
"...Brasília é a execução, em alta modernidade, da ideia nutrida pelo Ocidente do que fora a plenitude grega" (Paulo Emilio Salles).
Sempre que, no eixo monumental, cruzo a linha imaginária que liga o Congresso Nacional ao Palácio do Itamaraty e vislumbro a Praça dos Três Poderes do alto da rampa que nela desemboca, me vem uma emoção genuína, que não se desgasta pela sua repetição. A visão privilegiada do conjunto da Praça, ladeada pelos seus três edifícios principais e adornada com a perspectiva do Itamaraty, à direita, é uma imagem que só se compara com a dos grandes espaços urbanos icônicos da humanidade.
A Praça dos Três Poderes é uma construção dos nossos tempos que evoca a tradição urbanística clássica, seja ela a da "Versailles do povo", como queria Lucio Costa, ou a da ágora grega da Antiguidade. Mas também há referências às "plazasmayores” ou “plazas de armas" das cidades ibéricas, hispano-americanas, e também às praças do nosso período colonial brasileiro. Essa mistura de influências poderia ter resultado em um pastiche pós-moderno de estilos não fosse a genialidade de Lucio Costa em traduzi-la na síntese clara e elegante de um desenho modernista, complementado pela arquitetura de Niemeyer, já tão comentada e enaltecida.
