Quando o assunto é mudanças climáticas, as manchetes às vezes parecem contraditórias. Em um dia, lemos sobre incêndios florestais catastróficos causando estragos pelo mundo; no dia seguinte, temos um artigo otimista sobre o rápido avanço da energia solar e eólica. Juntas, essas narrativas podem dificultar a compreensão do panorama geral da ação climática. Os países estão de fato implementando soluções efetivas se as emissões de gases do efeito estufa (GEE) continuam aumentando? Em que áreas o mundo tem progredido o suficiente para superar a crise climática e quais são as lacunas? Que medidas específicas são necessárias para entrarmos no rumo certo?
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Em 2013, Ahmedabad lançou o primeiro Plano de Ação contra o Calor entre as cidades do Sul da Ásia, mas enfrenta temperaturas cada vez mais altas e possui poucos dados para embasar políticas locais. Foto: WRI
2023 registrou recordes de temperatura em todo o mundo. Pessoas de diferentes regiões do planeta já enfrentam ondas de calor históricas, incêndios florestais e secas com apenas 1,1°C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais. Com as políticas atuais, que colocam o mundo a caminho de um cenário de 2,5°C a 2,9°C de aquecimento até 2100, o calor sufocante que sentimos este ano é apenas uma pequena amostra do futuro que temos pela frente.
O uso de plantas para filtrar as impurezas de lagos e rios já é uma prática comum dentro do contexto da sustentabilidade. Trata-se de uma alternativa que desconsidera agentes químicos artificiais em prol da manutenção de um ecossistema equilibrado. Agora, estudantes da Escola de Design de Rhode Island (RISD), uma faculdade de artes plásticas e design nos Estados Unidos, foram além dessa premissa, criando canteiros flutuantes feitos de micélio para limpar os cursos de água de poluentes e ao mesmo tempo restaurar o habitat de áreas úmidas.
Estamos prestes a terminar o ano mais quente dos últimos 125 mil anos. Nos últimos dias, as altas temperaturas têm influenciado negativamente o cotidiano de uma grande porção da população, principalmente aquela que passa a maior parte do dia nas ruas, longe dos espaços climatizados. O excesso de calor tem distintas fontes, entre as naturais e as catalisadas pelo homem, e com um futuro nada promissor em relação a este tema, é necessário buscar por medidas de forma estrutural para combater o modo como ele pode agravar a saúde da população.
Inundações recentes causaram estragos na Líbia, danificando infraestruturas importantes e tirando a vida de mais de seis mil pessoas. Incêndios florestais no Canadá queimaram 18,5 milhões de hectares, uma área equivalente ao tamanho da Síria. Setembro de 2023 registrou recordes de calor surpreendentes que alarmaram os cientistas climáticos.
Os eventos registrados ao longo dos últimos meses reforçam a urgência de os países corrigirem o rumo na luta contra as mudanças climáticas. A próxima conferência climática da ONU (COP28), que acontece em Dubai, é uma ótima oportunidade para isso.
Parque Manancial de Águas Pluviais / Turenscape. Cortesia de Turenscape
A emergência climática manifesta-se nas cidades brasileiras de diversas maneiras: enchentes no Sul, ressacas no Rio de Janeiro, tempestades em São Paulo causando apagões, fumaça de queimadas em Manaus, seca nos rios da Amazônia e ondas de calor no Centro-Oeste. Nesse sentido, é crucial integrar a luta contra as mudanças climáticas no planejamento público.
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Uma das turbinas eólicas flutuantes instaladas nas águas de Portugal. Foto: EDP
Entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro de 2023, Portugal produziu energia renovável mais do que suficiente para atender todo o país. Isso não significa que as centrais de combustíveis fósseis não estivessem funcionando, mas que a energia limpa gerada era mais do que suficiente para o abastecimento. O resultado é que as tarifas para os consumidores finais também caíram drasticamente.
Horta Marumbi, em Curitiba. | Foto: Valdenir Daniel Cavalheiro | Copel
Curitiba tem realizado diversas atividades para fortalecer a biodiversidade e melhorar a qualidade da vegetação na paisagem urbana. Por isso, a capital do Paraná, junto a outras 18 cidades do mundo, foi selecionada para participar do projeto Generation Restoration do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
Entre os dias 23 e 25 de novembro, o ‘Conexão SP/Amazônia: Ação pelo clima’ vai promover seminário de comunicação, arte e urbanismo climático, incluindo oficinas, debates, palestras e exposições gratuitas, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). Encerrando a agenda, haverá uma intervenção artística na lateral externa do Anexo do CCBB até 25 de dezembro.
Idealizado pelo Novo Acordo Verde, o NAVE e pela plataforma Fervura, o ‘Conexão SP/Amazônia: Ação pelo clima’ usa a linguagem artística e a ocupação do espaço público urbano, estrategicamente, como ferramenta para amplificar a informação e aproximar o público geral de temas como a crise climática e a construção de soluções necessárias para a humanidade e o meio ambiente superar esse que é o maior desafio da história.
Há indícios de que palha e junco foram utilizados na construção há mais de 10 mil anos. Desde então, a revolução industrial mudou completamente as práticas de construção, introduzindo a produção em massa de aço, vidro e, não menos importante, de concreto.
Fortaleza, Ceará. Foto de Vitor Paladini, via Unsplash
Foram anunciadas as dez cidades selecionadas para concorrer a US$ 9 milhões no Sustainable Cities Challenge, desafio global de mobilidade da Toyota Mobility Foundation, em parceria com a Challenge Works e o World Resources Institute. A lista de selecionadas inclui Fortaleza, no Brasil, além de cidades da Colômbia, Índia, Itália, Malásia, México, Reino Unido e Estados Unidos.
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O desestímulo ao uso de carros particulares é uma medida fundamental para o enfrentamento às mudanças climáticas, melhoria da qualidade do ar e redução dos sinistros de trânsito. As cidades precisam encontrar maneiras de reduzir o tráfego e priorizar o bem-estar das pessoas, além de considerar os impactos ambientais e sociais do uso do automóvel, oferecendo opções de transporte que gerem menos emissões de carbono.
Recentemente, as zonas de baixa emissão (LEZ, na sigla em inglês para low emission zones) têm se tornado uma estratégia popular em diversas cidades do mundo e as ações implementadas nessas áreas são eficazes para as pessoas dependerem menos dos carros, a partir da oferta de alternativas de transporte mais limpas, econômicas e acessíveis.
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Com o agravamento da emergência climática em escala global, um contingente cada vez maior de pessoas é forçado a abandonar suas casas devido a catástrofes naturais, secas e outros fenômenos meteorológicos. Esses deslocados são frequentemente referidos como “refugiados climáticos”. Esta crise humanitária exige ação imediata, mas antes é preciso entender quem são essas pessoas e de que maneira a comunidade internacional pode abordar de forma apropriada essa problemática crescente.
Marina Gardens, Singapore. Image by Nick Fewings Unsplash
Por muito tempo, a sustentabilidade foi vista como sinônimo de tecnologia no meio arquitetônico. A eficiência era diretamente relacionada a aparatos tecnológicos inovadores que cobriam as edificações de parafernálias. Hoje em dia, entretanto, o conceito de sustentabilidade abrange cada vez mais diferentes estratégias que estão relacionadas também ao reconhecimento de técnicas vernaculares e materiais locais como primordiais para a criação de edificações sustentáveis e neutras em carbono.
No entanto, independente da técnica ou dos materiais utilizados, o denominador comum é a busca pela diminuição da pegada de carbono de nossas arquiteturas, uma situação que exige mudanças na forma como os edifícios são concebidos, construídos e operados. Ou seja, retornar ao vernacular ou utilizar o aplicativo de última geração são estratégias que, apesar de muito diferentes, desejam chegar a este mesmo lugar e, por isso, são igualmente válidas.
Diante das batalhas que temos enfrentado contra as mudanças climáticas, sobretudo nos anos recentes, a elaboração de estratégias genuínas de descarbonização nunca foi tão crítica e necessária, e em todo o mundo, profissões, empresas e organizações de diversas áreas estão sob pressão para adotarem práticas e condutas mais sustentáveis em seus processos. No campo da arquitetura e do urbanismo não é diferente, e termos como "arquitetura sustentável" ou "arquitetura verde", misturadas a uma série de certificações, produtos e propagandas, tornaram-se cada vez mais comuns e populares, prometendo mudanças e melhorias na profissão que, teoricamente, estariam alinhadas aos novos parâmetros desejados para o futuro global.
No entanto, em meio à essa crescente conscientização ambiental, emergiu um outro fenômeno: o greenwashing, ou "maquiagem verde". O greenwashing refere-se a práticas adotadas por diversos setores, sobretudo ligadas às estratégias de marketing que apresentam iniciativas que transmitem uma impressão falsa ou que fornecem informações enganosas sobre como os produtos ou projetos de uma empresa são mais ecologicamente corretos do que eles realmente são, quando analisados sob um viés mais crítico e cuidadoso.
Desenho do sistema de ventilação do hospital Sarah / João Filgueiras Lima (Lelé). Imagem via Betoneira
É de conhecimento (e afirmação) geral que a arquitetura é um campo transdisciplinar. Vale-se de preceitos e saberes de outras disciplinas para que o objeto construído atue da maneira desejada. Isso pressupõe, obviamente, o locus: seu ambiente de implantação, entorno e todos os elementos que o compõem – outras construções, espécies animais e vegetais, clima etc. É possível dizer que arquitetura só pode existir dentro de um contexto, e que, escalonando a dimensão deste contexto, pode-se chamá-lo meio ambiente.
Com a pandemia, muitas empresas e pessoas precisaram descobrir novas formas de trabalho e o home office ganhou espaço – a descoberta da possibilidade de realizar diversas atividades à distância surpreendeu muita gente. Havia uma expectativa de que este modelo de trabalho fosse permanecer. Mas a verdade é que muitas empresas estão retornando aos turnos presenciais ou híbridos – e esta pode não ser a melhor opção para o planeta.
Um dos principais espaços de demonstração das ações socioambientais da Itaipu Binacional é o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), localizado em Foz do Iguaçu. Criado em 1984, com o objetivo inicial de abrigar os animais silvestres resgatados na área do reservatório, onde ocorreu a redução do espaço vital terrestre, e também para servir de base para a produção de mudas florestais para a formação dos cerca de 34 mil hectares de áreas protegidas da Binacional.
Visando adequar os espaços do refúgio às necessidades e demandas atuais, incluindo o emprego de estratégias de zoodesign e ações de conservação ex-situ, a Itaipu Binacional promoveu um concurso de arquitetura em duas etapas aberto a arquitetos de todo o Brasil. Conheça, a seguir, a proposta vencedora, dos escritórios RibasMarçal Arquitetura e Tempo Arquitetos.
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