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Artista reinterpreta a Casa Farnsworth utilizando apenas madeira

  • 07:00 - 31 Agosto, 2017
  • por
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Artista reinterpreta a Casa Farnsworth utilizando apenas madeira
Artista reinterpreta a Casa Farnsworth utilizando apenas madeira, © Pedro Marinello
© Pedro Marinello

Em dezembro de 2010, Manuel Peralta finalizou a obra "Welcome Less is More”, uma espécie de reconstrução da Casa Farnsworth de Mies van der Rohe no interior da galeria Patricia Ready em Santiago, Chile. Neste relato, o artista compartilha a experiência adquirida ao reinterpretar em madeira um ícone da arquitetura moderna e como uma equipe de carpinteiros, que aceitou seguir à risca as diretrizes miesianas, foi fundamental para alcançar o resultado final. 

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

Desde que eu era estudante sou fascinado por um tipo particular de arquitetura visionária: edifícios como o Cenotáfio de Newton de Boullée, a casa da Guarda do Parque e a Salinas Real em Arc-et-Senans, ambas projetadas para A Cidade Ideal, de Ledoux, a Casa da Cascada de Wright e especialmente a Casa Farnsworth de Mies

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

E como era de se esperar, quando surgiu o convite para realizar a exposição "Welcome Less is More", Manuel Peralta, que estudou vários anos de arquitetura na Universidade do Chile, decidiu construir sua própria versão da casa de Mies em escala 1:1. O sonho de qualquer arquiteto. Mas Peralta quis impor-se dois graus de dificuldade. A residência seria reconstruída exclusivamente em madeira e seria instalada no interior do espaço da galeria. 

Eu tinha clara intuição de que, inclusive em seu vazio, a galeria sem objetos no seu interior, continha aspectos do pensamento de Mies ou que, de alguma maneira, Mies estava ali. O que necessitava era tornar isso simplesmente visível. 

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

O artista considerou fundamental que a execução da obra fosse sem planos, entendendo o projeto não como uma reconstrução ou uma nova versão, mas sim como algo um pouco mais sofisticado que o resultado de uma leitura planimétrica. Desta maneira, começou um interessante processo com sucessivas conversas com a equipe de carpinteiros. Peralta contou-lhes a história da casa original, assim como também, explicou-lhes quem era Mies e a influência dos seus conceitos na história da arquitetura contemporânea. 

Comecei a transmitir-lhes que a casa deveria parecer como se estivesse flutuando sobre o solo, somente sustentada por oito pilares que continham os planos horizontais de cobertura e piso. Igualei visualmente essa estrutura a de uma trave de futebol, que é muito clara e precisa para compreender o conceito de espacialidade. Desde ali partimos, como no futebol, de trave a trave. Como não existiam plantas, no começo os carpinteiros questionavam continuamente as dimensões e propunham modificações. Porém, na medida em que se envolviam na construção compreendiam que, inclusive sem plantas, havia um ideal muito preciso que estava sendo procurado. 

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

A casa foi construída com tábuas de pinos, material usualmente desvalorizado no Chile, considerado para a construção de moradias de emergência ou de baixo custo. Com a ajuda de um engenheiro calculista, Peralta conseguiu dimensionar e responder as propriedades materiais e estruturais da madeira, permitindo assim manter-se fiel, dentro do possível, às dimensões reais da estrutura de metal da casa de Mies. 

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

A única referência fixa com que estávamos trabalhando era o comprimento real da casa: 24,5 metros. Foi interessante superar as pequenas diferenças de dimensões com a casa original que começaram a aparecer como resultado de variações nas medidas das tábuas. A princípio, por exemplo, li mal minhas notas e pensei que a galeria era 5 metros mais curta que a casa, um erro que me fez sentir-me mal por alguns dias...Tive que comprar continuamente muita madeira já que até uma casa tão vazia e transparente como a Farnsworth consome enormes quantidades de madeira. 

© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca
© Ricardo Leiva Ilabaca

Como acontece na vida, na medida em que a construção surgia, as coisas começavam a andar de acordo com o ideal que Peralta tinha em mente, tudo isso ajudado pela equipe de carpinteiros que a essa altura, já se encontrava completamente imersa nas regras de Mies. 

Desde o começo eu quis preencher o espaço completamente, até desaparecer a galeria: conseguir que desde que entrasse no espaço já não estivesse caminhando em uma sala de exposições de arte, mas sim sobre uma instalação arquitetônica, uma casa subindo a famosa escada e reconhecendo, uma vez dentro, que estavas no pórtico, no estar, no dormitório ou na cozinha.

Foi previsível, como a réplica, uma vez executada, ficou ajustada de maneira tão precisa dentro do espaço da galeria, que removeu toda a noção de contexto: sem a presença da paisagem de Plano, Illinois, com essas árvores e esses campos, nossa casa já não é mais a Farnsworth de Mies, mas uma casa diferente em sua plenitude. 

© Pedro Marinello
© Pedro Marinello
© Pedro Marinello
© Pedro Marinello
Sobre este autor
Pola Mora
Autor
Cita: Mora, Pola. "Artista reinterpreta a Casa Farnsworth utilizando apenas madeira" [Manuel Peralta Lorca reinterpreta la afamada Casa Farnsworth utilizando exclusivamente madera] 31 Ago 2017. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878556/artista-reinterpreta-a-casa-farnsworth-utilizando-apenas-madeira> ISSN 0719-8906