
O estímulo visual que disparou a presente pesquisa[1] foi a insinuante ambiguidade da letra m/h. Menos glamorosos que os de beira de estrada, os motéis hotéis são um convite econômico para uma experiência de realização sexual. Para dar conta de sua complexidade tanto material como intangível, o trabalho se constrói como uma ficção. Assim, a narradora inventou nos motéis hotéis um potencial de revelar outras partes componentes dela própria ‑ como se estes lugares, por também serem ambíguos e incógnitos, permitissem este encontro. Num processo simultâneo de libertação e frustração, as múltiplas narradoras se agenciam.
Marcamos nosso encontro para as treze horas. Passados poucos minutos do horário combinado, desci no terminal rodoviário à procura da rua. Seguindo as placas, logo avistei o prédio.
Nervosa, atravessei a rua. Adentrei o túnel de grades e toldo grafite fumê abaulado que me levou para a recepção. No balcão, uma moça jovem de cabelos prateados e um rapaz de camisa polo vermelha me receberam com um olhar comum.
















