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Paraty avança mais um passo para se tornar Patrimônio Mundial da Unesco

Paraty avança mais um passo para se tornar Patrimônio Mundial da Unesco
Paraty avança mais um passo para se tornar Patrimônio Mundial da Unesco , Igreja de Santa Rita em Paraty, RJ. Image © Oscar Liberal
Igreja de Santa Rita em Paraty, RJ. Image © Oscar Liberal

A riqueza cultural e excepcional beleza natural, faz de Paraty e Ilha Grande em Angra dos Reis um lugar sem igual. É o que defende a candidatura do primeiro sítio misto brasileiro a Patrimônio Mundial. Especialistas do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), órgãos assessores da Unesco, estiveram em missão no Brasil de 10 a 16 de setembro, para avaliar o reconhecimento mundial do sítio.

A candidatura Paraty: Cultura e Biodiversidade trata de um território de 130 mil hectares, em que o centro histórico se cerca de quatro áreas de preservação ambiental. Com áreas cobertas de vegetação primária, ali estão o Parque Nacional da Serra da Bocaina; o Parque Estadual da Ilha Grande; a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul; e a Reserva Ecológica Estadual da Juatinga. Se aprovado, esse sítio misto terá o reconhecimento como um patrimônio cultural e natural.

De 1.092 bens inscritos da Lista do Patrimônio Mundial, apenas 38 são mistos. A expectativa é que este sítio receba o título na próxima reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que irá ocorrer de 30 de junho a 10 de julho de 2019, em Baku, no Azerbaijão.

A candidatura é fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Prefeituras Municipais de Paraty e de Angra dos Reis.

Patrimônio Cultural e Natural

Ao longo de uma semana, a missão de avaliação percorreu um extenso percurso. Sobrevoaram o Parque Nacional da Serra da Bocaina, caminharam por um trecho do Caminho do Ouro, onde há vestígios preservados desse patrimônio arqueológico, remanescente dos antigos caminhos criados para o interior do país. No centro histórico de Paraty, conheceram exposições de materiais litúrgicos no Museu de Arte Sacra, a Casa de Cultura, exposição de aves raras no SESC e comidas típicas do município que leva o título de Cidade Criativa da Gastronomia.

Nos parques, realizaram observação de pássaros, logo pela manhã. Na Aldeia de Paraty-Mirim, assistiram ao coral Mbyá Guarani. No Quilombo do Campinho viram uma apresentação de jongo. O turismo de base comunitária da região revelou a interação entre cultura e meio ambiente, com a recuperação da mata atlântica com técnicas de agroflorestamento. Na Fazenda Bananal, conheceram a produção agrícola,  em meio a uma agrofloresta.

Em um passeio na Juatinga tiveram a oportunidade de conhecer o recortado litoral com sua exuberante natureza  onde vivem e resistem cerca de cinquenta comunidades tradicionais caiçaras, indígenas e quilombolas. Após um sobrevoo de helicóptero pela área ambiental da Ilha Grande,  desembarcaram em Angra dos Reis, e realizaram de um percurso por lugares onde a natureza se apresenta caprichosa e exuberante.

“A missão demonstrou como cultura e natureza se integram, no território. Nas comunidades tradicionais, ou no próprio sistema de drenagem de Paraty, que respeita o movimento das marés, temos uma lição de cuidado com o meio ambiente”, declara Marcelo Brito, diretor de Cooperação e Fomento do Iphan.

Etapas da candidatura

O processo de construção de candidatura começa com a preparação técnica do dossiê, entregue à Unesco em janeiro de 2018. Após a avaliação de especialistas do Icomos e IUCN, esses organismos, por meio de seus especialistas, farão um relatório final que irá subsidiar a análise do Comitê do Patrimônio Mundial. Até dezembro, os órgãos responsáveis pela candidatura, Iphan, Ministério do Meio Ambiente, prefeituras de Paraty, de Angra, e demais municípios envolvidos estão construindo, em parceria, um plano de gestão compartilhada do sítio.

Além de dar visibilidade a esse importante destino brasileiro, o título cria um compromisso internacional na proteção do sítio histórico e natural. Em Minas Gerais, Conjunto Moderno da Pampulha recebeu o reconhecimento da Unesco em 2016. Desde então, o sítio recebe cerca de 50 mil visitantes a mais, por ano. Em 2017, mais de 191,3 mil pessoas foram visitar a Pampulha.

Matéria publicada originalmente na página do Iphan.

Sobre este autor
Cita: Romullo Baratto. "Paraty avança mais um passo para se tornar Patrimônio Mundial da Unesco " 24 Set 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/902530/paraty-avanca-mais-um-passo-para-se-tornar-patrimonio-mundial-da-unesco> ISSN 0719-8906

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