
No artigo desta semana da Metropolis Magazine, Kelly Beamon explora “a simbologia do telhado em duas águas”, analisando como muitos arquitetos contemporâneos têm se apropriado desta tipologia fundamental para ressignificar a sua própria essência. De acordo com Beamon, o telhado em duas águas é uma das mais tradicionais soluções arquitetônicas de cobertura, utilizada amplamente tanto em regiões de clima frio quando temperado, a qual está composta por dois planos inclinados e opostos os quais se encontram para formar a cumeeira. Como uma das soluções construtivas mais emblemáticas na arquitetura residencial dos EUA, este artigo procura analisar como este tradicional recurso tem sido reinventado ao longo das últimas décadas.
O telhado em duas águas pode ser considerado um símbolo tão preponderante da americanidade quanto a torta de maçã e embora as duas coisas sejam europeias em sua origem, ambas podem ser vistas hoje como a personificação máxima do universo doméstico americano. Entretanto, é importante notar que esta solução construtiva, apesar de ter sido difusamente utilizada desde a chegada dos primeiros imigrantes, se transformou e evoluiu com o tempo, assumindo distintas formas à medida que incorporava também novos materiais. Desta forma, podemos dizer que os telhados em duas águas encontra-se enraizados o território americano de forma tão profunda que até parecem uma solução autóctone por definição. E embora tenha sido combatida pelos arquitetos modernos ao longo de décadas, a cobertura em duas águas parece ressurgir como toda a força nos dias de hoje, tendo sido cada vez mais explorada e difundida por todo o território nacional.

