Pavilhão Britânico na Bienal de Veneza 2021 explora como tornar o espaço público mais inclusivo

Pavilhão Britânico na Bienal de Veneza 2021 explora como tornar o espaço público mais inclusivo

Com curadoria de Manijeh Verghese e Madeleine Kessler, co-fundadoras do escritório Unscene Architecture, a exposição do Pavilhão Britânico intitulada The Garden of Privatized Delights, na 17ª International Architecture Exhibition - La Biennale di Venezia, estará aberta ao público de 22 de maio a 21 de novembro de 2021. Encomendada pelo British Council, a exposição “reimagina como tornar o espaço público mais inclusivo, contrariando o rápido crescimento dos espaços de propriedade privada, com uma visão alternativa inspiradora que estimula ambos os setores a trabalhar em conjunto para criar espaços mais bem concebidos para todos”.

Como a Bienal foi adiada devido à pandemia global, os tópicos abordados no The Garden of Privatized Delights adquiriram nova relevância. Explorando temas como o fim das ruas comerciais principais; tecnologia de reconhecimento facial; e o declínio de espaços sociais dedicados aos adolescentes, a intervenção centra-se também nos espaços públicos. Madeleine Kessler explica que "a pandemia global destacou a importância de espaços públicos acessíveis e tornou a necessidade de abordar as questões de desigualdade ainda mais crítica. O The Garden of Privatised Delights propõe formas proativas em que podemos trabalhar juntos para uma sociedade mais justa, incluindo o projeto, para garantir que os espaços públicos sejam verdadeiramente acessíveis a todos”.

Transformado em uma série de seis espaços imersivos, o Pavilhão Britânico criará uma experiência interativa de arquitetura. Inspirando-se no tríptico do artista holandês Hieronymus Bosch, The Garden of Earthly Delights, a exposição questiona quem é o dono e quem usa o espaço público. Além disso, destaca desafios e oferece ideias sobre como fazer melhor uso dos espaços verdes em ambientes urbanos; podemos repensar como os terrenos públicos são alocados e usados; e como o pub local pode ser reaproveitado para servir à comunidade em geral? Nesse sentido, Manijeh Verghese acrescenta que "a rua, o pub e até mesmo o banheiro público estão mais ameaçados do que nunca. Os desafios de acesso a esses espaços são especialmente pertinentes, pois o isolamento nas comunidades está sendo sentido de forma ainda mais aguda. Como o espaço público foi tradicionalmente projetado e usado precisa ser repensado com urgência, e o The Garden of Privatized Delights pretende inspirar e encorajar ações para apoiar esses desafios".

Desenho por Kellenberger-White. Imagem Cortesia de The British Council
Desenho por Kellenberger-White. Imagem Cortesia de The British Council

Por outro lado, Kessler e Verghese convidaram cinco equipes adicionais para colaborar com elas na comissão do British Council: The Decorators; Built Works; Studio Polpo; Public Works e vPPR. Cada sala do pavilhão fará uma crítica de como os espaços públicos específicos são atualmente projetados e usados. Os temas explorados incluem:

  • Publicani (The Decorators) - o pub poderia ser mais do que um lugar para beber e se tornar um centro versátil para a ação cívica?
  • Ministry of Collective Data (Built Works) - poderíamos repensar a tecnologia de reconhecimento facial e liberar nossos dados coletivos para benefício público?
  • High Street of Exchanges (Studio Polpo) - poderia a rua ir além dos interesses comerciais para se tornar um lugar de intercâmbio social diversificado?
  • Ministry of Common Land (Public Works) - podemos usar assembleias de cidadãos para desenvolver novas estratégias de propriedade e uso da terra?
  • Play With (out) Grounds (vPPR) - podemos projetar novos espaços na cidade para os adolescentes ocuparem em seus próprios termos?
  • Garden of Delights (Unscene Architecture) - poderíamos abrir e reprogramar praças ajardinadas exclusivas para criar mais espaço público ao ar livre?

Continuamos trabalhando com uma equipe incrível de colaboradores para explorar diferentes tipos de espaços públicos privatizados no The Garden of Privatized Delights. Ao iniciar conversas sobre como os setores público e privado podem trabalhar juntos, esperamos estimular os espaços públicos que faltam nas cidades e torná-los acessíveis a todos. Ao expandir a definição do que pode ser um espaço público privatizado, bem como ao aumentar o debate sobre quem pode acessar, possuir, conceber e utilizar estas áreas, a nossa ambição continua ser inspirar espaços públicos mais acolhedores e benéficos para todos. - Manijeh Verghese e Madeleine Kessler.

Sabia mais sobre a equipe a seguir.

Curadoras

Manijeh Verghese and Madeleine Kessler. Imagem © Cristiano Corte
Manijeh Verghese and Madeleine Kessler. Imagem © Cristiano Corte

Manijeh Verghese é cofundadora da Unscene Architecture e Chefe de Engajamento Público da Architectural Association (AA), onde também é Unit Master of Diploma 12, líder do curso AA Professional Practice for Fifth Year, e membro da Equipe de Gestão Sênior. Nos últimos nove anos, ela liderou estúdios de arquitetura de pós-graduação e graduação na AA e na Oxford Brookes University e ministrou workshops e cursos em universidades no Reino Unido e no exterior. Anteriormente, ela trabalhou em escritórios de arquitetura, incluindo John Pawson e Foster + Partners, e contribuiu para criar publicações, grupos de reflexão, livros e periódicos. Atualmente é Examinadora Externa na Universidade de Cambridge e faz parte do painel curatorial do Festival de Arquitetura de Londres de 2021.

Madeleine Kessler é cofundadora da Unscene Architecture e diretora da Madeleine Kessler Architecture. Formada em arquitetura e engenheira estrutural, ela faz parte do Grupo de Design da Comissão de Infraestrutura Nacional e leciona na London School of Architecture and Architectural Association. Anteriormente, ela trabalhou em projetos culturais e públicos na Haworth Tompkins, HHF Architekten, Studio Weave e como associada na Haptic Architects. Ela trabalhou em projetos incluindo Battersea Arts Center, Kings Cross W3, St James's Market Pavilion e Theatre Royal Drury Lane. Seu trabalho foi exibido internacionalmente, inclusive na Trienal de Arquitetura de Oslo. Em 2020, ela foi nomeada no Architects ’Journal 40 under 40, e foi premiada com o RIBA Rising Star Award 2019.

Arquitetos do Pavilhão

British Pavilion © John Riddy. Imagem Cortesia deThe British Council
British Pavilion © John Riddy. Imagem Cortesia deThe British Council

A Unscene Architecture foi fundada por Madeleine Kessler e Manijeh Verghese em 2019. Ela opera em várias disciplinas e escalas para revelar as forças invisíveis que moldam nossas cidades, trabalhando com as comunidades locais para dar-lhes maior atuação sobre como usam e ocupam seus espaços. Fornecendo uma plataforma para desenho, pesquisa, curadoria e realização, visa provocar uma conversa mais ampla sobre a cidade por meio da ação, ao invés de apenas palavras.

The Decorators é um coletivo de arquitetos com experiência em arquitetura paisagística, design espacial, curadoria e psicologia. Eles trabalham com intervenções e ações para tornar as comunidades e redes sociais visíveis. Colocando a conversa no centro de seu processo, eles examinam os meios pelos quais podem manter um intercâmbio crítico e significativo entre as comunidades e as forças de regeneração urbana às quais estão sujeitas.

Built Works é uma prática criativa que explora a intersecção entre arte e arquitetura. Com foco em tecnologias emergentes e no impacto de seu uso sobre os cidadãos e o ambiente construído, ela constrói protótipos de conceitos e sistemas em escala real, a fim de testar ideias por meio de experimentos físicos.

Studio Polpo é um coletivo de arquitetura empresarial social com sede em Sheffield. Seu trabalho é realizado por meio de intercâmbios com outras pessoas, incluindo pessoas de diferentes disciplinas e experiências, uma abordagem que pode levar a uma arquitetura mais crítica, situada e responsiva. As práticas colaborativas permitem que o estúdio trate de questões mais amplas relacionadas à justiça espacial, social e ecológica. Ele está conectado a projetos ativistas, comunitários e culturais, e trabalha com eles para co-construir questões, temas e locais de ação.

Public Works é uma prática crítica de projeto sem fins lucrativos criada em 2004 para ocupar o terreno entre arquitetura, arte e performance. Junto com uma rede interdisciplinar, o estúdio retrabalha as oportunidades da cidade em direção ao desenvolvimento voltado para o cidadão. Seu objetivo é criar relacionamentos duradouros que construam pontos em comum e confiança e possibilitem a coautoria.

vPPR Architects foi criada em 2009 por Tatiana von Preussen, Catherine Pease e Jessica Reynolds. O estúdio acredita no cruzamento contínuo entre arte e arquitetura, buscando soluções criativas que fortaleçam as comunidades, sejam elas grandes ou pequenas. A prática está trabalhando em projetos de habitação pública, culturais e de uso misto e recentemente completou um cenário de jogos multi-geracional no Higham Park, em Londres.

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Sobre este autor
Cita: Harrouk, Christele. "Pavilhão Britânico na Bienal de Veneza 2021 explora como tornar o espaço público mais inclusivo" [The British Pavilion at the 2021 Venice Architecture Biennale Explores How to Make Public Space More Inclusive] 06 Abr 2021. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/959509/pavilhao-britanico-na-bienal-de-veneza-2021-explora-como-tornar-o-espaco-publico-mais-inclusivo> ISSN 0719-8906

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