Guia arquitetônico da África subsaariana: explorando a arquitetura de Bangui e Kinshasa

Guia arquitetônico da África subsaariana: explorando a arquitetura de Bangui e Kinshasa

Quando olhamos para a arquitetura africana, vemos a diversidade arquitetônica de um continente moldado em sua forma atual, por uma combinação de fatores internos e externos. Ao analisar a arquitetura africana, há também uma tendência de certas regiões terem precedência sobre outras partes do continente. As obras modernistas tropicais de Maxwell Fry e Jane Drew em Gana e na Nigéria, por exemplo, são extremamente bem documentadas. Assim como a arquitetura da era colonial extremamente bem preservada da capital da Eritreia, Asmara. No entanto, parecem haver partes do continente que “escapam do radar” nas conversas sobre arquitetura africana — assim o livro Architectural Guide: Subsaharan Africa é uma adição bem-vinda aos estudos da arquitetura africana.

A mais recente contribuição da DOM Publishers para sua série de guias de arquitetura é uma coleção de sete volumes, que fornece uma visão geral abrangente da arquitetura encontrada ao sul do Saara, com mais de 850 edifícios e cerca de 200 artigos apresentados no livro. Cada volume se concentra em uma região específica do continente, e a edição sobre a arquitetura da África Central é especialmente esclarecedora, já que evidencia uma região com um caráter arquitetônico extremamente interessante, mas que não consegue encontrar seu caminho nas discussões convencionais sobre a arquitetura africana.

Cortesia de DOM Publishers
Cortesia de DOM Publishers

Dois países se destacam neste volume, como um exemplo particularmente bom das complexas identidades urbanas presentes no continente: a República Centro-Africana e a República Democrática do Congo. Nestas regiões, duas cidades — Bangui na primeira, e Kinshasa na segunda — têm uma particularidade. Ambas são cidades moldadas pelo planejamento urbano colonial, em países que viram sua história recente quase que exclusivamente retratada como violenta por muitos meios de comunicação.

A cidade de Bangui, sem dúvida carrega as cicatrizes das violentas crises políticas recentes. É uma cidade de baixa densidade, com prédios altos espalhados. O traçado atual da cidade é um resquício direto do período colonial, com o atual centro, como a parcela mais urbanizada, além de ser o mais antigo bairro colonial. Atualmente, muitos desses edifícios, anteriormente coloniais, foram abandonados, sendo a maioria prédios administrativos construídos sob a ocupação francesa.

O centro da cidade de Bangui. Imagem © Wikimedia User Alllexxxis sob a licença Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International.
O centro da cidade de Bangui. Imagem © Wikimedia User Alllexxxis sob a licença Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International.

O livro retrata o arquiteto centro-africano-francês Thierry Bangui, defender a preservação dessas estruturas, e revisita um debate oportuno sobre a conservação arquitetônica e o que acontece quando um governo não tem os recursos adequados para se concentrar nestes assuntos, devido a questões externas, como instabilidade.

Kinshasa, por outro lado, assim como Bangui sofreu uma degradação, porém a cidade vive agora um boom da construção civil. A cidade também foi dividida em linhas raciais durante a época colonial, com a seção europeia construída ao longo do rio Congo e a seção africana construída ao sul do rio.

Kinshasa - Boulevard 30 de Junho. Imagem © Wikimedia User Antoine Moens de Hase sob a licença Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.
Kinshasa - Boulevard 30 de Junho. Imagem © Wikimedia User Antoine Moens de Hase sob a licença Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

Ecos dessa divisão são encontrados na atual Kinshasa, com o número crescente de condomínios fechados contribuindo ainda mais para uma cidade cada vez mais urbanizada, mas segregada em diversos aspectos. Kinshasa tenta construir sua própria identidade no mundo de hoje, mas às vezes deixa para trás o bem-estar de seus cidadãos. A recém-inaugurada Praça de 30 de junho, em Kinshasa Central, é uma importante intervenção em uma parte simbólica da cidade, porém é um espaço aberto sem árvores, atraindo uma quantidade incômoda de sol para a região.

Bangui e Kinshasa são apresentadas no livro como cidades complexas, dignas de exame e análise rigorosa. Em sua essência, o livro Sub-Saharan Africa Architectural Guide negligencia a romantização das cidades africanas nos tempos coloniais ou a pintura de um quadro unidimensional de um continente passivo. As cidades do continente africano são muito mais complexas.

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Sobre este autor
Cita: Maganga, Matthew. "Guia arquitetônico da África subsaariana: explorando a arquitetura de Bangui e Kinshasa" [Sub-Saharan Africa Architectural Guide: Exploring the Architecture of Bangui and Kinshasa] 23 Set 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Bisineli, Rafaella) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/968474/guia-arquitetonico-da-africa-subsaariana-explorando-a-arquitetura-de-bangui-e-kinshasa> ISSN 0719-8906

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