouco melhor agora.

Em uma Holocracy, autoridade e responsabilidade são distribuídos através de uma organização de uma forma mais focada ao objetivo. Como dizem, "Todos se tornam um líder de suas funções e um seguidor de outras." Ainda não faz sentido? Hierarquias antigas que dependem dos "líderes" no topo, "seguidores" na base, e "gerentes" no meio são eliminadas completamente. Logo, não há mais "chefes". Não há mais "funcionários". Não existem mais "projetista júnior" ou "projetista sênior".

The Indicator: A favela exótica e a persistência da cidade murada de Hong Kong

Sempre que vejo argumentos sensacionalistas sobre a intensidade espacial supostamente sublime de Kowloon Walled City em Hong Kong (demolida em 1994), elas me parecem nada além de fantasias coloniais que têm pouca relação com a realidade de viver no meio de uma das favelas mais cruéis do mundo. Você vê Kowloon aparecer constantemente como sendo ainda uma questão válida ou mesmo interessante. Este assentamento informal foi diagramado, fotografado e discutido por décadas do ponto de vista estético, tornando seus vitimizados e oprimidos habitantes praticamente invisíveis. Não significa que não tenha sido o lar de muitas pessoas e que não existam "boas lembranças" de lá, mas ainda, como todas as favelas, era um lugar difícil de viver, repleto de contradições na névoa de esperança por uma vida melhor.

The Indicator: Por que 2013 foi o ano de Denise Scott Brown?

Muitas coisas aconteceram em 2013. Zaha foi notícia a cada duas semanas. Ela foi copiada na China e, em seguida, acusada de projetar uma vagina gigante no Qatar. O filho de Rem está produzindo um documentário sobre seu pai. Perdemos o Prentice Women’s Hospital. Quase perdemos o American Folk Art Museum. Era o ano dos arranha-céus, com Rem mudando o jogo mais uma vez, levantando o térreo do chão, recusando-se a ceder às formas curvilíneas.

As coisas no Architecture for Humanity foram abaladas com a saída dos co-fundadores Cameron Sinclair e Kate Stohr. Resiliência se tornou a nova sustentabilidade. A China se tornou de repente menos definida pelo virtuosismo de sua arquitetura, e mais pelo lado negativo de suas façanhas formais. Minha cidade natal, Los Angeles, criou mais algumas ciclovias, alguns grandes planos para o seu rio de concreto, além de ter eleito um novo prefeito. Tivemos pessoas reclamando da arquitetura e nos dizendo por que deixaram a profissão. Kanye West foi atacado por se atrever a dizer por que gosta de arquitetura, e depois a arquitetura adorou falar sobre Kanye durante semanas a fio. Pobre Kanye. Há tantas coisas que poderia dizer que foram fundamentais em 2013. Foi um grande ano. E houve também uma grande quantidade de edifícios fantásticos.

The Indicator: Mais uma vez "On the Road"

Os provocadores do projeto On the Road, nome dado em homenagem ao livro de homônimo Jack Kerouac, estão de volta às atividades com seu programa "West of LaBrea" em que estes arquitetos revoltos retornam às ruas para bombardear a ordem das coisas no mundo da arquitetura - particularmente crítica em Los Angeles - e, ao fazer isso, lembram-nos que a arquitetura pode também significar diversão e uma dose saudável de transgressão; embora nenhuma lei tenha sido infringida durante o #OtR3, pelo menos aparentemente...

The Indicator: O que a AIA Gold Medal de Julia Morgan significa para a igualdade na arquitetura

"O edifício está realmente a cargo de uma mulher arquiteta?" Perguntei ao encarregado... O homem proferiu um poderoso sermão de apenas três frases curtas, pontuado pela seriedade de um orador. "Um arquiteto(a) é um(a) arquiteto(a)", disse ele "e você pode contá-los nos dedos de uma mão. Agora, este edifício está a cargo de uma arquiteta de verdade e acontece que seu nome é Julia Morgan, mas poderia ser também John Morgan." Jornalista em 1906 ao saber que Julia Morgan ganhara uma nova comissão. (Cortesia de Cal Poly San Luis Obispo, Biblioteca Robert E. Kennedy)

A recente notícia de que Jula Morgan recebeu postumamente a 2014 AIA Gold Medal, maior honraria do AIA, apesar de ser algo positivo e inspirador, levanta algumas importantes questões sobre o reconhecimento das mulheres na profissão. Ela é a primeira mulher, viva ou falecida, a receber a honra nos 106 anos de história do prêmio. De 1907 a 2012, todos os laureados foram homens.

The Indicator: o futuro virtual da arquitetura

Robert Miles Kemp será o Inovador do Ano de 2014. Marquem minhas palavras. Se eu trabalhasse para a Autodesk, chamaria ele agora mesmo - ou ao menos tentaria roubar seus segredos.

O que Robert Miles Kemp e sua empresa, Digital Physical, desenvolveram é algo tão simples, tão óbvio, e ao mesmo tempo completamente revolucionário. É uma daquelas invenções que todos os arquitetos, cedo ou tarde, perceberão que precisam - e os clientes logo começarão a pedir.

A invenção se chama Spacemaker VR, o primeiro sistema de realidade virtual de arquitetura concebido para designers. Sim, é preciso usar um óculos de realidade virtual, mas não se preocupe em parecer tolo pois você (e seus clientes) estarão maravilhados pelas coisas que estarão vendo e experienciando em 3D - um modelo de espaço futuro.

The Indicator: Uma réplica a "Porque deixei a arquitetura"

O discurso de Christine Outram em “Why I Left the Architecture Profession” (publicado no ArchDaily Brasil como "Porque deixei a arquitetura") é uma tentativa honesta e aparentemente espontânea de demarcar uma posição contra uma profissão "desatualizada". É explosivo em sua afirmação de que "vocês", sendo todos vocês arquitetos, estão fora de alcance. "Vocês" não ouvem seus clientes. "Vocês" estão obcecados com a forma. "Vocês" são máquinas desalmadas, projetadas por modelos de códigos e "copiar e colar", sem preocupação com a humanidade. Seu texto é como uma bomba, espalhando estilhaços em todas as direções. É um ataque que atingiu inocentes. É indelicado e imprudente.

Ele implora para ser desconstruído. Exige um contra ataque. E, julgando pela longa discussão em comentários, foi o que aconteceu. Seja como for, as questões são óbvias. Dizer a arquitetos que eles estão "desatualizados" ou que não ouvem parece uma tentativa calculada de conseguir sua atenção e fazê-los de alguma forma provar a si mesmos, de deixá-los irritados de forma equivalente a sua própria raiva.

Bem, chamou minha atenção. Aqui está minha réplica.

Por que uma boa escrita de arquitetura não existe (e, francamente, não é necessária)?

O Architects’ Journal recentemente anunciou as inscrições para o “AJ Writing Prize", sua busca anual pelo "melhor escritor de arquitetura".

Em 2011 publicaram um tratado sobre as qualidades de uma boa escrita de arquitetura, escrito por um dos membros do júri, o arquiteto Alan Berman.

Agora, por favor, me considere destrinchando seu ensaio ao remover esta citação de sua linha original de pensamento, mas, dito isto, este parágrafo se destaca:

A escrita de arquitetura deveria ajudar a todos na compreensão dos edifícios e auxiliar os arquitetos a projetá-los melhor. Isto não quer dizer ela deva ser um manual de instruções ou ignorar a importância dos infindáveis esforços intelectuais que exploram a condição humana - dos quais os arquitetos deveriam sempre estar conscientes. Ao invés disso, significa que o comentário arquitetônico deve buscar clareza e precisão em sua expressão através de uma terminologia lúcida e simplicidade estrutural. 

Isto me parece um modo muito técnico e preciso de se gerar um bloqueio de escritor. Se esta é a amplitude de uma boa escrita arquitetônica, ou de uma escrita que esteja a serviço da arquitetura, então "abandonai toda esperança, vós que entrais aqui."

The Indicator: Favela Café e o fim da ironia

Tadashi Kawamata é um de meus artistas favoritos. Não apenas por seu trabalho ser, de certa forma, arquitetônico, mas também pela surpresa que muitas vezes causa, parecendo ter surgido em segredo. Embora obviamente consagrado, existe um tom ilícito nele. É sujo, áspero, aparenta ser improvisado a partir de materiais encontrados - ainda que o trabalho de um artista tão aclamado e reconhecido claramente não ocorra dessa forma.

Não tenho nenhum problema com essa aparência. O problema está no jogo dessa aparência com a realidade, quando esta claramente não é condizente, mas sim escolhida para criar um choque de valores. 

The Indicator: Uma breve história sobre varandas

De início, a breve história das varandas abrange uma análise das subjetividades acima do solo, em partes de edifícios suspensos no ar, olhando para baixo, para as moedas na calçada, inexplicavelmente visíveis do 34º andar, de onde se tem a sensação de estar no mesmo nível das aeronaves que chegam ao aeroporto de Logan de onde quer que estejam vindo e acima do mar. Uma vez cheguei a estar paralelo a um avião enquanto ele balançava e lentamente virava suas asas.

The Indicator: Em um dia limpo você pode quase ver Pequim

© Jason Lee for Reuters via theatlantic.com
© Jason Lee for Reuters via theatlantic.com

Eu me lembro da neblina em Pequim criando os mais belos céus. Havia uma espécie de inocência na poluição naquela época, antes dos motores do desenvolvimento econômico engrenassem.

Era somente um belo pôr-do-sol, ou uma névoa marrom delicada que romanticamente amaciava os limites de tudo – enquanto destruía seus pulmões, é claro. Porém, assim como as tempestades de areia, a poluição deu à cidade uma qualidade distinta e rarefeita.

The Indicator: A Responsabilidade da Beleza

Em seu livro de 2008, The Architecture of Happiness, Alain de Botton argumenta que a arquitetura tem um poder extraordinário quando se trata de influenciar quem somos. Ao dar forma a nossos espaços de vida, ela liga-se à nossa existência emocional. Eu gostaria de ir um pouco mais longe e dizer que como nós residimos na arquitetura, ela reside em nós, colocando-nos nos mundos físico e psicológico.

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