Como a chegada dos veículos autônomos transformará nossas cidades?

Como a chegada dos veículos autônomos transformará nossas cidades?

Ainda não sabemos quando, mais é apenas uma questão de tempo até que os algoritmos assumam o controle de tudo, ou de quase tudo. Embora não seja nenhuma novidade, veículos auto-dirigidos ou autônomos vem sendo desenvolvidos há mais de 3000 anos quando marinheiros adaptavam cata-ventos conectados aos lemes de seus navios para que o mesmo pudesse navegar de forma independente. Acontece que ao longo dos últimos dez anos, a humanidade assistiu um esforço sem precedentes em busca do desenvolvimento de novas tecnologias de auto-direção voltadas para o aprimoramento de veículos urbanos autônomos. Atualmente, a tecnologia vem sendo testada em pelo menos trinta e seis estados dos EUA, e acredita-se que em um futuro não muito distante, 90% da frota de veículos de cidades como Lisboa e Austin poderão ser substituídos por veículos auto-dirigidos.

Como se trata apenas de uma questão de tempo, a pergunta que não quer calar é: e quais serão as consequências desta mudanças para as nossas cidades? Essa é uma das muitas questões levantadas pelo MIT Senseable City Lab. Nos últimos anos, o Laboratório do Massachussets Institute of Technology, dirigido por Carlo Ratti, conduziu uma série de experimentos e estudos que exploram os possíveis cenários futuros das cidades sob esta nova ótica. Abaixo, compilamos uma lista com as principais reflexões à respeito de como as novas tecnologias de veículos autônomos deverão transformar a maneira como vivemos e onde vivemos.

Espaços de estacionamentos poderão ser reduzidos em até 70%

Solar Car Port: Renewable Energy to Charge Your E-Car. Image © MDT-Tex
Solar Car Port: Renewable Energy to Charge Your E-Car. Image © MDT-Tex

Estacionamentos são uma tipologia onipresente na grande maioria de nossas cidades. No entanto, em um futuro onde a maioria dos veículos será auto-dirigido, isto é, independente de motoristas, é muito possível que os carros não precisem mais ficar parados e ociosos, aguardando até que o proprietário cumpra suas atividades ou termine sua jornada de trabalho e volte dirigindo para casa. Utilizando dados coletados na cidade de Cingapura, o estudo “Unparking” realizado pelo laboratório do MIT constatou que veículos compartilhados e autônomos, que atendem a um grande número de usuários ou até proprietários, reduziriam a demanda por veículos privados na cidade, provocando uma possível diminuição na frota urbana de veículos de mais de 600.000 para a casa dos 200.000. Este decréscimo finalmente acarretaria uma diminuição no número de vagas de estacionamento de 1.370.000 vagas para algo em torno de 410.000, ou seja, uma redução de até 70%. Em outras palavras, mais de 10 quilômetros quadrados de estacionamentos existentes na cidade hoje poderiam ser convertidos em áreas para pedestres por exemplo. À medida que estas tecnologias forem evoluindo, a tendência é que os espaços de estacionamento praticamente deixem de existir.

Semáforos não serão mais necessários

Os semáforos, assim como os conhecemos hoje, existem há mais de 150 anos. Verde, laranja e vermelho. Ao longo deste tempo pouca coisa mudou. Entretanto, com a chegada dos veículos autônomos eles provavelmente deixarão de existir, ou ao menos, nunca mais serão os mesmos. O Senseable City Lab, em parceira com a ETH de Zurique e o Conselho Nacional de Pesquisa italiano, desenvolveu um sistema de interseção baseado em uma previsão de como seria o fluxo de veículos no futuro. Segundo este novo sistema, onde veículos autônomos geram uma série de dados e contém inúmeros sensores, os cruzamentos poderiam ser atravessados sem a necessidade de semáforos, apenas segundo um algoritmo de prioridade. Os resultados mostram que este sistema pode comportar um volume de veículos duas vezes maior, fazendo com que os cruzamentos sejam muito menos problemáticos se comparados com o atual sistema gerido por semáforos.

A frota de taxis deverá diminuir pelo menos um 40%

Qual é o número mínimo de veículos necessários para realizar todas as viagens diárias de táxi em Nova Iorque? Essa foi a pergunta que o Senseable City Lab procurou responder quando criou o modelo chamado “Minimum Fleet Network.” Acontece que os táxis gastam cerca de 40% do tempo circulando pelas ruas em busca de passageiros. Segundo o sistema desenvolvido pelo Senseable City Lab, algoritmos identificariam as demandas por passageiros e seriam capazes de identificar tendências, otimizando as viagens e diminuindo o número de veículos necessários para realizar todas as viagens diárias. Em um outro experimento desenvolvido pelo laboratório do MIT, o Hubcab, os pesquisadores analisaram dados de mais de 170 milhões de viagens de táxi realizados na cidade de Nova Iorque ao longo de 2011. Segundo este estudo, o compartilhamento de viagens e veículos poderia reduzir o número de viagens em até 40%.

Os veículos autônomos nos ajudariam a melhor compreender o comportamento humano

© MIT Senseable City Lab
© MIT Senseable City Lab

Atualmente, os veículos operam com mais de 4.000 sensores que coletam dados internos e externos em tempo real. Tirando proveito disso, o Senseable City Lab desenvolveu um estudo em parceria com a Volkswagen, o qual foi chamado de “Sensing Vehicle.” Neste experimento, a equipe de pesquisadores utilizou esses dados para analisar o comportamento dos motoristas em relação ao ambiente urbano. A partir destes dados os pesquisadores desenvolveram um sistema que se implementado, poderia reduzir acidentes, diminuir o estresse dos motoristas além de nos oferecer uma nova maneira para melhor compreender o comportamento humano, no trânsito e fora dele.

Os veículos autônomos nos ensinariam a ver o mundo com outros olhos

Os dados coletados a partir do modelo desenvolvido em parceria com a Volkswagen, nos oferece uma nova perspectiva sobre o funcionamento do ambiente urbano. Em seu estudo “Driving DNA,” os pesquisadores do Senseable City Lab avaliaram mais de 50 motoristas e 2000 viagens realizadas em diferentes tipos de estradas e condições de trânsito. Os pesquisadores do MIT acreditam que, no futuro, os sensores de temperatura e a atividade do limpador de parabrisa poderão contribuir com dados relativos às condições atmosféricas em tempo real em um nível de precisão jamais visto antes. Por outro lado, a aceleração e os sensores de freio de um veículo autônomo poderão avaliar a qualidade de uma estrada além de oferecer alertas em tempo real para todo o sistema de transito integrado, gradualmente identificando as áreas mais perigosas de cada rodovia.

Sobre este autor
Cita: Walsh, Niall. "Como a chegada dos veículos autônomos transformará nossas cidades?" [How Will Autonomous Vehicles Impact Cities?] 17 Jan 2020. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/931701/como-a-chegada-dos-veiculos-autonomos-transformara-nossas-cidades> ISSN 0719-8906

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