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'Não, não e mil vezes não': divagações em torno da liberdade na arquitetura

  • 12:00 - 19 Julho, 2016
  • por Cristina Dreifuss Serrano
  • Traduzido por Eduardo Souza
'Não, não e mil vezes não': divagações em torno da liberdade na arquitetura
'Não, não e mil vezes não': divagações em torno da liberdade na arquitetura, "Espero que um dia eu possa ser um desenho livre" - "Enquanto existirem clientes, nunca será livre". Imagem © Mike Hermans / archmaaik.com
"Espero que um dia eu possa ser um desenho livre" - "Enquanto existirem clientes, nunca será livre". Imagem © Mike Hermans / archmaaik.com

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Seria genial se fosse uma paródia, mas temo que quem a fez não estava brincando. Ou seja, é alguém que crê que, na arquitetura, os clientes tiram-nos liberdade.

O quê?

São tantos argumentos que esmagam essa ideia que escrevê-los é quase banal. Redundante. Óbvio. Mas, por outro lado, se ainda há alguém que possa acreditar nisso, talvez não seja demais contestá-lo.

Vou utilizar três palavras: liberdade, projeto e clientes; e um conceito: nós. E vou pedir ajuda para alguns grandes nomes da arquitetura, somente para enfatizá-los.

O que é a liberdade na arquitetura?

Se tens liberdade total, então estais com problemas. É muito melhor quando tens alguma obrigação, alguma disciplina, algumas regras. Quando não tens regras, então começas a construir as tuas próprias. (Renzo Piano)

O que tem de mau em construir nossas próprias regras? Basicamente, que nada garanta que estas respondam adequadamente ao contexto, à demanda e às necessidades do cliente. Nossas preferências pessoais convertem-se em arbitrariedades que forçam os verdadeiros usuários do edifício a uma constante incomodidade.

Um bom edifício cresce natural, lógica e poeticamente a partir de suas condições. (Louis Sullivan)

Se entendemos liberdade por "fazer o que quiser", estamos caindo em um típico erro de imaturidade. Filósofos, sociólogos, antropólogos e, por que não teólogos de distintas procedências, têm escrito longamente sobre os significados da liberdade. Basta dizer que toda a liberdade envolve o exercício do livre arbítrio dentro dos limites impostos pela natureza, a sociedade, geografia e assim por diante.

Aqui está uma das poucas chaves efetivas para o problema de projeto - a capacidade do projetista de reconhecer a maior quantidade possível de restrições - a sua vontade e entusiasmo para trabalhar dentro dessas limitações - as restrições de custo, tamanho, força, equilíbrio, áreas, tempo, etc.; cada problema tem sua própria lista particular. (Charles Eames)

Os "Pés forçados" não são nada mais do que oportunidades para o arquiteto, o bom arquiteto, explorar a sua criatividade e fazer do projeto algo memorável. Um grande arquiteto que faz boa arquitetura não faz "apesar", mas "a partir dos" limites impostos pelo projeto e, claro, pelo cliente.

De que trata o projeto arquitetônico?

É um ofício de serviço, porque a arquitetura é serviço. A arquitetura é uma tarefa complexa porque o momento expressivo formal é [...] um momento de síntese, fertilizado por tudo o que está por trás da arquitetura: a história, a sociedade, o mundo real das pessoas, suas emoções, suas esperanças e expectativas; a geografia e antropologia, o clima, a cultura de cada lugar onde você irá trabalhar; e também ciência e arte. (Renzo Piano, 2000)

Dentro da classificação das artes, Hegel fez uma distinção fundamental em que há artes mais puras que outras. A arquitetura é a mais impura arte, porque depende precisamente das restrições já mencionadas. Ao contrário da música, que requer apenas alguém para executá-la, a arquitetura abrange aspectos materiais, sociais e funcionais que podem minar essa chamada liberdade. Mas essa é a essência do seu ser. O edifício deve servir para alguma coisa, deve ter um propósito, uma razão de ser. E o projeto arquitetônico é precisamente fazer um recipiente para este conteúdo básico e indispensável.

A arquitetura deve estender "o limite delgado', convencê-lo a se tornar um campo - um campo articulado "in-between". Seu trabalho é fornecer esse campo in-between através da construção. Ou seja, fornecer, a partir da casa para a escala urbana, diversos lugares reais para pessoas reais e coisas reais (locais que fortalecem, e não contrariam, a identidade de seu significado específico). (Aldo van Eyck, 1968)

Sem o ser humano, sem identidade, sem o lugar ocupado, usado e, muitas vezes, sujo e desgastado, a arquitetura torna-se uma escultura vazia e sem sentido. Uma ruína sem ter sido utilizada.

Quem são os clientes?

A razão de ser da arquitetura.

Se o arquiteto crê que projeta para si mesmo, deveria contentar-se com fazer sua própria casa e esperar ganhar na loteria. Porque ninguém além dele mesmo estará satisfeito com esse tipo de abordagem. O arquiteto é um profissional a serviço das pessoas, tanto quanto um psicólogo ou um médico.

A pressão que um cliente carrega sobre um projeto te faz destilar suas ideias. É como uma prensa de azeitonas, que enfrenta a resistência e destila o azeite. (Daniel Libeskind)

A função, as preferências formais, as mudanças de opinião e a evolução dos edifícios no tempo, são todas partes essenciais de nosso fazer. Sem esses fatores, simplesmente, não há arquitetura.

A maior satisfação, creio, é quando um edifício se abre e o público o apropria, e cortas o cordão umbilical e o vê tomar sua própria vida. Não há satisfação maior. (Moshe Safdie)

Nós e eles.

E, finalmente, por que seguimos empenhados em ampliar essa barreira que nos separa das pessoas a quem deveríamos servir? Enquanto os arquitetos abordarem a profissão em termos de "eles e nós" ou pior ainda, de "eles contra nós", o que produzirmos será um fracasso.

Há muita arrogância na arquitetura, herdada dos tempos em que só trabalhávamos para poderosas igrejas e reis, consolidado com os aspectos mais nocivos da modernidade. As últimas décadas, no entanto, demonstraram que esta brecha nos tem levado a mais problemas do que soluções. Precisamos de humildade, com muita urgência.

Referências: 

  • Dushkes, L. S. (2012). The Architect Says. Quotes, Quips and Words of Wisdom. New York: Princeton Architectural Press.
  • Frederick, M. (2007). 101 Things I Learned in Architecture School. Massachusetts: The MIT Press.
  • Jencks, C., & Kropf, K. (. (2006). Theories and Manifestoes of Contemporary Architecture. London: Wiley-Academy.
  • Piano, R., & Cassigoli, R. (2000). La responsabilità dell'architetto. Firenze: Passigli Editori.

* Artigo publicado originalmente no Blog 'Divagaciones y Arquitectura' , da arquiteta peruana Cristina Dreufuss.

Sobre este autor
Cristina Dreifuss Serrano
Autor
Cita: Dreifuss Serrano, Cristina. "'Não, não e mil vezes não': divagações em torno da liberdade na arquitetura" ['No, no y mil veces no': divagaciones en torno a la libertad en la arquitectura] 19 Jul 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/791648/nao-nao-e-mil-vezes-nao-divagacoes-em-torno-da-liberdade-na-arquitetura> ISSN 0719-8906