
No Centro Histórico de Olinda (PE), a arquitetura furta formas e cores da natureza: os furos dos cobogós nas varandas lembram folhas leves e frutos redondos; os portões de gradil espiralam com um quê de galho retorcido de flor. Há também cor de terra e de céu no chão: quintais, cozinhas e salas de casas coloniais são ladrilhadas em marrom e azul.
Essa arquitetura habita as veias da designer gráfica Renata Paes. Natural da orla de Olinda, a jovem cresceu de olhos atentos para a memória gráfica que se arvorava nas casas e ruas de sua infância. O pai Antenor, arquiteto preservacionista, costumava levá-la pela mão em longas andanças, apontando os pungentes detalhes arquitetônicos da cidade alta olindense, cujo centro histórico foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1968 e reconhecido como Patrimônio Mundial Cultural pela UNESCO, em 1982.
“Cresci ouvindo histórias do meu pai sobre ladrilhos e gradis, e o quão importante era a preservação da arquitetura local. Quando tive que escolher meu trabalho de conclusão de curso, percebi quanto essa memória gráfica permeava minha infância, então decidi enfrentar esses artefatos danados!”, Renata relata com humor.











