
Ao longo de quase um século, o maior sonho do americano médio era comprar uma casa com jardim, garagem e uma cerquinha branca. O sonho da casa própria e a ideia de viver em um bairro familiar afastado da agitação da centro da cidade eram considerados o estilo de vida ideal e o auge do sonho americano. Mas com o passar do tempo e as sucessivas crises econômicas e sociais que abalaram os Estados Unidos ao longo das últimas décadas, as autoridades locais começaram a perceber que bairros suburbanos exclusivamente residenciais não necessariamente eram um sonho, mas sim, um pesadelo.
Embora sejam muitos os motivos pelos quais as cidades estadunidenses tenham se tornado extremamente desiguais ao longo das últimas décadas, um dos fatores determinantes por trás do desproporcional aumento do custo da terra em áreas urbanizadas do país tem a ver com planos de zoneamento urbano ultrapassados e a consequente falta de oferta de moradias populares e acessíveis. Considerando o fracasso de muitos projetos recentes de revisão de planos diretores em proporcionar novas oportunidades e estabelecer moradias a preços acessíveis, sem falar na sensação de desconfiança que eles provocam, ainda há um grande desafio pela frente no que se refere ao estabelecimento de cidades mais acessíveis, democráticas e consequentemente, menos violentas. Ao longo das últimas décadas, a sociedade norteamericana voltou-se à cidade grande, com as novas gerações cada vez mais urbanas e menos suburbanas, algo incompatível com o antigo sonho da casa própria e a consequente hipoteca de trinta anos que à acompanha. Neste contexto, é imperativo que as leis de zoneamento urbano passem por uma revisão e atualização para que as cidades possam melhor se adaptar às demandas do século XXI.





