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Smart Cities: a promoção da desigualdade?

Smart Cities: a promoção da desigualdade?
Smart Cities: a promoção da desigualdade?, Como ex Diretor de Urbanismo de Nova Iorque, Alexandros Washburn teve que considerar cuidadosamente se os desenvolvimentos tecnológicos eram bons para os habitantes da cidade. Imagem © <a href='https://www.pexels.com/photo/bridge-brooklyn-bridge-buildings-city-534757/'>Usuário Pexels Kai Pilger</a> licença CC0
Como ex Diretor de Urbanismo de Nova Iorque, Alexandros Washburn teve que considerar cuidadosamente se os desenvolvimentos tecnológicos eram bons para os habitantes da cidade. Imagem © Usuário Pexels Kai Pilger licença CC0

Este artigo foi originalmente publicado pela Common Edge como"Can the Wired City Also Be the Equitable One?"

Uma cidade é inteligente quando toma melhores decisões, e há apenas dois tipos de decisão: a estratégica e a tática. As decisões estratégicas determinam a coisa certa a fazer. As decisões táticas escolhem a maneira certa de fazê-la. A tecnologia inteligente não é inteligente se nos faz confundir, enquanto cidadãos, as decisões estratégicas com as táticas. Em outras palavras, há muitas decisões sobre o funcionamento de uma cidade que felizmente podemos delegar à tecnologia. Mas há questões de governança, de determinação de nosso destino, de decidir o que é certo fazer enquanto sociedade que, se delegarmos, abdicaremos. "Governar é escolher", disse uma vez John F. Kennedy.

Os vários consultores e representantes de empresas de alta tecnologia que vieram conversar comigo quando eu era o Diretor de Urbanismo da cidade de Nova York me prometiam uma cidade inteligente como um lugar onde os semáforos ficaram sempre verdes e as portas dos elevadores estavam sempre abertas, prontas para a nossa chegada. Eles prometiam uma cidade que antecipa nossas necessidades a cada passo, dada a tentadora forma com que, hoje, nossos dispositivos pessoais estão conectados, com aplicativos que parecem nos conhecer melhor que nós mesmos. Agora, com o advento da internet das coisas no horizonte próximo, estamos preparados para tornar as cidades inteligentes uma realidade. Imagine o incrível poder de uma cidade inteira sincronizada com nossas preferências e nosso movimento!

Parece bom demais para ser verdade. Tenho a sensação de que nossa cidade inteligente se baseia numa mentira - ou talvez, com menos julgamento - em um erro de gramática, uma confusão de pronomes. Ao falar sobre as maravilhas da antecipação para a "nossa cidade", nós realmente queremos dizer para a "minha cidade". Confundimos o coletivo com o pessoal. Isso está diretamente relacionado à nossa relação com a tecnologia "pessoal". Nós queremos acreditar que a tecnologia serve a "nós", quando na verdade pensamos no "eu". Nós confundimos a "selfie" com um retrato da humanidade.

O que é perfeitamente inofensivo nos pixels do Facebook. Mas como alguém que trabalha com cidades para sobreviver, eu gostaria de alertar sobre os perigos da ilusão de que o que você quer, pessoalmente, seria o que todo mundo também quer. "Eu" não é igual a "nós".

Uma cidade é uma criação comunitária, e uma cidade não pode se formar a partir da perspectiva de todos, como se fosse a única que importasse. A luz do semáforo não pode ficar verde para todas as direções ao mesmo tempo. Um elevador não pode esperar cada um de nós em qualquer andar. Devem ser tomadas decisões sobre qual direção e qual andar, e essas decisões, mesmo que pequenas, efetivamente criam vencedores e perdedores.

Talvez não importe tanto que eu espere o semáforo abrir enquanto outra pessoa passa. Na verdade, dado o aumento coletivo da eficiência e da segurança do tráfego, deleguei voluntariamente o controle de trânsito a um dispositivo bobo, como um cronômetro, e espero ansiosamente o advento de um dispositivo inteligente como um cruzamento com sensores, para que eu não tenha que esperar se não houver ninguém para atravessar. Tudo isso é tática.

E eu até comecei a usar o aplicativo Waze para todos os meus trajetos de carro, percebendo que ele realmente me leva mais rápido de A para B. Eu engulo meu orgulho de urbanista de conhecer profundamente a rede de ruas da cidade, e aceito que um algoritmo com dados em tempo real de múltiplas fontes e usuários é melhor do que eu na procura do melhor caminho. Até então, quanto mais eu delego à tecnologia, mais rápido eu vou. É um ganha-ganha. Sinto-me à vontade com nossa sociedade louca por tecnologia; estou adorando. E parece que não há um limite de quão melhor tudo se tornará, se eu continuar a delegar e os algoritmos continuarem sendo otimizados. A luz do semáforo realmente está ficando verde!

Songdo, na Coreia do Sul, é um dos exemplos mais desenvolvidos do conceito de "cidade inteligente" no mundo. Imagem © <a href='https://pixabay.com/en/songdo-incheon-kor'>Usuário Pixabay alfonsojung</a> licença CC0
Songdo, na Coreia do Sul, é um dos exemplos mais desenvolvidos do conceito de "cidade inteligente" no mundo. Imagem © Usuário Pixabay alfonsojung licença CC0

Mas há um limite para a otimização, e o setor financeiro encontrou. Meu escritório no Stevens Institute of Technology está ao lado do Programa de Engenharia Financeira, onde eles aplicam a mais alta tecnologia para entender os padrões financeiros. Eu vejo meus colegas analisarem os algoritmos de negociação de alta velocidade; converso com eles sobre os desafios técnicos de identificar o uso de informações privilegiadas. Estou impressionado com seus instintos, bem como suas análises. Eles estão vendo o futuro das comercializações em tempo real, algo onde há muito pouco espaço para a tomada de decisões.

Algoritmos são algoritmos de luta. Os profissionais do mundo financeiro estão cada vez mais resistentes a contrariar as recomendações de seus programas. A próxima geração destes profissionais parece ser de analistas quantitativos.Eles não escolhem ações. Eles escolhem o código. O código faz um algoritmo, e o algoritmo faz uma transação. Mas os algoritmos vão além da tomada de decisão tática - de como executar da melhor forma uma transação - e tomam decisões estratégicas: como vencer um oponente.

Seus algoritmos estão detectando dados. Eles também estão criando dados para falsificar os sensores de outros algoritmos. Eles apresentam as transações e ascancelam em nanosegundos, deixando o preço do comprador transparente. A tecnologia é muito rápida para ser regulamentada no mundo inteligente das finanças. A única premissa é que, como resultado de cada transação bem sucedida, há um perdedor. É um jogo de soma zero.

Não é nenhuma surpresa que uma negociação crie vencedores e perdedores. O que é surpreendente é o quanto esses vencedores e perdedores são definidos por algoritmos. Portanto, acho que isso nos dá uma ideia de um futuro cívico mais difícil do que os defensores das cidades inteligentes venderiam.Sim, a aplicação imediata da tecnologia inteligente eliminará enormes ineficiências, das quais todos deveriam se beneficiar. Mas, eventualmente, essas ineficiências coletivas serão superadas, e os ganhos individuais exigirão que outros sofram perdas individuais. A adoção agressiva precoce de sensores e algoritmos no mundo financeiro efetivamente tornou o mundo financeiro inteligente. As mesmas justificativas para o bem coletivo foram invocadas no início por aqueles que construíram, vendiam e aplicavam a tecnologia: aumento da liquidez através de uma participação mais ampla. Maior transparência através da coleta de dados. E para isso levou? A tecnologia está encontrando seu ápice. A curva está se achatando. À medida que os ganhos coletivos diminuem, o futuro da soma zero se torna mais claro.  Algoritmo versus algoritmo e as batalhas de dados de um mundo financeiro inteligente nos apresenta brevemente como pode ser o futuro das nossas cidades, onde percebemos que talvez fomos longe demais quando delegamos à tecnologia.

Imagine que as estradas alcançaram sua capacidade máxima em uma mega cidade.Nosso aplicativo Waze atingiu o ápice da otimização. Você não vai mais rápido de A para B se você vai por este ou por esse caminho. O tráfego tornou-se um jogo de soma zero. Para ir mais rápido em uma cidade assim, cada um de nós precisa de um aplicativo WazeMe para competir contra outros motoristas. Se eu chegar mais cedo, isso significará que outra pessoa chegou mais tarde. Imagine se dirigir pela cidade fosse um concurso entre algoritmos concorrentes. Esses algoritmos usariam os dados existentes, mas eles também criariam dados sintéticos para falsificar os dados de um competidor. Quando otimizamos o coletivo, alguém começa a ganhar e alguém começa a perder. Passamos, então, da tática para a estratégia.

Eu não tenho que entrar no mundo financeiro das ações comerciais, mas eu tenho que entrar no mundo real das ruas da cidade. As vias públicas são bens públicos, e eu, como cidadão, lutarei pelo meu direito à igualdade de acesso e proveito do bem público.Se uma cidade se tornasse tão inteligente como o mundo financeiro, e as pessoas com os melhores algoritmos em seus carros passassem em todos os sinais verdes, enquanto eu espero abrir o vermelho, lutaria muito contra isso.

A desigualdade de algoritmos já existe, entre aqueles que possuem um smartphone e plano de dados, e aqueles que não possuem. Isso é justo? Qual o custo que essa desigualdade impõe a uma cidade? Custa uma corrosão da coesão social baseada na cidadania igualitária? Embora a minha pesquisa seja sobre tecnologia da hidrodinâmica e do desenho urbano para tornar as cidades resistentes às mudanças climáticas, descobri que muito mais do que qualquer tipo de modelagem computacional complexa, a coesão social é o pilar da resiliência de uma cidade. Certamente, uma cidade que diminui a coesão social através da tecnologia não pode ser chamada de inteligente.

A coesão social é uma função da participação e é baseada no respeito. Demonstramos respeito a partir da forma como nos comportamos no espaço público. O outro lado do contrato social é que o espaço público tem que ser um bem comum, sem barreiras de entrada. O espaço público cria confiança pública se e somente se todos puderem ir a todos os lugares. Jane Jacobs define de forma semelhante a participação pública: "As cidades têm a capacidade de fornecer algo para todos, só porque, e somente quando, são criadas por todos".

Encontrar um equilíbrio entre delegar decisões operacionais e aumentar a participação na governança é algo muito difícil de fazer. Há uma analogia biológica no desenvolvimento da separação de funções entre nossos sistemas nervoso somático e autônomo. O sistema somático em nosso cérebro resiste a delegar decisões estratégicas ao sistema autônomo em nosso intestino. Tomamos uma decisão consciente sobre o que comer, mas delegamos como digerir os alimentos ao sistema autonômoque controla as milhares de contrações em sequência necessárias para mover a comida através do nosso sistema.

Levou tempo de evolução e os erros e acertos da seleção natural para criar o equilíbrio adequado entre os sistemas nervoso somático e autônomo. Não temos tempo evolutivo para entender as consequências de delegar demasiadamente à tecnologia e abdicar de nossas responsabilidades sociais para tomar decisões cívicas, e isso pode ser fatal.

Cidades inteligentes tomam melhores decisões. Mas as cidades que são inteligentes e democráticas tomam as melhores decisões ao permitir que os cidadãos debatam vigorosamente a linha correta de ação e, em seguida, deixando a tecnologia executar corretamente.

Alexandros Washburn é o ex-Diretor de Urbanismo da cidade de Nova Iorque e é professorno Stevens Institute of Technology. Ele é o autor do livro The Nature of Urban Design: A New York Perspective on Resilience [A Natureza do Desenho Urbano: Uma Perspectiva de Nova Iorque Sobre Resiliência - tradução livre].

Sobre este autor
Alexandros Washburn
Autor
Cita: Washburn, Alexandros. "Smart Cities: a promoção da desigualdade?" [Are Smart Cities Doomed to Promote Inequality?] 09 Out 2017. ArchDaily Brasil. (Trad. Moreira Cavalcante, Lis) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/880877/smart-cities-a-promocao-da-desigualdade> ISSN 0719-8906