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Por que uma boa escrita de arquitetura não existe (e, francamente, não é necessária)?

Por que uma boa escrita de arquitetura não existe (e, francamente, não é necessária)?
Por que uma boa escrita de arquitetura não existe (e, francamente, não é necessária)?, New York Times and Wall Street Journal architecture critic, Ada Louise Huxtable (1921-2013). “The consistent theme is pleasure,” Ms. Huxtable wrote in 1978. “There is so much more to see, to experience, to understand, to enjoy.” A great writer on architecture, but, thankfully, not an architectural writer. Image © Gene Maggio, New York Times
New York Times and Wall Street Journal architecture critic, Ada Louise Huxtable (1921-2013). “The consistent theme is pleasure,” Ms. Huxtable wrote in 1978. “There is so much more to see, to experience, to understand, to enjoy.” A great writer on architecture, but, thankfully, not an architectural writer. Image © Gene Maggio, New York Times

O Architects’ Journal recentemente anunciou as inscrições para o “AJ Writing Prize", sua busca anual pelo "melhor escritor de arquitetura".

Em 2011 publicaram um tratado sobre as qualidades de uma boa escrita de arquitetura, escrito por um dos membros do júri, o arquiteto Alan Berman.

Agora, por favor, me considere destrinchando seu ensaio ao remover esta citação de sua linha original de pensamento, mas, dito isto, este parágrafo se destaca:

A escrita de arquitetura deveria ajudar a todos na compreensão dos edifícios e auxiliar os arquitetos a projetá-los melhor. Isto não quer dizer ela deva ser um manual de instruções ou ignorar a importância dos infindáveis esforços intelectuais que exploram a condição humana - dos quais os arquitetos deveriam sempre estar conscientes. Ao invés disso, significa que o comentário arquitetônico deve buscar clareza e precisão em sua expressão através de uma terminologia lúcida e simplicidade estrutural. 

Isto me parece um modo muito técnico e preciso de se gerar um bloqueio de escritor. Se esta é a amplitude de uma boa escrita arquitetônica, ou de uma escrita que esteja a serviço da arquitetura, então "abandonai toda esperança, vós que entrais aqui."

Não há nada de errado com o fato da escrita ser uma "ajuda" à arquitetura, mas a escrita arquitetônica deve ser concebida como algo muito maior que um mero facilitador da prática arquitetônica e seus resultados. A escrita media a arquitetura do mesmo modo que esta media a vida. Suponhamos que não devesse existir a escrita arquitetônica, mas apenas a escrita do que se passa com a arquitetura.

O que é uma boa escrita de arquitetura, afinal? Acredito que seja apenas uma boa escrita. Como W.H. Auden uma vez escreveu:

Pela poesia nada acontece: ela sobrevive

No fundo de sua confecção onde executivos

Nunca mexeriam, flui para o sul

Para estâncias isoladas e os carregados pesares, 

Cidades cruas onde acreditamos e morremos, ela sobrevive,

Uma forma de acontecer, uma boca.

Não me aprofundarei nas discussões sobre a "boca", mas a essência aqui, penso, é que poesia, ou a escrita em prosa, faz coisas acontecerem. Ela persuade o significado das coisas e as situa em contextos mais profundos.

Arquitetura é uma forma de poieses, ou "fazer". De poieses deriva "poesia" - a palavra era originalmente usada como verbo: fazer. Mertin Heidegger a utiliza como "levar adiante" ou o que ele chamava uma "ocasião limiar, ou momento de êxtase quando algo se distancia de sua condição original e se transforma e outra coisa."

Isto é o que uma boa escrita de arquitetura - ou de qualquer coisa - pode fazer. Então, por que impor limites à chamada escrita arquitetônica? Seria interessante ver o que aconteceria se o Architects’ Journal expandisse os parâmetros para além destes limites, abrindo para escritas que movem a arquitetura ou que a fazem acontecer em outros níveis.

Se escrever sobre arquitetura é servir à profissão de alguma forma, não seria melhor se esta escrita chegasse à imaginação popular, para além do confinamento institucionalizado em que arquitetos e "escritores de arquitetura" meramente conversam entre si?

Escrever com êxtase e calorosamente sobre arquitetura demanda uma resposta autêntica ou mesmo uma provocação direta à ela. Escrever vai além de "clareza e precisão em sua expressão." Não se trata de uma "uma terminologia lúcida e simplicidade estrutural." São as camadas mais profundas da arquitetura que a escrita busca explicar ou capturar.

Confrontar a arquitetura com a escrita é algo extasiante. Não é nem tímido, nem técnico. É uma autêntica "boca". Então, vejamos o que os inscritos no AJ trarão. Esperamos que eles não levem conselhos de escrita a sério.

Guy Horton é um escritor de Los Angeles. Além de autor de "The Indicator", frequentemente contribui como o The Architect's Newspaper, Metropolis Magazine, The Atlantic Cities, e The Huffington Post. Já escreveu também para Architectural Record, GOOD Magazine, e Architect Magazine. Pode-se ouvir Guy na rádio e podcast como convidado do programa DnA: Design & Architecture no 89.9 FM KCRW fora de Los Angeles. Siga Guy no Twitter @GuyHorton.

Sobre este autor
Guy Horton
Autor
Cita: Horton, Guy. "Por que uma boa escrita de arquitetura não existe (e, francamente, não é necessária)?" [Why Good Architectural Writing Doesn’t Exist (And, Frankly, Needn’t)
] 29 Set 2013. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/141584/por-que-uma-boa-escrita-de-arquitetura-nao-existe-e-francamente-nao-e-necessaria> ISSN 0719-8906