Tudo
Projetos
Produtos
Eventos
Concursos
  1. ArchDaily
  2. Artigos
  3. Como cidades antigas se tornam acessíveis

Como cidades antigas se tornam acessíveis

Como cidades antigas se tornam acessíveis
Br adtopic accessibility banner
Como cidades antigas se tornam acessíveis, Jerusalém, Israel. Imagem © Shutterstock
Jerusalém, Israel. Imagem © Shutterstock

À medida que a população urbana mundial continua a crescer vertiginosamente, estima-se que até 2050 mais de um bilhão de pessoas, com algum tipo de restrição motora, estarão vivendo em áreas urbanizadas. Infelizmente, a maioria dos centros urbanos mas principalmente aqueles mais antigos - com centenas e até milhares de anos -, não estão preparados para atender a esta preocupante demanda. Existe, portanto, um desafio imediato para nós arquitetos, urbanistas e autoridades locais: abordar com a devida atenção e sensibilidade a questão da acessibilidade em centros urbanos históricos. O grande desafio é, portanto, encontrar maneiras e métodos que possibilitem um convívio saudável entre a crescente demanda por acessibilidade e a manutenção das características específicas do patrimônio histórico urbano de nossas cidades mais antigas.

Chester, Reino Unido. Imagem © Tanasut Chindasuthi / Shutterstock.com
Chester, Reino Unido. Imagem © Tanasut Chindasuthi / Shutterstock.com

O senso comum de que cidades históricas são inacessíveis e impossíveis de serem adaptadas segundo os princípios de desenho universal foi veementemente contradito pelo projeto de reurbanização realizado na antiga cidade romana de Chester, no Reino Unido. Em 2017, a cidade foi reconhecida como a cidade mais acessível da Europa pelo Access City Award outorgado pela União Europeia, reconhecendo e celebrando o esforço realizado para tornar a cidade mais acessível e inclusiva para todos os seus cidadãos e visitantes.

Chester é um ótimo exemplo para dar início a este debate. Embora o centro histórico da cidade britânica tenha sido reconstruído durante o século XVI, o núcleo urbano de Chester encontra-se cercado por uma série de muralhas construídas pelos romanos por volta do ano 70 d.C. Conforme relatado ao The Guardian pela escritora e ativista da luta pelo direito à acessibilidade universal, Frances Ryan, o percurso de mais de três quilômetros que percorre os muros romanos da cidade de Chester são quase que totalmente acessíveis e adaptados com pisos táteis, corrimãos e mais de onze rampas de acesso. As passarelas elevadas construídas durante o século XIII também foram adaptadas, e a mais de dez anos podem ser acessadas por qualquer pessoa com mobilidade reduzida através de seis diferentes pontos.

Além disso, a paisagem histórica - mas também acessível - de Chester é complementada por infraestruturas modernas, como uma frota de ônibus totalmente acessíveis e 100% dos taxis adaptados para o transporte de passageiros com cadeiras de rodas. Sete banheiros públicos acessíveis encontram-se espalhados por toda a cidade, os quais foram equipados com guinchos e bancos. Legalmente, a cidade conta com um comitê específico de acessibilidade urbana desde 1991, além de um fórum corporativo do qual participam dezesseis organizações de defesa dos direitos ao acesso à cidade, as quais trabalham diretamente com os arquitetos do município para garantir que a acessibilidade seja uma prioridade para cada novo projeto que venha a ser realizado.

Jerusalém, Israel. Imagem © JekLi / Shutterstock.com
Jerusalém, Israel. Imagem © JekLi / Shutterstock.com

Outra cidade histórica a levantar a bandeira da acessibilidade é Jerusalém. Com um núcleo urbano que remonta a três mil anos, a cidade inaugurou recentemente um projeto de reurbanização que faz do Centro Velho de Jerusalém uma área urbana 100% acessível. Reformas e adaptações foram levadas a cabo em quase todas as ruas e becos dos bairros muçulmano, armênio e cristão, as quais levaram praticamente 15 anos para serem concluídas.

No total, quatro quilômetros de ruas foram re-pavimentadas e niveladas, recebendo rampas, passagens e corrimãos que permitirão um acesso seguro a todos os moradores e visitantes que visitam a cidade sagrada. O município de Jerusalém também disponibiliza um aplicativo móvel gratuito, acessível em oito idiomas, com o qual os usuários podem mapear todas as rotas acessíveis para descobrir o melhor percurso durante a sua peregrinação ao muro das lamentações. No total, foram investidos cerca de US$ 5,5 milhões no projeto.

Jerusalém, Israel. Imagem © Ran Zisovitch / Shutterstock.com
Jerusalém, Israel. Imagem © Ran Zisovitch / Shutterstock.com

Conforme foi visto recentemente - dedicamos um mês inteiro a discutir questões relativas à acessibilidade - os avanços tecnológicos estão democratizando os espaços urbanos que antes eram inacessíveis a muitos cidadãos. Com a atual tendência migratória das zonas rurais para as cidades e o crescimento vertiginoso da população urbana em nosso planeta, as cidades precisam se preparar para acomodar um crescente número de habitantes com algum tipo de restrição motora. Nesse contexto, Chester e Jerusalém servem como referência, mostrando que até as cidades mais antigas - e também em territórios conflituosos - são capazes de absorver as mudanças necessárias à democratização dos espaços urbanos e a promoção da acessibilidade e inclusão social.

Sobre este autor
Cita: Walsh, Niall. "Como cidades antigas se tornam acessíveis" [How Ancient Cities Become Accessible Cities] 06 Set 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/924339/como-cidades-antigas-se-tornam-acessiveis> ISSN 0719-8906

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.