Fazer mais com menos é uma questão arquitetônica urgente. Mais ainda se pensarmos no contexto recente, em que às questões ambientais sobrepõem-se crises econômicas e sociais em diversas partes do mundo. É nesse contexto que o escritório Branco Del Rio Arquitectos vem desenvolvendo sua prática desde que foi fundado em 2014, na cidade de Coimbra. Nascida num período de instabilidade em Portugal, a firma é o resultado da busca de Paula del Rio e João Branco por uma arquitetura simples que procura responder às demandas impostas da forma mais objetiva possível.
Em menos de dez anos de atuação, o escritório coleciona prêmios em concursos, reconhecimentos internacionais e, recentemente, foi selecionado como uma das melhores Novas Práticas do ArchDaily de 2023. Tivemos a oportunidade de conversar com os arquitetos sobre sua experiência com reabilitações, seus projetos de habitação coletiva e sua prática caracterizada pela economia de meios.
Framlab cria fazendas urbanas verticais modulares nas ruas do Brooklyn. Imagem cortesia de Framlab
Estamos vivendo um momento de emergência. Desde o início da industrialização, temos corrido pelos recursos finitos de nosso planeta como se fossem ilimitados, esgotando e desestabilizando os próprios ecossistemas dos quais dependemos para nosso sustento, economia, alimentação, saúde e qualidade de vida.
Em apenas 50 anos, perdemos mais da metade da vida selvagem do mundo. No momento, a Terra está a caminho de aquecer além de 1,5 graus celsius, o que os cientistas alertam ser um limite planetário rígido para os ecossistemas existentes na Terra. Este é um “código vermelho para a humanidade”, conforme descrito no Sexto Relatório de Avaliação do IPCC. Continuar em nosso caminho atual significará danificar irreversivelmente as próprias condições que sustentam a vida neste planeta.
A materialidade é um fator determinante para moldar o caráter e a experiência de um edifício. Brincando com as qualidades estéticas e táteis dos materiais, o processo de design abrange sua análise, seleção e arranjo para criar espaços com propósito e ricos sensorialmente. Juntamente com texturas e padrões, explorar a materialidade também envolve o estudo das possibilidades de cores. O papel versátil da cor nos materiais arquitetônicos se estende além da mera estética, pois pode ampliar oportunidades de design e influenciar respostas emocionais, funcionalidade, relevância cultural e desempenho ambiental.
Embora cada material tenha sua cor inerente distinta, a adição de pigmentos artificiais ou naturais pode modificá-los em favor da identidade do projeto. Mergulhando no debate sobre a manutenção da estética crua ou a alteração dos tons naturais de um material, mostramos vários projetos para estudar as diferenças entre o uso de pigmentação natural versus artificial de vidro, concreto, tijolo, pedra e madeira.
O mercado de trabalho na arquitetura e urbanismo é altamente competitivo. A demanda por projetos inovadores, sustentáveis e esteticamente agradáveis é alta, o que impulsiona um ambiente de alta concorrência. Além disso, as mudanças nas tecnologias e as crescentes expectativas dos clientes exigem adaptação constante. Quais são os obstáculos, as oportunidades, os métodos, as “traquitanas e traquinagens” que são necessárias para adentrar na “selva” do empreendedorismo? A partir das experiências dos convidados, este episódio especial propõe um diálogo livre e divertido sobre o tema.
Quando se faz uma bagunça, geralmente é mais fácil levantar as mãos e começar do zero. Mas, embora possa ser mais difícil, o reuso adaptativo — quando a arquitetura pega algo velho e quebrado e o traz de volta à vida — pode trazer benefícios para todos.
Ao planejar edifícios sociais e culturais tão necessários para o uso público, em vez de usar materiais novos (ou mesmo materiais reciclados que precisam ser coletados, desmontados, reformulados e transportados), existem muitos recursos locais já disponíveis: tudo o que precisamos fazer é enxergá-los.
Esses projetos de reutilização adaptativa transformam edifícios desativados, projetos esquecidos e ambientes desprezados em algo novo, trazendo vida e novo propósito.
Aninhada no meio do Mar Egeu, a antiga ilha de Delos surge como um testemunho atemporal da engenhosidade humana e da harmoniosa interação entre arquitetura e natureza nesta série de fotografias de Erieta Attali comentada pelo arquiteto Angelo Bucci. Inspirado pelo trabalho de Attali, Bucci cria uma narrativa que explora a profunda conexão entre arquitetura e o ambiente, ecoando o ethos de Delos.
Desde as cidades gregas antigas até as idealizadas pela Renascença, a história do planejamento urbano é um reflexo das estruturas de poder em evolução e das prioridades da sociedade. A estrutura organizacional de uma cidade está profundamente enraizada nas necessidades culturais e nas relações sociais. O desenvolvimento urbano contemporâneo, por sua vez, é marcado por uma dicotomia — o contraste entre estratégias de planejamento de cima para baixo (top-down), lideradas por entidades influentes e órgãos governamentais, e as iniciativas de baixo para cima (bottom-up), impulsionadas pelas comunidades locais. Essa interação molda as cidades, influenciando desde aspectos da infraestrutura e espaços públicos até os modelos habitacionais e a atmosfera urbana. Investigar as diferenças entre essas estratégias é essencial para a construção de uma paisagem urbana harmônica que atenda às necessidades de seus moradores.
Hoje estreia o primeiro episódio de uma série documental sobre projetos do escritório Al Borde. Este primeiro filme tem como título Construindo com árvores vivas e narra as histórias por trás da Casa Jardín, uma residência unifamiliar localizada nos arredores de Quito, Equador.
Projetada para um ecologista chamado José, a residência é desenvolvida em três pequenos pavilhões independentes com estruturas híbridas que combinam árvores vivas com diferentes sistemas construtivos, utilizando uma técnica vernacular de cercas vivas usada nos Andes desde a antiguidade. Uma busca pela convivência simbiótica entre arquitetura e natureza.
A cidade de Osaka, no Japão, foi a escolhida para sediar a Expo Mundial de 2025, um evento internacional que deverá atrair milhões de visitantes. Prevista para começar em 13 de abril de 2025 e terminar em 13 de outubro do mesmo ano, essa é a segunda vez que o Japão é o anfitrião — a primeira foi em 1970. Ao longo de sua história, as Exposições Mundiais têm sido o local onde novas tecnologias e produtos são apresentados e popularizados, levando a avanços tecnológicos e projetos inovadores. O tema desta edição é Projetando a sociedade do futuro para nossas vidas, dividido em três subtemas que aprofundam a proposta: Salvando Vidas, Empoderando Vidas e Conectando Vidas. O arquiteto Sou Fujimoto é o responsável pelo projeto do masterplano da Expo, além de coordenar e oferecer diretrizes para os países participantes.
O tecido de nossas cidades é moldado por milhões de pequenas decisões e adaptações, muitas das quais se tornaram essenciais para nossa experiência. Atualmente, considerados como óbvios, alguns desses elementos foram revolucionários na época de sua implementação. Um desses elementos é o rebaixamento do meio-fio (curb cut), uma pequena rampa que desce a calçada para conectá-la à rua adjacente, permitindo que usuários de cadeiras de rodas e pessoas com deficiências motoras se movam facilmente para dentro e para fora da calçada. Essa adaptação aparentemente pequena provou ser inesperadamente útil para uma gama maior de pessoas, incluindo pais com carrinhos de bebê, ciclistas, trabalhadores de entrega etc. Consequentemente, ela empresta seu nome a um fenômeno mais amplo, o "efeito curb cut", no qual melhorias feitas para uma minoria acabam beneficiando uma população muito maior de maneiras esperadas e inesperadas.
O escritório gru.a, fundado há pouco mais de uma década no Rio de Janeiro por Caio Calafate e Pedro Varella, tem realizado projetos de escalas variadas, com foco especial na convergência entre arte, arquitetura e infraestrutura. Entre suas obras mais conhecidas está a instalação A Praia e o Tempo e seus projetos mais recentes incluem abrigos, festivais e expografias.
Este mês, o escritório foi reconhecido com o Prêmio Di Tella de Arquitetura, organizado pela Escola de Arquitetura e Estudos Urbanos (EAEU) da Universidade Torcuato Di Tella (UTDT) por meio do seu Centro de Estudos para Arquitetura Contemporânea (CEAC).
Rosetta Bonatti – Untitled. Image Courtesy of URBAN Photo Awards
O URBAN Photo Awards 2023 anunciou a lista de finalistas, marcando a penúltima etapa do concurso internacional. Divididos por seção e área temática, os finalistas foram apresentados em uma lista sem ordem classificatória que contém mais de 70 fotografias individuais, 20 séries e cinco volumes escolhidos pelo júri para o Prêmio de Melhor Livro.
Se você não entende o que são defletores, não se preocupe. É para isso que eles estão lá. O objetivo dos defletores é confundir a matéria. Em outras indústrias, são usados para direcionar o fluxo de água, controlar o fluxo de ar e a troca de calor, ou impedir que o tráfego atinja altas velocidades.
Quando utilizados no mundo científico da acústica, os defletores são posicionados para interromper as ondas sonoras em nossos ambientes mais movimentados. Eles captam, absorvem e suavizam o som, seja em áreas naturalmente ruidosas ou especialmente silenciosas. Filtram seletivamente os sons para evitar que retornem. Isso não significa, no entanto, que os defletores não possam dar uma vantagem estética aos interiores, proporcionando um visual muitas vezes interessante.
A Romano Guerra Editora lança, no dia 24 de agosto, o livro Arquitetura e escrita: relatos do ofício, que reúne vinte e quatro entrevistas com historiadores e críticos de arquitetura, brasileiros e estrangeiros, de diversas orientações teóricas e profissionais, origens disciplinares e geracionais. Em sua grande maioria inéditas, elas foram produzidas tanto em função do interesse que os entrevistados despertam localmente, como em resposta ao impulso global do debate teórico e historiográfico no campo nas últimas décadas.
https://www.archdaily.com.br/br/1005453/novo-livro-da-romano-guerra-traz-24-entrevistas-ineditas-com-historiadores-e-criticos-de-arquitetura-brasileiros-e-estrangeirosArchDaily Team
O laboratório de pesquisa e design da IKEA, SPACE10, publicou o relatório The Healthy Home, a segunda edição da série Future Home. O relatório explora três temas principais relacionados aos ambientes domésticos: como nossas casas nos protegem de danos, restauram nossos corpos e mentes, e nos permitem evoluir ao longo das etapas da vida. A pesquisa tem como objetivo avaliar as formas pelas quais as casas podem contribuir positivamente e apoiar os ritmos e fluxos de vida das pessoas.
Courtesy of Green&Blue | Vincent Ledvina on Unsplash
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2023, mais frequentemente referida como COP28, é um encontro de mais de 160 países que concordam em combater os impactos prejudiciais das atividades humanas no clima. A Cúpula Internacional sobre o Clima acontece anualmente, reunindo chefes de estado, delegados e representantes de vários países para negociar ações e acordos relacionados à mitigação da crise climática. No ano passado, a COP 27 foi realizada de 6 a 18 de novembro de 2022, em Sharm El Sheikh, Egito. Com a próxima COP 28 nos Emirados Árabes Unidos prestes a acontecer, vale a pena examinar o impacto da conferência e o que esperar.
Durante o mês de julho exploramos o Processo Projetual como tema mensal. Instigados por práticas que cruzam camadas distintas e (ainda) incomuns em suas criações, conversamos com o arquiteto Guto Requena. Ao projetar, seu estúdio experimenta com distintas tecnologias digitais a partir de um olhar sustentável e atento às pautas sociais para atingir o objetivo de proporcionar experiências inovadoras e afetivas. Hoje, o arquiteto acumula diversos prêmios nacionais e internacionais, entre eles o ArchDaily Building of the Year e o Prix Versailles da Unesco.
Na entrevista, Requena nos conta sobre sua trajetória, coloca a diversidade de sua equipe como um dos principais pontos de inovação do seu escritório, traça importantes questões sobre como fomentar e criar com novos materiais na arquitetura e muito mais.