Os melhores trabalhos de conclusão de curso em 2020

Os melhores trabalhos de conclusão de curso em 2020

Anualmente, realizamos uma chamada de trabalhos finais de graduação do nosso público aberta a todos os países lusófonos. Com isso, buscamos selecionar os projetos que consideramos os mais interessantes a fim de apresentar visões inspiradoras e debates para o campo da arquitetura e do urbanismo.

A seleção destes trabalhos é realizada de acordo com os quais julgamos mais bem apresentados, graficamente interessantes e cuja temática abordada consideramos instigante e oportuna a um trabalho de conclusão de curso. Mais que simplesmente resolver um projeto de modo satisfatório, entendemos que um TCC/TFG – por condensar os esforços do estudante em um momento de passagem da academia para a vida profissional (mas, importante mencionar, ainda fazendo parte da trajetória acadêmica) – deve levantar questões e incitar a discussão acerca do tema proposto.

Nesta edição, recebemos 427 propostas de todo o Brasil, Portugal e Moçambique. Sendo:

  • 52,6% da região Sudeste brasileira;
  • 30% da região Sul brasileira;
  • 8,6% da região Nordeste brasileira;
  • 5,5% da região Centro-Oeste brasileira;
  • 1,7% de Portugal;
  • 1,4% da região Norte brasileira;
  • 0,2% de Moçambique.

Nesta edição, o curso {CURA} premiará os autores e as autoras dos seguintes trabalhos selecionados com bolsas para o curso completo Método {CURA}, que será realizado de modo virtual.

Vale ressaltar que as propostas que não seguiram o regulamento ou apresentaram uma quantidade insuficiente de material para avaliação foram desclassificadas. Agradecemos o interesse de todos estudantes que enviaram seus projetos e desejamos uma boa sorte na vida profissional!

Finalmente, veja a seguir nossa seleção* dos 40 melhores trabalhos de conclusão de curso dos países de língua portuguesa acompanhados pelas descrições enviadas por seus autores e autoras.

A interlocução no espaço ancestral - tekoá jatai'ity . mbyá guarani

Autora: Branca Torres
Orientadores: Maria Ayara Mendo Perez e Diego Portas
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Branca Torres
Imagem Cortesia de Branca Torres

Este trabalho procura contribuir para a visibilidade dos povos nativos não somente na academia, mas também no meio profissional da arquitetura. Reconhecer seus saberes-referência de visão de mundo, relações e construção de espaço é um caminho possível para a produção de uma arquitetura condizente com a nossa história.

Como processo participativo, o trabalho esbarrou em dificuldades de difícil manipulação, mas conseguiu agregar o máximo de conhecimento adquirido no tempo de troca que foi possível e, a partir de agora, oferece uma base para futuros projetos que hão de ser realizados na aldeia Jatai’ity e em outras aldeias. Pretende-se levar esse material aos guarani como forma de reconhecimento pelo espaço aberto e contribuir com o que eles desejarem construir.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Branca Torres
Imagem Cortesia de Branca Torres

Centros de expressão cultural e lazer: a arquitetura como evento

Autora: Gabriela Luiza Mira
Orientador: Thiago Albino Maso
Instituição: Centro Universitário Católica de Santa Catarina (Joinville/SC)

Imagem Cortesia de Gabriela Luiza Mira
Imagem Cortesia de Gabriela Luiza Mira

O objetivo deste projeto é explorar a interação entre dois pontos: a cultura e a arquitetura como evento. Como crítica à centralidade em que se encontram os locais considerados culturais de Joinville, surgiu a ideia de diluir o edifício centralizado e distribuí-lo em diversos pontos pela cidade, proporcionando visibilidade ao que ocorre no município, se utilizando das teorias de arquitetura como evento e disjunção, do arquiteto Bernard Tschumi, com o Parc de La Villete como referência principal. Esse é um trabalho de conclusão de curso conceitual.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Gabriela Luiza Mira
Imagem Cortesia de Gabriela Luiza Mira

Infraestrutura no Brasil Profundo: Possibilidades para o Vale do Ribeira

Autor: Gabriel Lisboa
Orientador: Fabio Mariz
Instituição: Universidade de São Paulo - FAUUSP (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Gabriel Lisboa
Imagem Cortesia de Gabriel Lisboa

Esse trabalho é um diário de viagens pelo litoral sul de São Paulo. Viagens que representam a imersão em um conjunto de cidades, rios, matas e povoados quase esquecidos, pouco explorados e de riqueza única!

Embora seja possível acessar o Vale do Ribeira com algumas poucas horas de estrada a partir do centro de São Paulo, podemos afirmar que as várias situações e paisagens lá existentes, carregam traços paradigmáticos das regiões profundas do Brasil. São esses traços: A baixíssima densidade demográfica; as mais extensas áreas de vegetação nativa da Mata Atlântica e com isso e, por fim, a significativa presença de comunidades tradicionais.

O trabalho tem como objetivo propor, tendo em vista o COVID-19, um sistema móvel de saúde que se complemente com um sistema de transporte hídrico no Canal do Mar Pequeno, que cruza os municípios de Iguape, Cananéia e Ilha Comprida: um eixo de transporte importante para a região. Além de edifícios voltados à saúde e ao turismo, são desenhados barcos, píeres, cais, faróis, portos, atracadouros e tudo o que diz respeito a esse universo.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Gabriel Lisboa
Imagem Cortesia de Gabriel Lisboa

Conexões Criativas: Um Centro Tecnológico para o 4º Distrito

Autora: Magali dos Santos 
Orientadores: Eliane Constantinou e Carlos Fernando Bahima
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Porto Alegre/RS)

Imagem Cortesia de Magali dos Santos
Imagem Cortesia de Magali dos Santos

O 4º Distrito conta a história da cidade, uma vez que, foi nessa região que começaram a se desenvolver a economia e indústria de Porto Alegre. No entanto, com o crescimento da cidade, a falta de planejamento urbano, desencadearam o esvaziamento e abandono da região. Assim a região foi condenada, abrigando uma infinidade de prédios precários e completamente abandonados.

O novo plano diretor, propõe instalação de programas culturais, educacionais, inovadores, de geração de conhecimento e de tecnologia, caracterizando o distrito como um polo criativo.

É nesse contexto que o Centro tecnológico do 4º se encaixa na região: se trata de um centro para pesquisa e criação de inovação urbana, que irá impulsionar transformações e novos negócios por meio da conexão entre universidade, empresas, startups e agentes de inovação. Para a abordagem de tal tema, buscou-se a reutilização de uma estrutura existente, as edificações da antiga fábrica de tecidos Guahyba, visando a requalificação do patrimônio industrial, articulando o território remanescente da desindustrialização, o conjunto industrial não utilizado e o edifício proposto através da recuperação física e da reconversão funcional desses espaços, com objetivo de resgatar sua memória fabril, incentivando sua preservação e transmitindo a cultura histórica local e identidade do bairro.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Magali dos Santos
Imagem Cortesia de Magali dos Santos

Requalificação do Eixo Ferroviário de Nova Iguaçu, uma perspectiva metropolitana sobre os trens urbanos

Autor: Rafael de Souza Silva
Orientador: Paulo Sérgio Alves Aguiar
Instituição: Universidade Estácio de Sá - UNESA (Niterói/RJ)

Imagem Cortesia de Rafael Souza
Imagem Cortesia de Rafael Souza

REQUALIFICAÇÃO do eixo ferroviário de Nova Iguaçu, costurando uma cidade separada desde sua fundação, propondo soluções.

O desenvolvimento do município começa no entorno da linha férrea, com a construção dos casarões dos Barões da Laranja, e nesta época deixava evidente a divisão socioeconômica que iria acontecer anos mais tarde. Hoje esse trecho é conhecido como ramal de Japeri e o principal motivo para a expressão: ‘’LADO DOS RICOS E LADO DOS POBRES’’.

Com a publicação do Plano Estratégico Urbano Integrado, desenvolvido para Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, é lançado um conjunto de diretrizes para Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), assim começa a se desenvolver soluções para a Baixada Fluminense e para as FRATURAS URBANAS causadas pelas linhas que cortam a RMRJ. Neste projeto desenvolvo três possibilidades, apontando potencialidades e dilemas de cada cenário: OCUPAR, ELEVAR E MERGULHAR. O projeto é inspirado nos laranjais que cobriam parte do território do município, com o início da Segunda Guerra houve uma grande queda na exportação de laranjas, a partir deste fato muitas fazendas foram loteadas, gerando o urbanismo de forma desorganizada. Sendo assim, o paisagismo se inicia dos raios do obelisco até representar os lotes vistos de cima.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Rafael Souza
Imagem Cortesia de Rafael Souza

Um ensaio sobre a cidade: viver em tempos paralelos

Autora: Giovanna do Val Custódio
Orientadores: Daniel Corsi e Angelo Cecco
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Giovanna do Val Custódio
Imagem Cortesia de Giovanna do Val Custódio

Pensar o vazio como agente estruturador parece essencial em cidades que se transformaram tão rapidamente em grandes metrópoles, como a cidade de São Paulo. Os vazios podem abrigar dinâmicas de fluxos impostas e geradas pelos sólidos, que por vezes são construídos sem considerar esses espaços.

Identificando os largos como pontos de convergência em que o vazio está incluído e reconhecendo estes como geradores de possibilidades, as ações aqui propostas se constroem em três tempos, três largos. Busca-se fazer desses espaços pontos de sentido através da ressignificação dos limites do espaço público.

No tempo 1, propõe-se a adição de estruturas que se acoplam em duas empenas, configurando ora módulos de acesso ao público, ora varandas para os moradores e usuários dos edifícios, enquanto no térreo uma praça seca se coloca como extensão da Rua São Bento. No tempo 2, a proposta de uma praça elevada em uma cobertura gera uma nova cota publica, uma ampliação do Largo do Café. Acima dela, plataformas mecânicas configuram diferentes níveis, criando ambientes efêmeros. No tempo 3, propõe-se volumes translúcidos que se movem configurando diversos espaços, interagindo com o painel pintado por Maurício Nogueira Lima. Ressignificando, assim, não somente o painel, mas também o espaço público.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Giovanna do Val Custódio
Imagem Cortesia de Giovanna do Val Custódio

Favela de nome, cidade de fato

Autora: Kelly Alencar
Orientadora: Ligia Pinheiro de Jesus
Instituição: Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU FIAM-FAAM (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Kelly Alencar
Imagem Cortesia de Kelly Alencar

Aprendemos a interpretar a favela como um local insalubre, criminalizado e com falta de infraestrutura, responsável por espalhar essas problemáticas por toda a cidade. Entretanto, não é a favela em sua precariedade material que sufoca a cidade, e sim o contrário. “A pressão socioeconômica exercida pelos centros urbanos esmagam as potencialidades transformadoras dos territórios nas periferias da cidade” (BASSANI, 2016). A favela é uma cidade de fato.

O trabalho estuda as favelas Iguaçu e Jardim Planalto, localizadas entre o distrito do Sapopemba em São Paulo e um trecho no município de Santo André, onde se situa o perímetro da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Oratório, com o objetivo de desenvolver estratégias de reurbanização que possam qualificar essas áreas. Espera-se para estes locais mais do que potencializar as áreas existentes de luta e pertencimento que tenham a qualidade de vida transformada, pelos moradores. Faz-se necessário reivindicar pelo direito à cidade através da qualificação de vazios que são resíduos da autoconstrução, regularização urbanística e fundiária, assistência técnica, participação e envolvimento dos moradores no processo de projeto e intervenção.

Através do plano urbanístico proposto, esses espaços que hoje são invisíveis ao olhar da comunidade serão trabalhados tornando-os visíveis para os mesmos.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Kelly Alencar
Imagem Cortesia de Kelly Alencar

Atlas XV: investigações para um método de representação de corpografias urbanas cotidianas

Autor: Matheus Lima Rodrigues
Orientador: Gustavo Badolati Racca
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Matheus Lima Rodrigues
Imagem Cortesia de Matheus Lima Rodrigues

Este trabalho teórico objetiva a sistematização de um método de produção de representações gráficas “vivificadas”, construídas sobre bases etnográficas, para contribuir com novas leituras sobre o espaço urbano e, a partir das alteridades de sua microescala, de suas corpografias e tempos, se contrapor às macronarrativas criadas sob interesse de espetacularização urbana e de manutenção de hegemonias.

Tomando como base obras “contra-hegemônicas” contemporâneas e contribuições teóricas de outros campos de saber, identificamos elementos comuns à produção gráfica – corpo, objeto representado, instrumento, produto gráfico e interface – e investigamos as potencialidades e as particularidades de cada variável em um trabalho realizado na Praça XV de Novembro, no Centro do Rio de Janeiro – por sua iconografia, resultante de sua importância como espaço público em vários tempos da cidade – onde os suportes desenho, fotografia e vídeo são utilizados como práticas estratégicas para sensibilizar quem projeta ao cotidiano e às reverberações do projeto urbano.

Utilizamos o formato de atlas, em referência às montagens visuais de Aby Warburg (Bilderatlas Mnemosyne), para a construção de um sítio eletrônico capaz de orientar as representações criadas, reunindo temporalidades diversas, obtidas por meio de pesquisa e de montagem, evidenciando fios narrativos possíveis e incentivando novas interpretações e reações a partir destes.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Matheus Lima Rodrigues
Imagem Cortesia de Matheus Lima Rodrigues

Materialização de Uma Memória Amputada | Proposta de Intervenção no Palácio de Manique do Intendente

Autora: Inês Sofia Bernardo Lopes
Orientador: Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos Correia
Instituição:  Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra | Darq - FCTUC (Coimba/Portugal)

Imagem Cortesia de Inês Sofia Bernardo Lopes
Imagem Cortesia de Inês Sofia Bernardo Lopes

Construído como peça central de um ambicioso plano urbano iluminista, o Palácio de Manique do Intendente é um fragmento de um sonho amputado pelo assassinato do seu promotor, Diogo Inácio Pina Manique. A obra, nunca terminada, foi ao longo do tempo alvo de furtos, adaptações e ampliações que alteraram em grande parte a sua fisionomia. Também a construção arbitrária envolvente contribuiu para que a relação do edifício com a vila se visse drasticamente alterada dos planos iniciais. Indiferente aos habitantes com os quais está há muito divorciada, a obra não passa despercebida por quem ali é visitante. Imponente e monumental, o edifício setecentista, que permanece em ruína, constitui-se como um importante testemunho histórico e arquitetônico da época.

À luz do programa REVIVE, torna-se imperativo refletir sobre esta herança expectante, reclamando-a para usufruto público. O exercício propõe a construção de um instrumento de regeneração urbana, social e económica numa readaptação às necessidades atuais. Materialização de uma memória amputada ganha forma através de uma proposta de intervenção sobre o construído que contrarie a tendente degradação deste património e do meio que o envolve, numa tentativa de completar e requalificar o edifício com um novo programa turístico regenerador do espaço e economicamente rentável.


Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Inês Sofia Bernardo Lopes
Imagem Cortesia de Inês Sofia Bernardo Lopes

Memória Flutuante: Complexo Cultural, Ambiental e Científico Ilha da Casa da Pólvora

Autora: Mariana Samurio
Orientador: Nicolás Sica Palermo
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Porto Alegre/RS)

Imagem realizada por Bruna Feltes. Cortesia de Mariana Samurio
Imagem realizada por Bruna Feltes. Cortesia de Mariana Samurio

À poucos quilômetros do centro de Porto Alegre encontra-se uma das maiores áreas naturais da região metropolitana: o Delta do Jacuí. Conjunto de cursos d’água e ilhas que guardam fauna e flora nativas, cuja biodiversidade iguala-se às florestas tropicais. Em meio à crise ambiental que enfrentamos é preciso reforçar a importância que estes ambientes representam.

Com intuito de resguardar a paisagem e construções históricas ali presentes, que sofrem com abandono e falta de investimentos do governo, este trabalho propõe a criação de um Complexo Cultural, Ambiental e Científico numa das ilhas do Delta, a Ilha da Casa da Pólvora. Foram criados três centros, alocados junto às preexistências da Casa da Guarda, Paiol e Casa da Chácara: memória (programa cultural); conhecimento (educação e pesquisa) e paisagem (trilhas e áreas ao ar livre).

A proposta busca resgatar a relação perdida da cidade com o rio ao criar um ponto turístico com vocação ambiental-educativa no meio do Guaíba. A proximidade com o Centro Histórico da capital gaúcha ressalta o potencial como atrator local, além de proporcionar vistas panorâmicas para a cidade. Assim, cria-se um espaço público onde as pessoas possam compreender sua história, vivenciar e aprender sobre o meio ambiente para, enfim, preservá-lo.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Mariana Samurio
Imagem Cortesia de Mariana Samurio

A doméstica de Magé - Uma arquitetura em 8 atos

Autor: Pedro Vitor Costa
Orientadores: Cauê Capillé e Maria Ayara Mendo
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Pedro Vitor Costa
Imagem Cortesia de Pedro Vitor Costa

O trabalho inicia uma investigação do território periférico a partir da vivência de 8 empregadas domésticas. 8 moradoras da cidade de Magé, cidade pertencente a região metropolitana do Rio de Janeiro, que possuem o cotidiano marcado pelo movimento pendular. A partir de entrevistas e relatos se constrói uma cartografia que conecta a história do território à memória das protagonistas, numa busca por compreender a rotina e as horas vividas diariamente. A narrativa percorre diversas escalas e camadas e passa revelar as estruturas coloniais preservadas pela morfologia urbana e espaços projetados.

A pesquisa se volta, então, para o ato de projetar e expõe a necessidade de questionamento de modelos hegemônicos para construção de novas formas de compreensão do corpo, espaço e tempo na arquitetura.

O processo é compilado no protótipo de um livro, marcado pelo cruzamento de diversas formas de linguagem e apreensão da realidade. Um ensaio prático-teórico que se compromete mais com a provocação de novos questionamentos do que com o anseio por respostas.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Pedro Vitor Costa
Imagem Cortesia de Pedro Vitor Costa

Ressignificando caminhos: a arquitetura no desastre

Autora: Laura Grimberg De Sousa Chaveca
Orientador: Guido Paulo Kaestner Neto
Instituição: Universidade Regional de Blumenau - FURB (Blumenau/SC)

Imagem Cortesia de Laura Grimberg De Sousa Chaveca
Imagem Cortesia de Laura Grimberg De Sousa Chaveca

Desastres naturais ocorrem historicamente em Blumenau. O grande volume de chuvas que acomete a cidade faz com que muitas comunidades sofram, principalmente, com deslizamentos de terra. Famílias perdem muito do pouco que tem e necessitam alojar-se, temporariamente, em abrigos. Estes, raramente oferecem as condições necessárias para uma recuperação emocional dos ocupantes, que muitas vezes se deparam com espaços violentos e sem privacidade, quando deveriam encontrar um ambiente acolhedor.

Assim, nasceu a ideia deste projeto: projetar um abrigo temporário que proporcione conforto, amparo e privacidade para as comunidades afetadas por desastres. Esses foram feitos para serem montados pelas mulheres, já que elas e as crianças são as maiores vítimas.

O projeto também busca combater o ócio, com a proposta de varanda, possibilitando atividades cotidianas de trabalho ou lazer. O módulo traz, também, flexibilidade na escolha de materiais e composição de implantação. Ele foi desenvolvido em encaixes e dispõe de um manual de montagem objetivo.

Rotas de fuga foram pensadas para orientação interna da comunidade e rotas de entrada implantadas como um convite à cidade. Objetivando o uso dos módulos pós-desastre, outras ideias de uso foram sugeridas, como em feiras e projetos educacionais, transcendendo, então, a ideia de temporariedade.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Laura Grimberg De Sousa Chaveca
Imagem Cortesia de Laura Grimberg De Sousa Chaveca

ARQUITETURA DO AR: o vazio como suporte do devir

Autora: Victória Michelini
Orientadores: Ana Slade e Cauê Costa Capillé
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Victória Michelini
Imagem Cortesia de Victória Michelini

Parte-se da percepção de uma tipologia arquitetônica recorrente no Rio de Janeiro: o edifício de quitinetes. Depois, visita-se um deles com foco na vida de quem o habita.

A análise de dois corpos coabitando 17m² revela como a vida real é sufocada para se enquadrar ao ambiente. A metáfora “casa-estojo”, de Walter Benjamim, adapta-se para o binômio apartamento-gaveta.

Mas dentro da gaveta a vida não cabe: precisa-se de mais. Os corpos querem receber, lavar, trabalhar e criar. Precisam do espaço do devir; do que ainda não é, mas será um dia. Precisam respirar. Mais do que nunca, PRECISAM DE AR.
Com um novo olhar sobre a tipologia do edifício em questão, busca-se uma nova forma de entender o espaço doméstico em relação à cidade. Ações que se aproximam metaforicamente dos cortes de Gordon-Matta-Clark, buscam o caminho no decrescimento e no desfazimento do espaço.

Assim, partindo da estrutura existente, ações pontuais de subtração e adição buscam borrar e complexificar barreiras entre dentro e fora (circulações ao aberto, espaços semi-urbanos, bancos transversais) e criar suportes para o inesperado (paredes móveis, acessos duplos a unidades). Vazios acolhedores do devir e possibilitadores do vácuo necessário para que o ar estagnado seja ar em movimento.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Victória Michelini
Imagem Cortesia de Victória Michelini

CCAATEA - Centro de Convivência para Adolescentes e Adultos com Transtorno do Espectro Autista

Autor: Vinicius Gabriel Gomes da Silva
Orientador: Felipe Corres Melachos
Instituição: Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Vinicius Gabriel Gomes da Silva
Imagem Cortesia de Vinicius Gabriel Gomes da Silva

A proposta se contempla em projetar um espaço de convivência e apoio às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), na cidade de São Paulo, que atenda as reais necessidades desta população na área cognitiva, comportamental e social, constituindo a otimização da arquitetura em um ambiente adaptado e adequado, a fim de estabelecer aspectos sensoriais e perceptivos a esses indivíduos.

Entretanto, se inicia a setorização por meio de blocos relativamente autônomos empilhados de forma desalinhada, que de certa forma se multiplicam em espaços de contemplação e permanência para os indivíduos do espectro autista, gerando assim enquadramentos inusitados da paisagem perante a disposição dos cheios e vazios. A sua forma pura e concreta, se constitui de um quadrado com quatro extremidades, onde os indivíduos associam a sensação de auto-regulação para si, como maneira de manter a noção espacial perante a variação dos blocos. A circulação se caracteriza através de um conjunto de rampas que percorre sucessivamente os diferentes níveis, como se trouxesse para dentro da edificação uma extensão de cidade. Assim a sensação de percorrer sobre o edifício estimula a esses indivíduos, o sequenciamento espacial perante os níveis com a atividade de tratamento em torne de atividades da vida diária.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Vinicius Gabriel Gomes da Silva
Imagem Cortesia de Vinicius Gabriel Gomes da Silva

Oásis Urbano: Um Laboratório Verde para a Cidade

Autora: Sulâni Kurtz
Orientador: Marcos Antonio Leite Frandoloso
Instituição: Universidade de Passo Fundo - UPF (Passo Fundo/RS)

Imagem Cortesia de Sulâni Kurtz
Imagem Cortesia de Sulâni Kurtz

Ao refletir sobre a atualidade, criaram-se diversos questionamentos: como Arquitetos e Urbanistas podem dar forma à um futuro melhor? Qual é o futuro que desejamos construir? Qual será a marca que deixaremos para as futuras gerações? Assim, a proposta vem como uma investigação para essas perguntas, baseadas no entendimento que a sustentabilidade é o caminho, em diálogo com a conservação do meio ambiente, a redução de resíduos e, também, o repensar as cidades em que vivemos.

Pensando global e agindo local, achou-se pertinente a utilização de um espaço degradado e abandonado, que faz parte da paisagem urbana há 57 anos. E por isso, tanto a área como o patrimônio construído, são regenerados, reciclados e reativados através de programas que aliam a sustentabilidade à vivência comunitária, desse espaço central no tecido urbano, transformando-o em um espaço vivo, rico em biodiversidade social e ambiental, um Oásis em meio a cidade.

Desta maneira, o Parque Oásis Urbano investiga a potencialidade desse espaço como um epicentro de práticas sustentáveis capazes de organizar a comunidade em torno de soluções. Sua presença será uma constante lembrança da capacidade de mudança dos espaços industriais, assim o Silo que conservava grãos conservará o meio ambiente.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Sulâni Kurtz
Imagem Cortesia de Sulâni Kurtz

Reinserção social e recuperação da cidadania: um conjunto habitacional para pessoas em situação de rua

Autora: Karina Deconto
Orientadores: Carlos Bahima e Eliane Constantinou
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Porto Alegre/RS)

Imagem Cortesia de Karina Deconto
Imagem Cortesia de Karina Deconto

Apesar do investimento cada vez maior em recursos públicos, o número de indivíduos em situação de rua só vem aumentando. Isso acontece porque a questão da moradia provisória é vista apenas pelo viés do uso, sem viabilizar a possibilidade de uma solução definitiva.

O projeto do conjunto habitacional para pessoas em situação de rua vai muito além da moradia permanente: ele integra a população com os espaços e usa a arquitetura como uma ferramenta de reinserção social. Isso se dá através da criação de um plano, baseado no modelo Housing First, que conta com um núcleo de apoio localizado no próprio conjunto habitacional, que abrange todos os serviços necessários para a recuperação e reinserção dessas pessoas na sociedade.

A moradia permanente ocorre a partir da construção de um módulo habitacional econômico e de fácil montagem, produzido pelos próprios beneficiários, através de oficinas profissionalizantes. As unidades possuem paredes modulares e se adaptam em diferentes cenários, podendo ser aplicado em terrenos ociosos e dentro de preexistências, contribuindo assim, para a solução de mais uma problemática sensível às cidades brasileiras: o aumento do número de edificações desocupadas, que deixaram de cumprir com seu papel social e encontram-se em estado de abandono.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Karina Deconto
Imagem Cortesia de Karina Deconto

Coração de Negro - Complexo Escolar Quilombola

Autora: Vanessa dos Anjos Costa
Orientadora: Colette Dulce Dantas Gomes
Instituição: Universidade Tiradentes - UNIT (Aracaju/SE)

Imagem Cortesia de Vanessa dos Anjos Costa
Imagem Cortesia de Vanessa dos Anjos Costa

O Complexo Escolar Coração de Negro desenvolvido para a comunidade quilombola de Sítio Alto, Simão Dias/SE é voltado para atender crianças entre 0 a 14 anos em período integral, auxiliar no processo de equidade social e contribuir na manu­tenção dos requisitos socioculturais para as gerações atuais e futuras. O diagnóstico do projeto foi fundamentado em pesquisas locais e interações com o quilombo. A perpetuação dos saberes, memórias e espiritualidade definem os pontos predominantes do projeto. Seu conceito está baseado no marco territorial e ancestral da árvore Coração de Negro, situada na extremidade da comunidade. Foram incorporados os elementos da sua formologia orgânica de copa circular, raízes, conexões e nós, atribuindo-a como um elemento forte de valorização cultural, memória e identidade local. O partido arquitetônico promove uma inter-relação entre as tradições locais, crenças, métodos construtivos anteriormente utilizados no processo de formação da comunidade. Cujo materiais predominantes são o uso da terra, madeira e vegetação abundantes nas proximidades. Foram adotadas estratégias bioclimáticas que auxiliam na ventilação e iluminação natural dos espaços.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Vanessa dos Anjos Costa
Imagem Cortesia de Vanessa dos Anjos Costa

Paralelo 22

Autor: Caio Guaraná Tavares Cavalcanti
Orientadores: Diego Portas e Marina Correia
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Caio Guaraná Tavares Cavalcanti
Imagem Cortesia de Caio Guaraná Tavares Cavalcanti

Linhas imaginárias cortam o mundo. Tornam reais conceitos e delimitam territórios, nações e países. Acolhem e separam o ser humano contemporâneo. Métrica que define até mesmo o tempo. Quando no mundo, procuramos essas linhas.

O projeto surge a partir de uma dessas: o paralelo 22°58’08”S. Marcar a areia e nos posicionar perante o mundo.

Uma linha de 550m de extensão que corta as areias de Copacabana e invade o mar em três trechos:
O primeiro: uma sombra, faz um controle da escala monumental da praia. Um abrigo.
O segundo: um piso em direção ao mar. O estável em meio ao mutável.
O terceiro: uma plataforma flutuante. Descobrimos um novo território e olhamos a cidade de onde nunca estivemos.

Escavando as areias, encontramos as rochas e sedimentos da artificialidade dessa praia. Deixamos entrar a água do mar. Reaproximamos da cidade a água que ali já esteve. O mar se expande para dentro.

Um projeto bruto que já nasce como ruína, uma parte de uma linha, incompleto. Não é uma experiência definitiva e arrumada. Depende das relações vivas entre os que estão. Que tenta fazer pensar e refletir.
Um projeto melancólico, que busca uma percepção aguda do mundo.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Caio Guaraná Tavares Cavalcanti
Imagem Cortesia de Caio Guaraná Tavares Cavalcanti

Vírgulas Arquitetônicas: respiros e inflexões urbanas

Autor: Dante Akira Uwai
Orientador: Eliel Américo Santana da Silva
Instituição: Universidade de Brasília - UnB (Brasília/DF)

Imagem Cortesia de Dante Akira Uwai
Imagem Cortesia de Dante Akira Uwai

O ponto de partida foi criar uma realidade dentro da realidade, uma experiência situacionista em um dos epicentros de transformação urbana no Brasil, o centro histórico de São Paulo.

A deriva situacionista orienta o trabalho em sua escala urbana. A partir de um ponto de interesse, traça-se um círculo mágico, referência ao Homo ludens de Johan Huizinga, que convida o usuário a explorar a cidade e reinterpretar lugares invisíveis no cotidiano.

No raio de ação são propostos 11 projetos: intervenções temporárias que, por meio da materialidade e cor, formam uma constelação, conectando-se na escala urbana e extrapolando os limites do lote. Os projetos fazem uso dos Terrain Vague existentes, criando um projeto que é a própria cidade, revisitada. O uso é sugestivo, porém não é engessado, incentivando a experimentação e uma reinterpretação do lugar.

É papel do arquiteto, por vezes, distanciar-se das normas e programas e ter um olhar focado no fim e não no meio. Dito isso, adquire-se uma postura utópica e ativa na interpretação da sociedade e do futuro da cidade, criando espaços que potencializam as narrativas geradas pelos próprios usuários. Aqui a cidade é protagonista, extensão da obra arquitetônica.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Dante Akira Uwai
Imagem Cortesia de Dante Akira Uwai

SESC MAUÁ: um farol em meio ao caos urbano

Autora: Natália Zaffari
Orientadora: Marta Silveira Peixoto
Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (Porto Alegre/RS)

Imagem Cortesia de 23E32 Studio
Imagem Cortesia de 23E32 Studio

A temática visa recapturar a força do local que abriga uma das sedes da Companhia Estadual de Silos e Armazéns. O edifício existente representa um dos principais marcos visuais da cidade e possui grande importância para sua história. O que antes distribuía grãos por todo estado, tratará de distribuir arte e cultura. Assim, a proposta remete ao conceito de um farol, que pode ser visto de longe, atraindo, com sua luz, visibilidade para uma área esquecida.

O SESC surge como o viabilizador desta transformação. O que antes onerava o município, agora se torna um ativo importante, conectando-se pessoas, cultura, história, tecnologia e natureza .O tema traz, portanto, a união de potencialidades que são pouco exploradas na cidade de Porto Alegre, a instituição SESC e o lago Guaíba.

O programa busca trazer a relação do tempo. Os silos, existentes, são a peça principal da proposta, buscando-se destacar sua expressividade e verticalidade. O edifício trata de resgatar o passado, através de exposições sobre a cidade além de buscar resgatar sua própria história, o armazenamento de grãos. O novo edifício representa o futuro, com foco na cultura e ensino, incentivando o desenvolvimento da cidade e complementando os usos do seu entorno.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Natália Zaffari
Imagem Cortesia de Natália Zaffari

Memorial e Centro de Pesquisa da Cultura e Diversidade Sexual e de Gênero

Autor: Renan Araújo de Carvalho
Orientador: Alexandre Suárez de Oliveira
Instituição: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP (Bauru/SP)

Imagem Cortesia de Renan Araújo de Carvalho
Imagem Cortesia de Renan Araújo de Carvalho

Apesar de ser uma característica intrínseca ao ser humano, a homossexualidade sempre esteve envolta em tabus e preconceitos que configuraram sua marginalidade cultural e política. Desse modo, a história de luta, as conquistas e contribuições das minorias sexuais foram sujeitas à invisibilidade e ao ostracismo social.

A atual desvalorização das distintas identidades sexuais e de seu patrimônio cultural foram fatores que levaram à pesquisa que demonstrou, em âmbito local, nacional e internacional, os excludentes processos que resumiram as minorias sexuais à ocupação das mazelas dos espaços públicos e sua árdua trajetória na conquista de seu direito à expressão, à cidade e aos espaços dignos.

Desse modo, em um parque símbolo da cidade de Bauru – interior do estado de São Paulo – o edifício trans(a)parente emerge e complementa a história de um projeto paisagístico e urbano incompleto, que originalmente visava a existência de um teatro coberto no local onde foi planejado este ensaio. O projeto arquitetônico de um centro de pesquisa social, de caráter memorial e museológico, se dispõe a materializar e salvaguardar a cultura da comunidade LGBTQIA+, promovendo assim um espaço político e educacional de apoio, acolhimento, convivência e expressão das distintas imagens identitárias sexuais.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Renan Araújo de Carvalho
Imagem Cortesia de Renan Araújo de Carvalho

ExtraOrdinário banal: um ensaio sobre espaços invisíveis

Autora: Mariana Martins Pessoa
Orientador: Braulio Romeiro
Instituição: Universidade Federal de Goiás - UFG (Goiânia/GO)

Imagem Cortesia de Mariana Martins Pessoa
Imagem Cortesia de Mariana Martins Pessoa

O ensaio é resultado de uma investigação teórica, prática e experimental que busca com uma reflexão aberta, subjetiva e crítica contestar e expandir o que se compreende por “fazer arquitetura”. A pesquisa desenvolvida na Avenida Anhanguera em Goiânia encontra, além da cidade legitimada e solidificada pela arquitetura, lugares indefinidos e ruidosos que por contraste evidenciam a insuficiência, os limites e contradições do projeto, ao passo que apresentam a potência de possibilidades não exploradas.

Através de ferramentas como a psicogeografia, a deriva, e a fotografia busca-se expor uma cidade invisível, que se torna veículo para revelar outras perspectivas sobre o que é projetado e sobre o que sobra.

Afim de posicionar a arquitetura e urbanismo para além da inserção de transformações agressivas e radicais, que modificam e rompem com as particularidades desses espaços, especula-se sobre o tratamento da mesma sob novo princípio: como instrumento investigativo de modos de viver, que apoie a tomada de consciência sobre as possibilidades de experimentar e transformar os espaços e a vida. Ao protagonizar espaços invisíveis emergem novos processos e estratégias para representá-los. A discussão se desenvolve em um diário de bordo e dois produtos experimentais: o kit do novo turista e o projeto fachadas cegas.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Mariana Martins Pessoa
Imagem Cortesia de Mariana Martins Pessoa

A arquitetura da infraestrutura no espaço ferroviário periférico

Autora: Ariane Pereira da Silva
Orientadores: Cauê Costa Capillé e Thiago T. A. de Soveral
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem elaborada em colaboração com Lis Fernanda Thuller. Cortesia de Ariane Pereira da Silva
Imagem elaborada em colaboração com Lis Fernanda Thuller. Cortesia de Ariane Pereira da Silva

Pensar sobre a arquitetura da infraestrutura é especular sobre o espaço infraestrutural, sobre o limite, como campo de projeto. Este trabalho parte do interesse em investigar sobre as relações urbanas e arquitetônicas que se estabeleceram com as infraestruturas de mobilidade, em especial a ferroviária. Ela que foi implantada durante a primeira onda de crescimento periférico descontínuo, representa uma importante fonte de como essa lógica, se desenvolveu.

Fixada nos ramais Japeri e Paracambi, a primeira leitura se dá a partir da análise tipológica e urbana das estações dos ramais. Encontramos nelas a oportunidade de compreender nesses elementos arquitetônicos, que já nascem junto à lógica infraestrutural ferroviária, a sua dupla condição de aparato metropolitano e local. A disposição e repetição desses objetos, revelam um repertório de casos de como esse elemento comum foi absorvido pela periferia.

A ‘estação ensaio’, implantada em Nova Iguaçu, periferia do Rio de Janeiro, recupera no repertório levantado estratégias de desenho. Se utiliza das lições sobre as rampas, passarelas e muros como elementos importantes dessa arquitetura que lida com espaço infraestrutural . A outra dimensão que se especula é dessa arquitetura como infraestrutura, suporte arquitetônico a outros cenários de apropriação.

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Imagem Cortesia de Ariane Pereira da Silva
Imagem Cortesia de Ariane Pereira da Silva

Cinema em Movimento: festival de cinema itinerante em São Paulo

Autora: Mariana Taffarel
Orientadores: Igor Guatelli e Valter Caldana
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Mariana Taffarel
Imagem Cortesia de Mariana Taffarel

No contexto da desvalorização dos espaços de exibição cinematográfica nas cidades e da preferência pelo consumo virtual do cinema, graças à digitalização, o Cinema em Movimento resulta da afirmação de que os cinemas, enquanto espaços de caráter público, são potentes tanto como abrigos quanto agentes fomentadores de vivências urbanas.

A persistência do espaço do cinema, apesar da praticidade do consumo de filmes por serviços de streaming, por exemplo, representa a escolha de mover-se pela cidade em destino à coletividade, ao público, ao que é essencialmente urbano. Evoca-se este sentido de movimento do espectador de maneira literal. Cria-se o cinema desencaixotado; incorporado a espaços abertos na cidade, como uma experiência efêmera.

Se trata de uma arquitetura itinerante completamente dinâmica que propõe-se a induzir variações na experiência cinematográfica e urbana, como um evento performático e imprevisto: além do movimento total - da itinerância completa – traz a possibilidade de movimentos corporais, desde o incentivo do transitar do pedestre entre plataformas, até à adaptação a usos diversos, graças ao dinamismo dos componentes estruturais. Estranhamente, também usa seu principal meio de locomoção pela cidade – os caminhões – como fundação estrutural e força motriz da abertura das “portas” deste cinema à urbanidade.

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Imagem Cortesia de Mariana Taffarel
Imagem Cortesia de Mariana Taffarel

Margens Opostas: aproximação entre Santos e Guarujá

Autora: Giulianna Furini
Orientador: José Maria de Macedo Filho
Instituição: Universidade Católica de Santos - FAUS (Santos/SP)

Imagem Cortesia de Giulianna Furini
Imagem Cortesia de Giulianna Furini

O trabalho aborda as margens do canal do porto de Santos, fazendo uma leitura das diversas atmosferas presentes no local e conceituando o território como um todo para compreender questões sociais e físicas estabelecidas entre os municípios de Santos e Guarujá.

No anseio do crescimento econômico e expansão orgânica, as margens entre as cidades foram segregando-se e deixaram de ter o estuário como algo de seu pertencimento comum.

A essência do projeto está na reconexão das pessoas com a frente d’água portuária, mantendo a identidade que foi encontrada entre a vida caiçara, vegetação natural e o porto industrial. Neste ensaio, a arquitetura tornou-se fluida ao ter o mar como seu campo. Buscou-se utilizar de estratégias marítimas e dos Países Baixos para desenvolver um parque flutuante dividido em módulos individuais que possam ser rebocados por toda a extensão das margens, com intuito de gerar um território comum de aproximação entre elas.

Além do parque linear flutuante como elemento principal, o projeto dinamiza o acesso entre as comunidades guarujaenses que margeiam o canal, atendendo a sua demanda de lazer/cultura e potencializando eixos estratégicos de conexão entre as duas cidades, como pontos de travessias de pedestres e automóveis.

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Imagem Cortesia de Giulianna Furini
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Habitação: limites e possibilidades do Open Building no Brasil

Autor: Lucas Dias Franco Afonso
Orientadora: Denise Morado
Instituição: Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte/MG)

Imagem Cortesia de Lucas Dias Franco Afonso
Imagem Cortesia de Lucas Dias Franco Afonso

Este trabalho investiga como a abordagem do Open Building (arquitetura aberta) pode auxiliar na produção habitacional brasileira. Para isso, foi feita uma análise com foco em aspectos projetuais, construtivos e tecnológicos dos universos do Open Building e da produção habitacional tradicional. Assim, foi possível propor estratégias usadas na contraproposta ao projeto escolhido como estudo de caso, um condomínio fechado multifamiliar em Belo Horizonte.

O morar é tratado como um processo dinâmico que depende da participação do morador nas decisões sobre a produção do espaço. Portanto, a abordagem adotada pensa formas de reintroduzir o morador no processo de tomada de decisão, construção e uso da habitação procurando restaurar a dimensão política do processo de morar, perdida devido à massificação, padronização, uniformidade da arquitetura e seu processo produtivo.

A contraproposta consiste de dois blocos, com pátios internos e terraços, ligados por áreas comuns e uma praça pública que preserva a vista existente para a Serra da Piedade. É feita a distinção entre o que é suporte (elementos fixos, gerais e de grande durabilidade) e recheio (elementos mutáveis, específicos e de menor durabilidade) com o objetivo de garantir autonomia ao morador nas decisões sobre o espaço e assegurar flexibilidade ao edifício.

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Imagem Cortesia de Lucas Dias Franco Afonso
Imagem Cortesia de Lucas Dias Franco Afonso

Habitar o Rural - Habitação de Interesse Social e Autoconstrução no Pontal do Paranapanema

Autor: Dambrenio Boró
Orientadora: Cristina Maria Perissinotto Baron
Instituição: Universidade Estadual Paulista - UNESP (Presidente Prudente/SP)

Imagem Cortesia de Dambrenio Boró
Imagem Cortesia de Dambrenio Boró

O presente Trabalho Final de Graduação propõe um conjunto de Habitações de Interesse Social para os assentamentos Arco-íris, Haroldina e São Bento, localizados no município de Mirante do Paranapanema, Estado de São Paulo. Para tanto, buscou-se compreender as relações históricas impostas ao Pontal do Paranapanema, região do Oeste Paulista, marcada por intensos conflitos fundiários, que apresenta grande concentração de Assentamentos de Reforma Agrária e, paralelamente, através de um conjunto de entrevistas qualitativas, reconhecer as necessidades dos habitantes deste recorte espacial. Com esse panorama, projetou-se uma habitação evolutiva, coesa e coerente com a paisagem local, capaz de refletir as necessidades dessa população específica, absorvendo características locais como: cultura construtiva, disponibilidade de materiais e as diferentes relações espaciais que se dão entre os habitantes e o espaço, privilegiando a varanda e a cozinha, em detrimento aos outros espaços. A proposta contempla, ainda, a autoconstrução como forma de organização do trabalho para poder concretizar a habitação, possuindo um manual de construção que transmite conhecimentos entre arquiteto e habitantes.

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Imagem Cortesia de Dambrenio Boró
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Infraestrutura Anfíbia: Estruturas para redescoberta do Rio Guamá em Belém/PA

Autor: Octavio Henrique Mendes Pena
Orientadora: Marcela Silviano Brandão
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte/MG)

Imagem Cortesia de Octavio Henrique Mendes Pena
Imagem Cortesia de Octavio Henrique Mendes Pena

Influenciado pelo trabalho do fotógrafo Luiz Braga, percebi nos registros históricos da população da periferia palafítica de Belém/PA uma potência urbana que nos permite pensar novas formas de relação da cidade e natureza. É nesse mote que procurei pensar formas que uma arquitetura oficial, acadêmica, poderia pensar os seus verbos - morar, vender, descansar - em dialética com o rio, assim como nas palafitas.

É também em Belém onde encontramos um grave problema urbano: as inundações. O ponto de partida do projeto, portanto, é a criação de espaços permeáveis na orla, recriando os acessos perdidos da cidade ao rio. O desenvolvimento dessa macro ideia se desenvolverá em três áreas e em três projetos distintos, unidos por um único módulo estrutural e estratégia urbana. Essa escolha se dá pela percepção no território de dinâmicas e potências únicas e variadas. Portanto, o desenvolvimento da proposta é pensar como, unidos por uma macro-estratégia, pode se desenvolver projetos de resposta específica ao contexto local, nos quais se incube um potencial transformativo na escala metropolitana.

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Imagem Cortesia de Octavio Henrique Mendes Pena
Imagem Cortesia de Octavio Henrique Mendes Pena

Alepo 2060 - Uma estação ferroviária no contexto da Nova Rota da Seda

Autora: Catarina Medroa
Orientadores: José Afonso e Jorge Nunes
Instituição: Faculdade de Arquitectura - Universidade de Lisboa (Lisboa/Portugal)

Imagem Cortesia de Catarina Medroa
Imagem Cortesia de Catarina Medroa

Através de um olhar sobre Alepo, pretendeu-se com este projeto aplicar o desenho projetual a uma visão de paz para 2060, assumindo o período pós-guerra como otimista e próspero.

Paralelamente à reconstrução da urbe afetada pela Guerra Civil Síria, surgiu uma proposta ambiciosa: a inclusão da Síria na Nova Rota da Seda, dominada pela ferrovia de alta velocidade.

A Gare de Alepo foi a resposta arquitetônica encontrada para o projeto infraestrutural acima referido, que voltará a unir a China às portas da Europa.

A sua identidade expressa-se com a reconciliação entre o imaginário islâmico local e o desenvolvimento ferroviário do território Euroasiático: o espaço de embarque e respetivas áreas de repouso e comércio desenvolvem-se ao longo de longas arcadas modulares, que culminam num “telhado comum” que se revela através de um padrão geométrico marcado pela cor e controle da entrada de luz no interior.

Aliando a tecnologia e a adaptação das técnicas construtivas locais, a energia necessária para o funcionamento da estação é gerada de modo autossuficiente. Os painéis solares rebatíveis realizam a ventilação constante do espaço que, auxiliada pela integração de tijolos de adobe na cobertura, permite com que este se mantenha fresco durante os meses quentes de verão.

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Imagem Cortesia de Catarina Medroa
Imagem Cortesia de Catarina Medroa

SEG.MEN.TO - sistema expansível rural

Autora: Nathana Serena
Orientadora: Vera Dutra Mascarello
Instituição: Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS (Sobradinho/RS)

Imagem Cortesia de Nathana Serena
Imagem Cortesia de Nathana Serena

Se as cidades representam apenas 2% do mundo, o que acontece nos outros 98%?

O SEG.MEN.TO é um olhar para as áreas e os produtores rurais familiares, que abastecem as cidades e são vitais para o funcionamento do mundo, mas que são pouco valorizados e vivem em condições muito abaixo dos moradores urbanos. É um olhar de valorização, promovendo a venda direta dos alimentos para o consumidor, um olhar para produtividade, fornecendo espaços adequados para processamento dos alimentos e um olhar de crescimento com espaços para capacitação.

Através de um sistema de módulos projetado e implantado conforme demanda de cada local, podendo ser replicado pelo Brasil, considera as diferentes condições socioambientais - o programa pode ser dimensionado a cada contexto; climáticas - são apresentadas alternativas de fechamentos, para adequação do clima em cada local e topográficas - a elevação do solo permite que seja implantando em diferentes terrenos, onde podem ser inseridos módulos auxiliares de rampas e escadas.

O módulo base do SEG.MEN.TO imprime em sua linguagem elementos da casa vernacular rural com o viés contemporâneo da sustentabilidade ambiental, com o telhado inclinado, o alpendre como ligação entre espaço aberto e fechado e a escolha do CLT, material renovável.

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Imagem Cortesia de Nathana Serena
Imagem Cortesia de Nathana Serena

Plano Estratégico de Mobilidade Ativa para o Perímetro Central de Curitiba

Autor: Bruno Marcos Kleis Jankowski
Orientadora: Maria Carolina Maziviero
Instituição: Universidade Federal do Paraná - UFPR (Curitiba/PR)

Imagem Cortesia de Bruno Marcos Kleis Jankowski
Imagem Cortesia de Bruno Marcos Kleis Jankowski

Desde o século XX, os centros urbanos vêm sendo predominantemente estruturados por sistemas de mobilidade que privilegiavam o transporte motorizado e individual. Esse processo impactou o cotidiano e a qualidade de vida das pessoas e vem contribuindo para o desenvolvimento de cidades espraiadas, poluídas e sem vitalidade.

Apesar de ser reconhecida por seu sistema de transporte coletivo, Curitiba segue essa tendência que é potencializada pela fragilidade de construção e aplicação de seus planos e políticas referentes à mobilidade urbana. Considerando isso, este trabalho ensaia no cenário de Curitiba uma proposta alternativa ao sistema de mobilidade urbana voltado aos modais motorizados e individuais, através da proposição de um Plano Estratégico de Mobilidade Ativa.

O recorte de atuação representa o que se considerou a área de influência do bairro Centro, denominada neste trabalho Perímetro Central de Curitiba. A opção ocorreu por ele apresentar condicionantes julgadas essenciais para a mobilidade ativa, como diversidade de usos, acesso ao transporte coletivo e alto número de pessoas habitando e se deslocando.

Partindo de levantamentos e análises, detalha-se um plano de ações que visa valorizar os deslocamentos ativos e intermodais como uma questão de interesse público, com a intenção de fornecer às pessoas independência na escolha modal.

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Imagem Cortesia de Bruno Marcos Kleis Jankowski
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Centro Dia, um estudo de espaço público para os idosos do distrito do Jabaquara

Autora: Beatriz Sayuri Nobumoto
Orientadora: Helena Aparecida Ayoub Silva
Instituição: Universidade de São Paulo - FAUUSP (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Beatriz Sayuri Nobumoto
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Este Trabalho Final de Graduação possui como objeto de estudo a população idosa e sua relação com o espaço público. Por meio da investigação de propostas existentes de políticas públicas e visitas de campo na rede municipal e privada do município de São Paulo, elaborou-se uma pesquisa acerca do equipamento Centro Dia para Idosos, local não residencial que recebe idosos com grau de dependência física e/ou cognitiva durante o período diurno da manhã até o fim da tarde. Por meio de oficinas, terapia ocupacional e outros atendimentos multidisciplinares, o Centro Dia se torna uma necessidade de suporte familiar e de grande importância para a sociedade. Tendo em vista o processo de envelhecimento da população brasileira, torna-se cada vez mais necessário haver proposições para esta crescente realidade demográfica. Neste trabalho, realizou-se o estudo de desenho de um Centro Dia para Idosos no distrito do Jabaquara, cujo programa se baseia nos equipamentos da rede pública, porém de maior abrangência e diálogo com o entorno urbano. Ressalta-se, por fim, que o intuito desta pesquisa consiste não apenas em um debate de um projeto de espaço público local, mas sim de uma questão social estrutural dentro de um contexto urbano similar a muitos outros.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Beatriz Sayuri Nobumoto
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Ensaios do Corpo no Lugar de Morar

Autora: Natália Dário Mendes Barros
Orientador: Cristiano Cezarino Rodrigues
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (Belo Horizonte/MG)

Imagem Cortesia de Natália Dário Mendes Barros
Imagem Cortesia de Natália Dário Mendes Barros

Ensaios do Corpo no Lugar de Morar é um projeto-pesquisa que investiga o habitar em confinamento e as consequências da pandemia na relação entre corpo e arquitetura. Será que a experiência global do confinamento vai mudar as formas de se conceber e construir espaços? A partir de uma abordagem fenomenológica e com contribuições da dança, cenografia, artes visuais e tecnologia, o trabalho propôs outros modos de pensar e fazer arquitetura.

O trabalho foi multiplataforma. A publicação digital reuniu a pesquisa teórica, referências e explicações técnicas. O projeto do instagram foi uma chamada aberta que instigou experiências poéticas dos moradores com a casa e incentivou o (re)descobrir e (re)inventar das relações com o habitar. Artistas brasileiros e do exterior participaram compartilhando sentimentos e percepções sobre corpo-espaço na quarentena.

A performance foi um experimento de (des)ajuste do corpo à arquitetura, em um misto de deriva, desvio e desconforto. A intenção era subverter as funções da casa, rompendo com os signos normatizantes e provocando outras apropriações possíveis. Quatro câmeras foram conectadas simultaneamente a um a aplicativo de videoconferência e transmitidas ao vivo para o YouTube. Os enquadramentos formam planos que se cruzam no espaço, acompanhando o movimento do corpo.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Natália Dário Mendes Barros
Imagem Cortesia de Natália Dário Mendes Barros

Aqui e Ali - Um ensaio projetual sobre inclusão em Itajobi

Autor: Breno Quaioti
Orientadores: Lucas Fehr e Angelo Cecco
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP)

Imagem Cortesia de Breno Quaioti
Imagem Cortesia de Breno Quaioti

Este trabalho trata de Itajobi, uma pequena cidade do interior do estado de São Paulo, como exemplo da atual condição de muitas cidades rurais do Brasil. Sofrendo um déficit habitacional desde o final do século XX até o começo da década passada, surgiram políticas habitacionais que criaram loteamentos afastados do centro da cidade sem a menor infraestrutura urbana, que acabaram por segregar esta pequena população.

Partindo desta condição atual e da identificação de um crescente sentimento conservador, nostálgico de um passado marcado pelos carnavais de rua do centrinho da cidade, o projeto surge como um equipamento cívico localizado justamente no encontro do centro histórico com esses novos bairros. O projeto do parque cultural comporta uma série de pavilhões às margens do Rio Monjolinho (maior patrimônio da cidade) interligados por uma ampla passarela elevada (uma espécie de palco para que se veja os dois lados da cidade) e mantém sua centralidade livre para que aconteçam encontros e se fomente a perspectiva de um futuro também glorioso. Trazer estes novos olhares para as cidades menos densas do país possibilitaria a elas especularem sobre a maior pluralidade urbana e assim sobre sua inserção política em um contexto cada vez maior.

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Imagem Cortesia de Breno Quaioti
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Ser(tão) Kalunga – Intervenções no território quilombola Engenho II

Autora: Cássia Dias Roriz
Orientador: Pedro Henrique Máximo Pereira
Instituição: Centro Universitário de Anápolis - UniEvangélica (Niquelândia/GO)

Imagem Cortesia de Cássia Dias Roriz
Imagem Cortesia de Cássia Dias Roriz

Este trabalho final de graduação ensaia, debate e propõe um projeto de intervenção na comunidade quilombola Engenho II, presente no estado de Goiás. Reconhecendo que nos dias atuais é fundamental colocar à luz a discussão sobre os diretos dos povos tradicionais, esse trabalho se compromete em retratar a história de um povo que por quase três séculos viverem escondidos recém fugidos da escravidão, por entre os vãos e serras do cerrado. Esses centros de resistência quilombola, ainda hoje sofrem um forte processo de negação de direitos e ameaças. É preciso então discutir para que quanto antes as estruturas políticas ajam em favor das comunidades, forças ancestrais que habitam nessas terras.

O projeto surge em resposta a essa situação, e toma como partida as especificidades da comunidade Kalunga, entendo a arquitetura como um elemento cultural do lugar. O espaço então se materializa pela reinterpretação do vernáculo e da tradição local, dialogando com materiais que refletem essa relação de simbiose do homem com a terra. Nesse sentindo o principal compromisso da proposta projetual é escancarar os potenciais do local, aliado a melhoria das oportunidades e do acesso à direitos básicos. As novas edificações buscam cumprir três aspectos: a manutenção da identidade cultural, a apropriação do território e o senso de coletividade. Por fim, o projeto ganha um importante caráter simbólico de resistência cultural, aproximando o homem àquilo que lhe pertence.

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Imagem Cortesia de Cássia Dias Roriz
Imagem Cortesia de Cássia Dias Roriz

Águas Lindas de Goiás/GO: Um Novo Planejamento Espacial

Autora: Júlia dos Anjos Marques
Orientadora: Patrícia Silva Gomes
Instituição: Universidade de Brasília - UnB (Brasília/DF)

Imagem Cortesia de Júlia dos Anjos Marques
Imagem Cortesia de Júlia dos Anjos Marques

O gesto desbravador da mudança da Capital Federal gerou inúmeras possibilidades de desenvolvimento interiorano no país. Todavia, a onda migratória para sua construção marcou o território em um processo excludente que conformou a Região Metropolitana de Brasília. A partir de uma leitura temporal e espacial, o município de Águas Lindas de Goiás/GO foi eleito como o estudo de caso deste trabalho com o objetivo de compreender, refletir e propor novos caminhos para um planejamento espacial que retratasse a realidade dos municípios brasileiros de pequeno e médio porte. Problemas como a falta de infraestrutura básica, o peso da área que é base de recursos ambientais regionais, a mobilidade diária e a precária moradia no espaço urbano foram alguns dos temas trabalhados de forma participativa no intuito de obter o retrato mais fidedigno possível da vivência das pessoas no espaço. Análises do município foram produzidas a partir de dados georreferenciados, fotografias aéreas, processos participativos, revisões bibliográficas e investigações documentais. Este trabalho teve como exercício final a proposta de três grandes projetos: o macrozoneamento e zoneamento da região, o plano de mobilidade integrada com o Distrito Federal e o uso de equipamentos públicos como “faróis” comunitários de transformação do espaço.

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Imagem Cortesia de Júlia dos Anjos Marques
Imagem Cortesia de Júlia dos Anjos Marques

Intervenção na Ilha Diana: Fortalecimento da cultura caiçara

Autor: Rafael Silva Pauliquevis
Orientadora: Apoena Amaral e Almeida
Instituição: Universidade Católica de Santos - FAUS (Santos/SP)

Imagem Cortesia de Rafael Silva Pauliquevis
Imagem Cortesia de Rafael Silva Pauliquevis

Este trabalho tem como início a investigação da cultura caiçara na Ilha Diana, fazendo uma análise territorial de seus costumes e tradições, visando compreender suas necessidades locais.

A intervenção proposta para a Ilha Diana visa definir a água como um de seus principais catalisadores e organizadores, apresentando como partido um anel perimetral que circunda por volta de toda a comunidade, de modo a não interferir nas raízes caiçaras, e que ao mesmo tempo transfigura-se um novo percurso direcionado aos equipamentos propostos.

O desenho da proposta dos edifícios apresentada surge em resposta da situação existente da Ilha encontrada hoje, direcionando estratégias para o autodesenvolvimento da comunidade, como a produção de um estaleiro escola para o desenvolvimento de barcas ao incentivo de ampliar a arte da pesca, o restaurante típico caiçara para desenvolver o turismo da região, uma rede de reservatório vertical para abastecer a Ilha tornando-se também um observatório, a reestruturação de todo o setor esportivo contendo duas piscinas, um novo campo de futebol e um vestiário, incluindo também um viveiro para reorganizar as aves existentes no local.

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Imagem Cortesia de Rafael Silva Pauliquevis
Imagem Cortesia de Rafael Silva Pauliquevis

Nível -1: lugar de viver, circular, ocupar

Autor: Gabriel Furuya Alberti
Orientadora: Cleusa de Castro
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR (Curitiba/PR)

Imagem Cortesia de Gabriel Furuya Alberti
Imagem Cortesia de Gabriel Furuya Alberti

Curitiba, durante a década de 70, apresentou uma desarmonia entre a preservação do seu patrimônio construído e a necessidade de crescimento urbano. Em função de uma diretriz de alteração do sistema viário da cidade, fora implantada uma avenida em meio ao Setor Histórico concretizando uma fissura no tecido urbano e causando a demolição de diversos edifícios históricos. Tal intervenção talhou a principal conexão entre polos pulsantes da cidade à época: a Praça Tiradentes e o Largo da Ordem.

Nesse sentido, o presente trabalho propõe diretrizes de um projeto de intervenção urbana que busca reconectar o tecido anteriormente fragmentado, utilizando-se do espaço subterrâneo como ferramenta. Enterra-se o intenso fluxo de veículos; melhora-se a qualidade do sistema de mobilidade urbana através de um terminal de ônibus subterrâneo; aviva-se o espaço urbano através programas com funções cotidianas; por fim, complementa-se as funções já existentes do centro de Curitiba através de um grande estacionamento público.

Na superfície, são reestabelecidos os antigos caminhos importantes para o tecido urbano histórico ao mesmo tempo em que a paisagem urbana é mantida. A intervenção amplia sua escala através da criação de um perímetro de quadras com fluxo mínimo para veículos, permitindo a retomada das ocupações humanas à cidade.

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Imagem Cortesia de Gabriel Furuya Alberti
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Corpo Rede: Ensaio Sobre o Habitar de um Corpo Informacional**

Autor: Jordi Marchon
Orientador: Adriano Carneiro / Co-orientadora: Suzane Queiroz
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Jordi Marchon
Imagem Cortesia de Jordi Marchon

O ensaio “Corpo Rede” utiliza da prática artística associada a problematizações teóricas a fim de construir uma narrativa capaz de proporcionar a visualização do imaterial. Pressupondo que projetar é tornar algo visível, o ensaio conduz investigações propositivas em 6 atos com intuito de nos distanciar da imersão alienante do cotidiano para tatear um novo corpo, um novo habitar e uma nova condição de espaço formado por dispositivos e informação que define o indivíduo contemporâneo.

O trabalho utiliza de uma metodologia dividida em duas fases: A primeira baseada no levantamento bibliográfico com os principais autores contemporâneos que tangenciam a tese e a segunda fase que consiste em experimentações em campo, onde coloco meu corpo confinado em laboratório, como campo de exploração do espaço público durante a pandemia.
O propósito do trabalho é trazer a problemática sobre o Big Data e a situação desconhecida de poder, controle e vigilância. Propondo a habitação de um espaço híbrido através de um corpo informacional que o conceito ortodoxo de arquitetura não abriga. Explorando uma nova subjetividade, através de ações descentralizadoras do controle de dados de instituições privadas e governamentais sugerindo a retomada de autonomia e a reconfiguração do tecido urbano e de nossos corpos.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Jordi Marchon
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Abstração Cotidiana-Episódios de uma narrativa em Rede**

Autora: Melanie Martins Barroso
Orientador: Carlos Eduardo Feferman
Instituição: Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ (Rio de Janeiro/RJ)

Imagem Cortesia de Melanie Martins Barroso
Imagem Cortesia de Melanie Martins Barroso

O trabalho percorre uma narrativa ficcional, investigando os comportamentos de um corpo intoxicado pelos efeitos do avanço tecnológico e sua relação com a perda da deriva na cidade. Analisando algumas obras artísticas e arquitetônicas contemporâneas, nasce o arquétipo desse corpo, em uma performance realizada no Centro do Rio de Janeiro, nomeada de Corpo-Dispositivo, onde esse sujeito cyborgue experimenta o caminhar na cidade, transitando com algumas alegorias que retiram sua percepção espacial/sensorial. A análise do território a partir dessa performatividade incorpora as medidas de biovigilância e as adaptações do uso da cidade trazidas pela intrusão viral da Covid-19, resultando em uma conclusão ficcional que desdobra a aceleração do processo de entorpecimento digital, em 3 Zonas de Imersão. Essas zonas, criam um ambiente virtual interativo que recria a extensão geográfica; A Imersão Sensorial, que descreve o caminhar algorítmico de um corpo sobre a avenida Rio Branco, a Imersão Sistêmica que projeta um objecto performativo, na esquecida praça Mahatma Gandhi, e a Imersão Ficcional, que tenciona, em um jogo de luzes e sombras a monumentalidade do eixo entre a Avenida Chile e a Paraguai. Essas zonas, buscam a comunicação com o irracional e o ilógico, questionando esse território sob o regime da virtualidade.

Veja o trabalho completo aqui.

Imagem Cortesia de Melanie Martins Barroso
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*A seleção está ordenada de forma aleatória;
**Ambos os trabalhos adotam a performance “Corpo-Dispositivo” como objeto de investigação. A performance foi idealizada e realizada pelos estudantes Melanie Martins (UFRJ), Jordi Marchon (PUC-Rio), Rafael Amorim (UFRJ) e Pedro Vitor Costa (UFRJ).

Já que você está aqui, aproveite para ver as listas dos anos anteriores: 2016, 2017, 2018 e 2019.

Sobre este autor
Cita: Equipe ArchDaily Brasil. "Os melhores trabalhos de conclusão de curso em 2020" 13 Dez 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/952276/os-melhores-trabalhos-de-conclusao-de-curso-em-2020> ISSN 0719-8906

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