
Tadashi Kawamata é um de meus artistas favoritos. Não apenas por seu trabalho ser, de certa forma, arquitetônico, mas também pela surpresa que muitas vezes causa, parecendo ter surgido em segredo. Embora obviamente consagrado, existe um tom ilícito nele. É sujo, áspero, aparenta ser improvisado a partir de materiais encontrados - ainda que o trabalho de um artista tão aclamado e reconhecido claramente não ocorra dessa forma.
Não tenho nenhum problema com essa aparência. O problema está no jogo dessa aparência com a realidade, quando esta claramente não é condizente, mas sim escolhida para criar um choque de valores.
A aparência da obra de Kawamata “Favela Café” na Art Basel, quando vista em relação à sua produção, deveria fazer muito sentido. Mas não faz. Além de ser uma alusão de mau gosto das favelas reais, é literal demais, mais parece um cenário para ricos encenarem a vida nas favelas. Uma obviedade que não condiz com seus trabalhos anteriores.
