Sérgio Ulisses Jatobá

Sérgio Jatobá, arquiteto e urbanista (UnB, 1981). Doutor em Desenvolvimento Sustentável (UnB/Univerdidad de Valladolid, 2006). Gerente de Estudos Urbanos da Companhia de Planejamento do Distrito Federal – CODEPLAN, pesquisador do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais – NEUR da Universidade de Brasília. Foi pesquisador bolsista do IPEA.

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Contradições no turismo de massa em Lisboa

Interferência visual na paisagem vista do Miradouro das Portas do Sol. Image © Sérgio Ulisses Jatobá
Interferência visual na paisagem vista do Miradouro das Portas do Sol. Image © Sérgio Ulisses Jatobá

Que o turismo de massa gera grandes inconvenientes para os moradores locais, beneficia grandes grupos empresariais em detrimento dos pequenos empreendedores e causa estragos que podem descaracterizar justamente o que torna atrativo um lugar, já sabemos. Mas também é forçoso admitir que o turismo traz empregos, aumento de renda, estimula novos negócios e melhora a qualidade urbana em muitos aspectos, via revitalizaçoes urbanas, melhoria da infraestrutura e construção de equipamentos culturais, por exemplo. 

Lisboa vivencia há alguns anos um boom turístico que têm estes dois aspectos. A cidade mudou, sem dúvida. Reabilitações urbanas deram nova vida às áreas deterioradas, com a revitalização de espaços públicos, investimentos na recuperação e retrofitizacao de edifícios que de outro modo, em muitos casos, estariam condenados a ruir,. Novos equipamentos culturais foram construídos, como o Museu de Arquitetura, Artes e Tecnologia - MAAT, projetado pela arquiteta britânica Amanda Levete e o novo Museu dos Coches de Paulo Mendes da Rocha, em associação com os escritório MMBB arquitetos e Bak Gordon Arquitetos.

Brasília: 30 anos do tombamento

"...Brasília é a execução, em alta modernidade, da ideia nutrida pelo Ocidente do que fora a plenitude grega" (Paulo Emilio Salles).

Sempre que, no eixo monumental, cruzo a linha imaginária que liga o Congresso Nacional ao Palácio do Itamaraty e vislumbro a Praça dos Três Poderes do alto da rampa que nela desemboca, me vem uma emoção genuína, que não se desgasta pela sua repetição. A visão privilegiada do conjunto da Praça, ladeada pelos seus três edifícios principais e adornada com a perspectiva do Itamaraty, à direita, é uma imagem que só se compara com a dos grandes espaços urbanos icônicos da humanidade.

A síndrome de Brasília: Jan Gehl tem razão? / Sérgio Ulisses Jatobá

Em matéria recente no ArchDaily Brasil, o urbanista Jan Gehl afirma que Brasília “ é fantástica vista de um helicóptero, mas do chão, onde vivem as pessoas, Brasília é uma merda." Em seu conhecido livro Cidade Para as Pessoas, publicado em 2013 no Brasil, Gehl admite que “vista do alto, Brasília é uma bela composição”, mas “a cidade é uma catástrofe ao nível dos olhos”, acrescenta. “Os espaços urbanos são muito grandes e amorfos, as ruas muito largas, e as calçadas e passagens muito longas e retas” [1].

Gehl criou o termo “Síndrome de Brasília” para designar a inexistência ou a desconsideração do que ele conceitua como a escala humana no planejamento urbano modernista, tomando a capital do Brasil como seu mais destacado exemplo.