Redescobrindo os Andes: a transformação dos banhos termais de San Pedro, Chile

Redescobrindo os Andes: a transformação dos banhos termais de San Pedro, Chile

Aninhadas na cordilheira que divide o Chile da Argentina, as Termas de San Pedro são um lugar de pausa e contemplação que interrompe a rota de trânsito para introduzir a escala humana e assim dar uma melhor condição de habitabilidade às extensas paisagens das altas montanhas. Embora estas piscinas naturais tenham se estabelecido por um período como um marco e destino público dentro da rota e da memória coletiva que envolve a região de Romeral, com o tempo elas caíram em um estado de abandono e deterioração como resultado de movimentos sísmicos constantes.

Em resposta a esta situação, o projeto de graduação da estudante de arquitetura da Universidade de Talca, Pía Montero, busca materializar a pesquisa realizada sobre a identidade territorial da Região do Maule e consolidar um marco de potencial turístico. O projeto também é um chamado para redescobrir e resgatar o valor do patrimônio natural e cultural da região do gradual abandono em que ela caiu ao longo dos anos.

© Edgard Torres© Edgard TorresCortesía de Pía Montero© Gustavo Burgos+ 8

O trabalho publicado anteriormente pela Arquitectura Maulina consiste na construção de uma peça longitudinal que permite a circulação da água termal entre as piscinas, uma operação que consegue estabelecer um diálogo com o local através do uso formal e funcional dos mesmos materiais, cores e texturas que a caracterizam. A Reconversão das Termas de San Pedro também foi reconhecida no Young Talent Architecture Award, realizado como parte da Bienal de Arquitetura de Veneza 2020, como parte do projeto "Três lugares para habitar a cordilheira, Região do Maule". Com base em três intervenções de mínimo impacto, a obra visa - nas palavras de sua autora - "consolidar mais uma vez as Termas de São Pedro como um lugar simbólico de ocupação territorial para a cordilheira de Romeral, redescobrindo um patrimônio natural esquecido e recuperando a o habitar nas altas montanhas".

© Edgard Torres
© Edgard Torres

A condição material da obra foi uma consequência do caminhar pela montanha e distinguir sua consistência pétrea, sempre ligada a um corpo de água. O fato de contemplar a corrente do rio e o fluxo da água termal permitiu distinguir os diferentes minerais que emanam da terra, que gradualmente mancharam o concreto de uma cor alaranjada profunda, gerando uma crosta de sal que tornou o solo impermeável e permitiu um caminho firme entre as piscinas.

-Pía Montero, autora do projeto

© Edgard Torres
© Edgard Torres

No final da Rota Internacional Paso Vergara, que corre paralelamente ao rio Teno, as termas oferecem uma pausa completa na qual os viajantes podem renovar sua energia através das qualidades terapêuticas da água quente e seus vários minerais. O projeto de transformação não apenas resgata este valor natural ameaçado, mas também formaliza o funcionamento das piscinas e sua chegada ao rio. Para isso, foi realizado um trabalho sutil de solo que resgata a pegada pré-existente por meio da construção de uma rota que liga o leito do rio com as piscinas superiores através de uma série de degraus de concreto armado. 

© Gustavo Burgos
© Gustavo Burgos
© Gustavo Burgos
© Gustavo Burgos
© Gustavo Burgos
© Gustavo Burgos

Por sua vez, este marco procura construir um mirante no alto da montanha através da construção de uma plataforma horizontal de madeira tensionada que serve de palco para as diversas atividades associadas. A terceira intervenção é composta por um sistema que coleta as águas termais por meio de um tanque de armazenamento e duas vigas de concreto armado, o que formaliza a queda das águas enquanto constrói a narrativa que estrutura o projeto.

A necessidade de redescobrir o território dos Andes ganha sentido sob as leituras e interpretações geo-históricas, que o definiram como um território constantemente minimizado como resultado de sua condição geográfica, em contraste com seu valor sócio-cultural. Como consequência disso, e dentro de um processo de significação territorial, a Cordilheira dos Andes, tomada como símbolo de espaço geográfico para o país, perde sua identidade e presença cultural para ser sobreposta como uma fronteira política. Excluindo assim qualquer vestígio de identidade, manifestação cultural e forma de ocupação anterior que torne singular e dê valor ao território dos Andes.

-Pía Montero, autora do projeto

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Sobre este autor
Cita: Truffa, Luciana. "Redescobrindo os Andes: a transformação dos banhos termais de San Pedro, Chile" [Re-descubrir el territorio de los Andes: La Reconversión de los Baños Termales de San Pedro, Chile] 24 Nov 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Daudén, Julia) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/970596/redescobrindo-os-andes-a-transformacao-dos-banhos-termais-de-san-pedro-chile> ISSN 0719-8906

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