Belén Maiztegui

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Brutalismo em escolas e universidades da Europa, pelas lentes de Stefano Perego

Em seu livro "O Brutalismo em arquitetura, ética ou estética?", Reyner Banham estabelece o que, segundo ele, foi um dos momentos-chave na definição da raiz semântica do termo Brutalismo "há um fato arquitetônico indiscutível: a obra de concreto de Le Corbusier: a Unidade de Habitação de Marselha. E se há uma fórmula verbal simples que tornou o conceito de Brutalismo admissível em muitas línguas do mundo ocidental, é que o próprio Le Corbusier descreveu este trabalho como "Béton brut" (concreto bruto). O termo e o edifício, portanto, surgem juntos". Em seu livro, Banham marca a construção da Unite d' Habitation como um marco histórico e enfatiza com especial destaque sua condição material. A partir daí, o concreto armado aparente é definido como o material preferido para este tipo de arquitetura. Embora exista também uma certa indefinição teórica quanto aos limites e ao alcance do termo "brutalista", existem certas constantes sobre seus parâmetros estéticos que nos permitem estabelecer uma linha de análise relativamente concreta. Nestes termos, os edifícios pertencentes ao brutalismo são caracterizados por sua verdade construtiva - mostrando e evidenciando o material que compõe a arquitetura, assim como sua lógica construtiva e estrutural - a geometria de suas formas e a rugosidade das superfícies.

Piscinas públicas em orlas costeiras: 10 projetos construídos junto a rios, mares e oceanos

Piscinas en Leça de Palmeira / Alvaro Siza. Image © Fernando Guerra | FG+SG
Piscinas en Leça de Palmeira / Alvaro Siza. Image © Fernando Guerra | FG+SG

À primeira vista, construir uma piscina na orla costeira pode parecer uma decisão pouco coerente. Afinal, por que alguém escolheria se banhar ali com a imensidão do mar ou do rio a poucos passos de distância? No entanto, apesar da nossa primeira impressão, em muitos casos essas obras acabam se tornando infraestruturas realmente significativas para pessoas com mobilidade reduzida, crianças ou outras pessoas para as quais o mar ou o rio pode trazer algum tipo de insegurança. Nesta perspetiva, as piscinas costeiras apresentam-se como dispositivos de conexão entre as pessoas e a paisagem, possibilitando a utilização dos territórios marítimos e fluviais para que mais pessoas possam desfrutar da água com segurança.

Fachadas têxteis: 10 projetos que exploram a leveza e translucidez deste material

CO2 Pavilion Beijing / Superimpose Architecture. Image © Beijing Shardisland Technology Co., Ltd.Endesa World Fab Condenser / MARGEN-LAB. Image © Adrià GoulaEdificio de viviendas Sucre 812 / Ana Smud + Alberto Smud. Image © Javier Agustín RojasAcademia Textil NRW / slapa oberholz pszczulny | sop architekten. Image © Thomas Mayer+ 21

Sejam produzidos com matérias primas orgânicas ou sintéticas, tecidos têm sido amplamente utilizados na arquitetura desde os tempos mais remotos. No entanto, sua aplicação em larga escala veio a acontecer apenas após a revolução industrial e a popularização de novas tecnologias—ou seja, a possibilidade de se produzir membranas têxteis de alta qualidade e em grandes dimensões, capazes de cobrir edifícios inteiros e vencer grandes vãos. Comumente utilizadas de forma tencionada, as membranas têxteis ajudaram a moldar o imaginário da arquitetura contemporânea, sendo utilizadas em pavilhões, estádios e edifícios dos mais variados tipos e tamanhos.

O que é o concreto ciclópico? Usos e aplicações em obras de arquitetura

Conhecida antigamente como “ciclópica”, essa técnica se baseia na utilização de grandes blocos de pedra que, sobrepostos e ligados entre si, sem qualquer tipo de argamassa, permitiam materializar várias estruturas. As civilizações às quais se atribui o uso desta técnica são muito diversas e é possível vê-la aplicada a diferentes funções que vão desde a construção de muralhas defensivas até templos e tumbas. Em geral, esse tipo de sistema costuma estar associado a qualquer construção antiga que utilize grandes elementos de pedra, cujo aparelhamento é mais ou menos poligonal.

10 Detalhes construtivos de pátios residenciais

Casa de los Pinos / XPIRAL. Image Casa Holmberg / Estudio Borrachia. Image Casa Tacuari / moarqs. Image Casa Patio / Ezequiel Spinelli + Facundo S. López. Image + 21

A entrada de luz natural, a melhoria das condições de ventilação e a possibilidade de potenciar a ligação com a natureza, sem que isso implique uma perda de privacidade, têm levado os pátios a se tornarem elementos frequentemente adotados e incorporados em muitos projetos arquitetônicos.

Os pátios caracterizam-se por serem áreas abertas ou semicobertas, localizadas no interior de edifícios e têm seus perímetros delimitados por paredes, galerias ou outros elementos. Estes espaços, externos mas contidos, em muitos casos desempenham um papel crucial na configuração e organização do projeto e, em alguns casos, representam a conexão entre os moradores e o exterior.

"La casa infinita": Pavilhão da Argentina na Bienal de Veneza aborda as habitações populares

Desenvolvido pelo arquiteto Gerardo Caballero, com a colaboração de Paola Gallino, Sebastian Flosi, Franco Brachetta, Ana Babaya, Leonardo Rota, Emmanuel Leggeri, Sofia Rothman, Gerardo Bordi, Edgardo Torres e Alessandro De Paoli, La casa infinita, um projeto inspirado nas casas tradicionais argentinas, representará o país na próxima exposição internacional de arquitetura da Bienal de Veneza. O projeto refletirá sobre a identidade da casa popular argentina e sobre a história da habitação coletiva no país, explorando exemplos tanto públicos quanto privados. La casa infinita buscará estender os limites do doméstico e enfatizar a importância do coletivo sobre o individual, determinando que uma casa pode ser muito maior que a própria moradia: "pode ser a cidade, o campo e até mesmo o mundo".

Arquitetura residencial no Equador: 10 casas de concreto aparente

Casa JS-DM / Diez+Muller Arquitectos. Image © Sebastián CrespoodD House 1.0 / odD+. Image © Jose Ignacio Correa & Jean-Claude Constant LCasa Tacuri / Gabriel Rivera Arquitectos. Image © BICUBIKCasa entre Bloques / Natura Futura Arquitectura. Image © JAG Studio+ 21

O concreto é ainda hoje um dos sistemas construtivos mais utilizados pela industria da construção civil ao redor do mundo. Além disso, o desenvolvimento de novas tecnologias aplicas ao uso do concreto – incluíndo uma enorme variedade de sistemas de cofragem, controles mais precisos dos processos de cura e uma mão de obra cada dia mais capacitada – permitem obter ótimos resultados e acabamentos de altíssima qualidade. Desta maneira, está se tornando cada dia mais comum a utilização do concreto aparente em suas mais variadas formas, permitindo aos arquitetos explorar uma enorme gama de diferentes tonalidades e texturas, adaptando-se melhor às decisões específicas de cada projeto.

Casas argentinas com abóbadas: exemplos em tijolo, madeira e concreto

Casa Monopoli / Fabrizio Pugliese. Image
Casa Monopoli / Fabrizio Pugliese. Image

Casa Virginia / Reimers Risso Arquitectura. Image Casa Rodney / BAAG. Image Casa Monopoli / Fabrizio Pugliese. Image Casa Viisa / Francisco Farias Arquitecto y Asociados. Image + 11

Uma abóbada é um elemento construtivo no qual os elementos que constituem a superfície trabalham em compressão. Embora esta resolução construtiva venha sendo utilizada desde a época romana, alguns tipos de abóbadas (como a catalã ou a valenciana) tornaram-se populares em algumas regiões do mundo a partir do século XIX, apresentando-se como uma solução adequada para a construção residencial (sobretudo por seu baixo custo). Podendo vencer vãos de até trinta metros, esse sistema foi muito usado em certas tipologias industriais, adaptando-se às necessidades e dimensões de oficinas, fábricas e depósitos.

Estratégias de implantação: 20 casas argentinas vistas de cima

Casa Las Caballerizas / Carolina Vago Arquitectura. Imagem © Gonzalo ViramonteCasa JB / alarciaferrer arquitectos. Imagem © Federico CairoliCasa mq2 / bp arquitectura. Imagem © Gonzalo Viramonte5 Casas / Carlos Alejandro Ciravegna. Imagem © Gonzalo Viramonte+ 21

Os pequenos veículos aéreos não tripulados (UAVs), comumente conhecidos como drones, abriram novas possibilidades para o registro de canteiros de obras. A possibilidade de tirar fotografias aéreas torna possível revelar problemas que muitas vezes são difíceis de capturar através de imagens tirada a altura dos pedestres. Semelhante ao que acontece com os desenhos conhecidos como "planta de cobertura", as fotos aéreas mostram mais claramente as decisões do projeto em relação à implantação, orientação, tipologia, relação com o entorno imediato e construções preexistentes, entre outras questões.

Arquitetura em desnível: 10 projetos de casas na Argentina

Casa Pedroso / BAK Arquitectos. Image © Gustavo Sosa PinillaCasa IA / alarciaferrer arquitectos. Image © Emilia Sierra Guzman© Emilia Sierra GuzmanVivienda CJP / ONA - Oficina Nómada de Arquitectura. Image © Arq. Luis Abba+ 22

A diferença de nível é uma ferramenta muito utilizada por arquitetos e arquitetas  para lidar com a topografia de um determinado terreno. Neste caso, os espaços interiores—em seus múltiplos níveis—refletem algumas das principais estratégias utilizadas pelos projetistas para adaptar ou encaixar um edifício na paisagem topográfica. Desta forma, é muito comum encontrarmos edifícios escalonados e volumes suspensos em terrenos de inclinação acentuada. Além desta condicionante física, por assim dizer, defasagens e desníveis também podem adquirir um caráter funcional, permitindo separar espaços sem a necessidade de construir paredes ou barreiras verticais, segmentando o plano horizontal em diversos níveis—elevados ou rebaixados.

Arquitetura bioclimática na América Latina: estratégias passivas para economizar energia

Escuela en Chuquibambilla / Marta Maccaglia + Paulo Afonso + Bosch Arquitectos (2013 - Chuquibambilla, Perú). Image La casa de Meche: Taller de buenas prácticas constructivas / ENSUSITIO Arquitectura (2019 - Pedro Carbo, Ecuador). Image Edificio Block Social Nestlé / GH+A | Guillermo Hevia (2009 - Graneros, Chile). Image Casa Ñasaindy / ArquitecTava (2019 - Obligado, Paraguay). Image + 42

“Antes da era dos combustíveis fósseis baratos, durante a qual se popularizaram as tecnologias modernas de calefação e condicionamento de ar, a arquitetura tradicional, era por assim dizer, mais sensível às condições climáticas específicas. Depois da recente crise energética, o interesse pelas estratégias passivas na arquitetura parece estar ressurgindo com força total.” [1]

Resumidamente, poderíamos dizer que a arquitetura bioclimática é aquela que incorpora, desde as primeiras fases de projeto, estratégias e recursos passivos, ou seja, aqueles que permitem aproveitarmos as condiciones favoráveis específicas do clima e local, oferecendo, simultaneamente, proteção contra as possíveis condições extremas. Desta forma, esta arquitetura não só permite a criação de melhores condições de conforto interior, mas também permite minimizar o consumo energético do edifício como um todo, diferenciando-a das abordagens mais convencionais, onde delega-se o controle das condições de conforto à sistemas mecânicos de condicionamento de ar, de aquecimento e e arrefecimento. A arquitetura bioclimática, então, está baseada em uma busca contínua por otimizar recursos, principalmente através de suas formas e volumes, orientações de fachadas e aberturas, materiais naturais e locais, uso do espaço, e outras tantas variáveis.

Arquitetura peruana: 10 residências com pátios internos

Casa Gato / Martin Dulanto. Image Casa M+L / Domenack Arquitectos. Image Casa Cachalotes / Oscar Gonzalez Moix. Image Casa Patios / Riofrio+Rodrigo Arquitectos. Image + 21

Com excessão de alguns casos isolados, ao longo de todo o território do Peru—seja no litoral, na serra ou na selva amazônica—, o clima do país conserva características de regiões tropicais ou subtropicais, sendo que as diferenças entre as temperaturas médias durante o inverno e o verão não são muito significativas. Devido a sua localização e característica geográfica específica, a temperatura em todo o país oscila entre os 15° C e os 27° C ao longo do ano, sendo atípicas situações de frio ou calor extremo. Por este motivo, a relação entre arquitetura e a paisagem assim como entre os espaços interiores e exteriores, é um elemento de projeto muito explorado pela grande maioria dos arquitetos e arquitetas do país.

Carmen Espegel sobre seu livro Heroínas do Espaço: "A história deve ser relida, ela ainda contém informações ocultas"

Carmen Espegel é arquiteta doutora pela Escola de Arquitetura de Madri. O seu trabalho é sustentado por três áreas complementares: acadêmica, pesquisa e atividade prática profissional. Trabalha de forma independente desde 1985, fez parte do atelier espegel-fisac arquitectos durante vinte anos - sendo sócia fundadora - e atualmente dirige o escritório espegel arquitectos. Sua orientação de pesquisa tem se concentrado principalmente na área de habitação, mulheres na arquitetura e crítica arquitetônica.

Tijolos de vidro em casas argentinas: iluminação natural e privacidade com blocos translúcidos

Casa Luisina / Reimers Risso Arquitectura. Image © Fernando SchapochnikCasa com Tijolos / Martín Aloras. Image © Walter SalcedoResidência AYYA / Estudio Galera. Image © Diego MedinaCasa 47 / Reimers Risso Arquitectura. Image © Fernando Schapochnik+ 10

Ao criar espaços arquitetônicos, muitos arquitetos concordam que não só é importante, mas também necessário incorporar a luz natural aos interiores, utilizando diferentes estratégias para regular sua quantidade e definir qualidades como sua tonalidade e direcionamento. Apesar disso, em projetos residenciais, onde as exigências de privacidade são geralmente mais altas do que em, por exemplo, edifícios para usos comuns - escritórios, restaurantes, lojas -, ao definir as características dos ambientes, muitos optam por trabalhar com materiais que garantem maiores graus de proteção visual e que diluem o contato com o exterior público - seja através da incorporação de elementos opacos, seja por meio de envoltórios de revestimento e telas. Entretanto, há alguns materiais que garantem a entrada de uma grande quantidade de luz natural controlada durante o dia, mas sem implicar em perda de privacidade.

Estratégias bioclimáticas em residências de Buenos Aires: exemplos em planta e corte

Casa N / Estudio GM ARQ. Image Casa Golf / BAM! arquitectura. Image Residência AC / Estudio GM ARQ. Image Casa PYE / BAM! arquitectura. Image + 20

Os princípios bioclimáticos, quando partem de um entendimento concreto das condições geográficas e climáticas do local, podem otimizar de forma notável o desempenho dos edifícios e fomentar o desenvolvimento de melhores espaços internos nos projetos. As estratégias passivas, como o controle da radiação solar, a recuperação da água da chuva, o aproveitamento da iluminação natural e da ventilação cruzada, o tratamento e reuso de águas cinza, além da coleta de energia solar, são ferramentas que permitem obter um conforto térmico e ambiental maior, com baixos custos energéticos.

Casas com pérgolas de madeira no Peru: o espaço entre o interior e a paisagem

Casa em Azpitia / Estudio Rafael Freyre. Imagem © Edi HiroseCasa Seta / Martín Dulanto. Imagem © Marco SímolaCasa de Campo El Ombu / Oscar Gonzalez Moix. Imagem © Juan Solano OjasiCasa Unno / DA-LAB Arquitectos. Imagem © Renzo Rebagliati+ 11

Por estar localizado na parte ocidental e central da América do Sul, o Peru possui uma enorme multiplicidade de condições geográficas que determinam uma variedade de paisagens e recursos em seu território. Em suas três grandes regiões - costa, serra e selva -, as diferenças entre as temperaturas médias de inverno e verão não são consideráveis, e, exceto nas regiões de alta montanha, os climas são definidos como tropicais ou subtropicais. Por não ter extremos de frio ou calor sufocante, as atividades ao ar livre - e os espaços para que se desenvolvam - adquirem uma grande relevância no desenho de residências e edifícios. As pérgolas e semi-cobertos, como limiares de transição entre os espaços interiores e a paisagem, oferecem a possibilidade de aumentar a superfície de sombra dos projetos, possibilitando o aproveitamento dos espaços externos sem perder a proteção que a arquitetura pode oferecer.