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Conheça todos os pavilhões brasileiros que já participaram das Exposições Internacionais

Conheça todos os pavilhões brasileiros que já participaram das Exposições Internacionais

As Exposições Internacionais têm sua origem no século XIX, quando em Londres (1851), sob o título de Grande Exposição dos Trabalhos da Indústria de Todas as Nações, reuniu-se um conjunto de produtos manufaturados de diversas nações em um esforço de servir de vitrine para os avanços da técnica e, mais tarde, da indústria, em um momento de conjunção e compartilhamento das iniciativas das várias partes do mundo.

Historicamente, as Expos, como também são conhecidas, serviram de reflexo de seus tempos específicos, sempre como manifestação dos adventos tecnológicos, novas invenções e das preocupações e interesses dos países com representação nesses eventos, além de uma amostra dos contextos políticos e sociais de cada momento.

Segundo o pesquisador e arquiteto André Dias Dantas, "(...) a exposição procura transmitir valores e ideias, como a solidariedade entre as nações e a harmonia entre as classes, a crença no progresso ilimitado e a confiança nas potencialidades do homem no controle da natureza, a fé nas virtudes da razão e no caráter positivo das máquinas." [1]. Essa perspectiva ajuda a compreender o fato de que esses eventos estiveram ligados a uma verdadeira corrida em direção à modernidade, o que contribui para revelar a importância dos projetos dos pavilhões nacionais em cada uma das edições das Expos, uma vez que a arquitetura também passava a servir a tal objetivo, de se mostrar invariavelmente inovadora, propositiva e de vanguarda, uma representante das conquistas da racionalidade humana.

O Brasil já participou de 19 Exposições Internacionais. Nas primeiras edições em que esteve presente - Londres (1862), Paris (1867), Viena (1873) e Filadélfia (1876) - a representação brasileira estava atrelada aos adventos da mineração mas, com o decorrer dos anos, essa posição deu lugar às novas contribuições do país, sendo a última edição em que esteve, Milão em 2015, amparada por temas ligados à agricultura, gastronomia, economia, em diversos seminários e atividades, sob o título de "Alimentando o mundo com soluções". Acompanhar essa trajetória é um referencial interessante para compreender os diferentes momentos da arquitetura brasileira a partir das propostas de pavilhões nacionais, um programa que permite ampla exploração técnica e plástica e que se apresenta para o mundo com grande visibilidade. Conheça alguns exemplos de pavilhões brasileiros construídos para as Expos a seguir.

 Filadélfia 1876

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1876 na Filadélfia. © 2019 Free Library of Philadelphia
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1876 na Filadélfia. © 2019 Free Library of Philadelphia

Com direito à presença da família imperial brasileira em sua ocasião, a Exposição Internacional da Filadélfia em 1876 recebeu pela primeira vez um pavilhão individual do Brasil nesse tipo de evento. Em um momento de aproximação de relações com os Estados Unidos, o país teve representação tanto no Pavilhão Principal, quanto em um pavilhão nacional. Foi projetado pelo arquiteto norteamericano H. J. Schuarzmann e apresentava elementos compositivos clássicos da arquitetura eclética dos Estados Unidos, além de estrutura em madeira.

Paris 1889

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1889 em Paris. © 2018 National Gallery of Art
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1889 em Paris. © 2018 National Gallery of Art

A Exposição de 1889 em Paris comemorava o centenário da Revolução Francesa e pretendia reafirmar os valores nacionais e a imagem de superioridade europeia em uma perspectiva política internacional. Essa edição ficou muito conhecida por ter sido o momento de apresentação da Torre Eiffel, uma encomenda do governo francês para a ocasião. O Brasil nesse momento passava pelo momento de abolição da escravidão e pretendia se inserir no mundo da indústria e do progresso ligado à máquina de forma irrevogável. O pavilhão brasileiro foi desenhado pelo arquiteto francês Louis Dauvergne e continha exposições sobre a produção cafeeira e a Floresta Amazônica.

Chicago 1893

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1893 em Chicago. © Dickinson College Archives and Special Collections
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1893 em Chicago. © Dickinson College Archives and Special Collections

Em 1893, a Expo dos Estados Unidos comemorava os 400 anos do descobrimento do continente sob o título "World's Columbian Exposition". A escolha de Chicago tinha a intenção de promover um sentido de renovação e reconstrução após o grande incêndio que devastou a cidade em 1871, em um sentido de reinseri-la no circuito internacional. Trata-se de uma edição importante para o Brasil pois, pela primeira vez, o projeto do pavilhão de representação nacional foi elaborado por um arquiteto brasileiro. Francisco Marcelino de Souza Aguiar desenhou um edifício que seguia de forma geral a tendência dos demais pavilhões da mostra, mas sua cúpula recebia um grande número de bandeiras brasileiras, reflexo de um grande espírito republicano que se pretendia comunicar oficialmente naquele momento.

Saint Louis 1904

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1904 em St. Louis. Via AT THE FAIR The 1904 St. Louis World's Fair. Imagem de Domínio Público
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1904 em St. Louis. Via AT THE FAIR The 1904 St. Louis World's Fair. Imagem de Domínio Público

Com uma área expositiva de 500 hectares no Forest Park, a Expo de Saint Louis em 1904 é, até hoje, a maior edição que o evento já teve. O norte das exposições se orientava a partir de contribuições para o que se imaginava em cada país como "cidadão ideal", com grande ênfase no tema da educação. O projeto do pavilhão brasileiro ficou sob responsabilidade do arquiteto Souza Aguiar junto à Comissão de Representação do Brasil na Exposição Internacional. Essa obra representava um grande avanço técnico à época por ter uma estrutura completamente metálica e racionalizada em termos de aproveitamento material.

Bruxelas 1910

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1910 em Bruxelas. Imagem de Domínio Público
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1910 em Bruxelas. Imagem de Domínio Público

O contexto de desequilíbrio de eminência da Primeira Guerra Mundial na Europa teve reflexos simbólicos durante Expo de Bruxelas em 2010. Durante o evento, um grande incêndio destruiu parte dos pavilhões expositivos e as certezas em relação à modernidade passavam por um momento de questionamento. Não há registro fotográfico do Pavilhão do Brasil nessa edição, mas sabe-se que o projeto foi concebido pelo arquiteto belga Franz Van Ophem em estilo eclético francês

San Diego 1916

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1916 em San Diego. © San Diego History Center
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1916 em San Diego. © San Diego History Center

A Expo de 1916 teve como primeiro nome Exposição Internacional do Panamá pois celebrava a abertura do Canal do Panamá, e inicialmente tratava-se de uma mostra de âmbito nacional. No entanto, os Estados Unidos convidaram algumas nações a participar, entre elas o Brasil. A partir do momento que ela acolheu outros países, a edição recebeu o nome de Exposição de San Diego. O Brasil, que teve sua exposição financiada pelo engenheiro hidráulico Dr. Eugenio Dahne, dividiu seu pavilhão com a Rússia e apresentou produtos alimentícios e materiais típicos da Amazônia aos visitantes.

Rio de Janeiro 1922

Exposição vista desde a Avenida Rio Branco, olhando desde o sul para o norte, Augusto Malta, 1922. Vê-se o lado sul da  Porta Sul e à extrema esquerda parte do Palácio Monroe (altura do Chafariz do Monroe). Em primeiro plano o obelisco. Imagem de Domínio Público
Exposição vista desde a Avenida Rio Branco, olhando desde o sul para o norte, Augusto Malta, 1922. Vê-se o lado sul da Porta Sul e à extrema esquerda parte do Palácio Monroe (altura do Chafariz do Monroe). Em primeiro plano o obelisco. Imagem de Domínio Público

Em 1992 comemorou-se o Centenário da Independência do Brasil, e o país viveu muitos eventos historicamente marcantes no sentido de construção cultural e reflexão sobre identidade brasileira. Nesse sentido destacam-se a Semana de Arte Moderna, o episódio do 18 do Forte e a Expo do Centenário que teve como palco a Avenida das Nações no Rio de Janeiro. Coube ao então prefeito da cidade, Carlos Sampaio, a decisão de ocupar o antigo um antigo complexo militar em estilo neocolonial desativado com a exposição nacional. Para tanto, os arquitetos Archimedes Memória e Francisque Cuchet ficaram responsáveis por projetar uma reforma no edifício que no próprio ano da edição passou a ser a sede do Museu Histórico Nacional criado pelo então presidente Epitácio Pessoa.

Sevilha 1929

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1929 em Sevilha. Disponível no website da Universidade de Navarra
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1929 em Sevilha. Disponível no website da Universidade de Navarra

O processo de preparação da cidade de Sevilha para a Expo 1929 durou 19 anos e envolveu a construção de uma série de edifícios no Parque Maria Luisa. Essa edição ficou conhecida na crítica como "O triunfo do Estilo Hispânico" já que teve grande representação dos países ibero-americanos. O projeto para o Pavilhão do Brasil foi fruto de um concurso promovido em 1928 pelo Ministério da Agricultura e o Instituto Central dos Arquitetos, e teve como vencedor Pedro Paulo Bernardes Bastos, que projetou um edifício neocolonial, uma exigência do edital do concurso.

Nova Iorque 1939

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1939 em Nova Iorque. Cortesia de Carlos Eduardo Comas, via revista ArqTexto n.16
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1939 em Nova Iorque. Cortesia de Carlos Eduardo Comas, via revista ArqTexto n.16

Com um público de 57 milhões de pessoas, a Exposição Internacional de 1939 aconteceu no Corona Park em Nova Iorque. A participação do Brasil gerou uma polêmica internamente, uma vez que, em meio à ditadura Vargas, o comitê formado para avaliação das propostas do concurso nacional para o projeto do pavilhão brasileiro foi criticado pela esfera nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil, IAB. Apesar disso, depois de alguns alinhamentos do debate, o projeto de Lucio Costa foi escolhido como vencedor, representando o que se entendeu como melhor representação da arquitetura então contemporânea no país. Nesse projeto antecipavam-se as tendências da arquitetura moderna, como "(...) a liberdade de sua rampa, flexibilidade de volumes, proteção de isolação com elementos fixos, uso da curva como elemento expressivo e indistinção de espaço interno e externo.". [2]

São Francisco 1939

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1939 em San Francisco. Imagem de Domínio Público
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1939 em San Francisco. Imagem de Domínio Público

Enquanto a Europa entrava na Segunda Guerra Mundial, no mesmo ano da edição de Nova Iorque, os Estados Unidos promovem uma segunda Exposição, dessa vez em São Francisco. O cenário brasileiro era de aproximação do governo com a o fascismo italiano, fato que fica simbolizado na Expo pela vizinhança entre os pavilhões dos dois países. Dessa vez, o espaço de exposição brasileiro foi projetado por um arquiteto norteamericano, Garner Dailey que apresenta uma proposta alinhadas às tendências modernas da época.

Bruxelas 1958

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1958 em Bruxelas. Cortesia de Bernardes Arquitetura
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1958 em Bruxelas. Cortesia de Bernardes Arquitetura

A escolha de Bruxelas para receber a primeira Exposição Internacional pós Segunda Guerra não foi ao acaso, trata-se da cidade sede da Organização das Nações Unidas, que, à época, tinha sido recém criada. Nesse momento o Brasil encontrava-se em um momento de alta promoção do desenvolvimento industrial pelo governo Juscelino Kucitschek e ficou incumbido do projeto do Pavilhão brasileiro o arquiteto Sérgio Bernardes, que recebeu o desafio de desenhar uma proposta em aço para representar esse momento e demonstrar a eficiência dessa técnica construtiva.

Osaka 1970

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1970 em Osaka. Cortesia de Ruth Verde Zein
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 1970 em Osaka. Cortesia de Ruth Verde Zein

A partir do lema "Progresso Humano em Harmonia" a Exposição de 1970 em Osaka teve projeto urbanístico do arquiteto Kenzo Tange. A participação do Brasil vinha sendo pensada desde a última edição, em um período de 12 anos. O IAB Nacional e o Ministério das Relações Exteriores organizaram um concurso público para eleger a melhor proposta. A equipe vencedora, encabeçada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, também contou com a participação de Carmela Gross, Marcelo Nietsche, Flávio Motta, Júlio Katinsky, Jorge Caron e Ruy Ohtake.

Xangai 2010

Pavilhão Brasileiro da Exposição de 2010 em Xangai. Cortesia de Fernando Brandão Arquitetura e Design
Pavilhão Brasileiro da Exposição de 2010 em Xangai. Cortesia de Fernando Brandão Arquitetura e Design

Em 2010 a edição da Exposição Internacional de Xangai promoveu a discussão sobre o potencial da vida urbana contemporânea. Com ampla participação internacional, tanto nos eventos quanto a partir da construção de pavilhões nacionais, o evento se insere na prospecção de que Xangai se tornaria a próxima cidade global mais importante do mundo. A participação brasileira se deu a partir de um pavilhão próprio, resultado de um concurso fechado organizado pela AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O projeto vencedor foi desenhado pelo escritório do arquiteto Fernando Brandão e fazia diversas alusões a símbolos e materiais brasileiros.

Milão 2015

Expo Milão 2015: Pavilhão do Brasil / Studio Arthur Casas + Atelier Marko Brajovic. Imagem: © Filippo Poli
Expo Milão 2015: Pavilhão do Brasil / Studio Arthur Casas + Atelier Marko Brajovic. Imagem: © Filippo Poli

A última edição em que o Brasil teve representação própria em um pavilhão construído foi a de 2015 em Milão. A partir do mote "Feeding the planet, energy for life" (Alimentando o planeta, energia para a vida) a exposição buscou promover a discussão sobre alimentação em nível global. O pavilhão brasileiro foi apresentado também na circunstância de um concurso comissionado pela APEX e teve como vencedor o projeto desenhado por dois escritórios em conjunto, Studio Arthur Casas e o Atelier Marko Brajovic. A proposta tem grande apelo sensorial combinada a um conteúdo expositivo bastante ligado à ciência e ao desenvolvimento da agricultura nacional.

Dubai 2020

Expo Dubai 2020: Pavilhão Brasileiro 1º lugar. Image via Site oficial Concurso Público Nacional de Arquitetura e Expografia Pavilhão do Brasil na Expo Dubai 2020
Expo Dubai 2020: Pavilhão Brasileiro 1º lugar. Image via Site oficial Concurso Público Nacional de Arquitetura e Expografia Pavilhão do Brasil na Expo Dubai 2020

A próxima participação brasileira será na Expo Dubai 2020 sob o mote "Together for Diversity" ("Juntos pela Diversidade"). O concurso, promovido pela APEX e organizado pelo IAB do Distrito federal, já teve seu vencedor anunciado. A proposta dos arquitetos José Paulo Gouvêa, Marta Moreira, Martin Benavidez e Milton Braga desenha um espaço imersivo de estrutura leve mas de grande presença.

Notas
[1]: DANTAS, Andre Dias. Os pavilhões brasileiros nas exposições internacionais. Tese de mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2010;
[2] Idem.

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Sobre este autor
Cita: Julia Brant. "Conheça todos os pavilhões brasileiros que já participaram das Exposições Internacionais" 20 Mai 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/916826/conheca-todos-os-pavilhoes-brasileiros-que-ja-participaram-das-exposicoes-internacionais> ISSN 0719-8906
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