Arquitetura da democracia: 6 novos projetos culturais na África do Sul

Arquitetura da democracia: 6 novos projetos culturais na África do Sul

Multiculturalismo é um termo que atravessa qualquer narrativa histórica e cultural referente à África do Sul. Com a sua arquitetura não poderia ser diferente, uma mistura de tradições e técnicas construtivas vernaculares, modernismo e novas tecnologias. Atualmente, a arquitetura contemporânea sul-africana está ganhando cada dia mais visibilidade no cenário internacional, estruturas que exploram novas abordagens e experimentam diferentes estratégias formais e espaciais em um contexto histórico e cultural vibrante e diverso.

© Dave Southwood© Adam Letch© Iwan Baan© Angela Buckland+ 10

© Iwan Baan
© Iwan Baan

O território sul-africano se estende ao longo dos oceanos Atlântico Sul e Índico e faz fronteira com cinco países. Ainda que maioria da população seja de ascendência étnica Bantu, a África do Sul é composta por uma enorme variedade de grupos étnicos menores, uma profusão de diferentes idiomas e culturas, tanto que onze línguas são consideradas oficiais no país. Todas as minorias contam com representantes políticos na república parlamentarista da África do Sul. A arquitetura do país, por sua vez, pode ser vista como um reflexo deste cenário democrático e multiétnico.

© Iwan Baan
© Iwan Baan

Vanessa Quirk, editora-gerente do ArchDaily, havia lançado uma pergunta em 2014: Qual Será o Legado de Mandela em Termos de Espaço? Ela se perguntava como seria possível combater uma desigualdade, que de tão arraigada ao contexto histórico-cultural do país, se manifestava formalmente também na arquitetura de seus edifícios e no espaço construído de suas cidades? O Partido Nacional da África do Sul, através do Apartheid implementado em 1948, institucionalizou a segregação racial privando a maioria da população negra de seus direitos fundamentais. Este capítulo longo e infeliz perdurou até 1994, quando Nelson Mandela venceu as primeiras eleições multi-étnicas democráticas do país. Atualmente, a África do Sul continua lutando contra a desigualdade estrutural no contexto político, econômico e social do país pós-apartheid. Felizmente, diversos projetos de edifícios públicos começam a refletir uma nova imagem do país, uma arquitetura que começa a transparecer os esforços da luta por uma sociedade mais justa e igualitária, acessível e democrática.

Capela Bosjes / Steyn Studio

© Adam Letch
© Adam Letch

Esta nova capela, situada em um vinhedo na África do Sul, foi projetada pelo sul-africano Coetzee Steyn, do Steyn Studio, sediado em Londres. Sua forma serena e escultural faz referência à silhueta da cadeia de montanhas circundante, homenageando também os frontões históricos holandeses do Cabo que existem em suas paisagens rurais. Construída a partir de uma casca delgada de concreto, a cobertura tem seus apoios nos pontos em que cada ondulação encontra dramaticamente o solo. Nos pontos de pico das ondas da cobertura há painéis de vidros com um crucifixo no centro que adornam as fachadas. A forma branca é concebida como uma estrutura leve e dinâmica que parece flutuar dentro do vale.

Denis Hurley Centre / Ruben Reddy Architects

© Angela Buckland
© Angela Buckland

Implantando em meio ao vibrante centro da cidade de Durban, a poucos passos do Triângulo de Warwick - o maior hub de transporte e comércio da África do Sul - e em um contexto histórico de locais representativos da luta por independência como a Mesquita Juma Musjid, o Denis Hurley Center foi concebido como uma referência da nova África do Sul, moderna e soberana. Apropriando-se da forma peculiar do terreno, o edifício triangular dispõe de uma série de espaços interconectados ao redor de um átrio central. O projeto do edifício busca dar forma ao propósito do Denis Hurley Centre: ser um espaço comunitário integrado e acessível à todos.

Projeto de Desenvolvimento Social / Indalo + Collectif Saga

© Joubert Loots
© Joubert Loots

Este projeto está localizado em Joe Slovo, aos arredores de Port Elizabeth, África do Sul. Love Story, uma ONG local, envolvida nesta comunidade em particular por um tempo, decidiu lançar um projeto para reconstruir a creche, mas também para adicionar novas instalações, tais como um centro técnico, um centro comunitário e uma horta urbana. O projeto pretende integrar plenamente a comunidade no processo, a ideia é certificar-se que as melhorias são sustentáveis e continuar a trazer uma nova dinâmica em toda a comunidade.

Reforma da Ópera House de Port Elizabeth / The Matrix... Urban Designers and Architects

© Rob Duker
© Rob Duker

A Ópera House de Port Elizabeth, originalmente projetada pelo arquiteto local George William Smith, abriu suas portas em 1º de dezembro de 1892. ao longo de seu mais de um século de existência, o edifício passou por quatro grandes reformas - a primeiro em 1911, seguido das obras de ampliação realizadas em 1927, 1934 e 1985. O atual edifício da Ópera House é composto por cinco entidades distintas que ao longo dos anos se fundiram em uma única estrutura de estilo neoclássico. Atualmente, a Ópera House é o teatro mais antigo da África e também a mais antiga estrutura deste tipo em operação no hemisfério sul do mundo. A abordagem do projeto desenvolvido pelos arquitetos da The Matriz... Urban Designers and Architects para o último projeto de reforma foi baseada em três princípios principais: contraste, plano de fundo e áreas verdes.

Museu de Arte Fundação Norval / dhk Architects

© Dave Southwood
© Dave Southwood

A Fundação Norval está localizada na área de Steenberg, nas encostas da Montanha Constantiaberg, na Cidade do Cabo, na África do Sul, e é cercada por vinhedos. O projeto proporcionou uma oportunidade única para o studio dhk: um cliente com a aspiração de criar um centro cultural e artístico mundial em um local excepcional e aberto ao público. A Fundação Norval foi concebida como um moderno pavilhão de arte, contra uma dramática paisagem de montanhas e vinhedos. É uma pura expressão formal, uma massa retangular em negrito, delineando o recinto com paredes pesadas e uma leve cobertura.

Museu de Arte Contemporânea Zeitz na Africa / Heatherwick Studio

© Iwan Baan
© Iwan Baan

O Museu Zeitz de Arte Contemporânea (Zeitz MOCAA) é o maior museu do mundo dedicado à arte contemporânea africana. O Zeitz conta com mais de 9.000 metros quadrados projetados sob medida para os nove pavimentos da antiga estrutura monumental do histórico Complexo de Celeiros de Grãos da Cidade do Cabo. O silo, em desuso desde 1990, é mantido como um monumento ao passado industrial da Cidade do Cabo. Em determinado momento foi o edifício mais alto da África do Sul e agora apresenta uma nova vida através da transformação feita pelo Heatherwick Studio. As galerias e o espaço do átrio no centro do museu foram esculpidos na densa estrutura celular dos quarenta e dois tubos que embalam o edifício do silo.

Sobre este autor
Cita: Baldwin, Eric. "Arquitetura da democracia: 6 novos projetos culturais na África do Sul" [Public Works: South Africa’s New Cultural Projects] 29 Out 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/927237/arquitetura-da-democracia-6-novos-projetos-culturais-na-africa-do-sul> ISSN 0719-8906

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