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Paisagem não se encontra, se cria

  • 14:00 - 22 Maio, 2016
  • por Romy Hecht M.
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Paisagem não se encontra, se cria
Paisagem não se encontra, se cria, The Garden, Nebamun, Thebes (c.1380 ac)  [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons
The Garden, Nebamun, Thebes (c.1380 ac) [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons

Neste artigo publicado originalmente na coluna Paisajes Tejidos de LOFscapes, sua autora nos introduz ao, agora popular, conceito de paisagens criadas. Aqui, a paisagem como resultado da necessidade de articular processos de organização urbana e sistemas naturais é, portanto, uma aproximação a paisagem como a inter-relação entre a geografia e os processos históricos e socioculturais.

A autora nos relata como, através de projetos estratégicos, produziu-se uma mudança no antigo paradigma da paisagem como uma cena bucólica e estética por sistemas complexos, performativos, multifuncionais e de larga duração. Então, se a paisagem não pode ser capturada em só momento, por que continuamos acreditando que é um meio de sublimação geográfica que pousa no território?

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Mesmo parecendo uma contradição, intuitivamente, a noção de paisagens criadas parece algo lógico. Contudo, esta coluna pretende estabelecer as bases teóricas que tal analogia implica, sem por isso, cair em teorias pouco relacionadas com a noção de paisagem contemporânea. Tal como postula o título que dá nome a seção homônima do site LOFscapes, a paisagem não é algo que está ali e nem algo que se encontra. Pelo contrário, é algo que se tece, trama e entrelaça; se articula, se idealiza e se confecciona.

Há que partir estipulando que a paisagem - o projeto que define - não pousa na natureza, muito pelo contrário, na essência de que o conceito de tecido implica, paisagem é o resultado dessa necessidade imperiosa de articular processos de organização urbana e sistema naturais - porque, mesmo não sendo tema desta coluna, a natureza é um ente igualmente complexo e composto, a ponto de Raymond Williams não ter dúvidas quando estabeleceu-a como um dos conceitos mais complexos da nossa linguagem. (1)

Alex Wall, Office for Metropolitan Architecture (OMA), The Pleasure of Architecture, 1983. Imagem Cortesia de Kemper Art Museum
Alex Wall, Office for Metropolitan Architecture (OMA), The Pleasure of Architecture, 1983. Imagem Cortesia de Kemper Art Museum

Os arquitetos da paisagem e todos aqueles profissionais que interviram nos espaços abertos de nossas cidades têm, tradicionalmente, estabelecido tais transformações em função das qualidades físicas que se espera que os lugares adquiram. Como resultado, a ideia de paisagem como uma construção - portanto, artificial - em contínua transformação foi ignorada e substituída, muitas vezes, pela ideia de paisagem como uma cena presa no tempo, especificamente no minuto da sua execução. Esta ideia está profundamente arraigada em um país como Chile, sem uma extensa tradição no reconhecimento de intervenções na paisagem à nível de países pioneiros no tema como Estados Unidos ou alguns europeus. Lentamente conseguimos nos aproximar da paisagem como resultado da correlação entre geografia física e processos históricos e socioculturais, algo particularmente visível em três escalas de aproximação e, por sua vez, três escalas de análise do problema:

  1. Aquela definida pela estrutura organizativa do projeto, onde se distinguem temáticas de ordem espacial em grande escala (estratégias urbano-territoriais) e relações estabelecidas entre as partes, em uma estrutura que permanece aberta e dinâmica, que supõe e antecipa a possibilidade de adaptabilidade das formas constituintes diante da possibilidade de concretização de futuros urbanos imaginados;

  2. Aquela definida pela organização do local do projeto, seja em termos espaciais, programáticos e/ou materiais, onde o interesse radica em estabelecer como funcionam as paisagens; como operam em términos urbanos, sociais e hidrológicos, para nomear somente alguns; como reforçam a estrutura da cidade sem deixar de criar novas; e como sustentam uma categoria complementar e por vezes contraditória de programas cívicos; 

  3. Aquela definida pela representação dos projetos, onde o entendimento das circunstâncias da localização obriga o desenvolvimento de técnicas de mapeamento e diagramação para atender às complexidades aparentemente incontroláveis do local.

Charton, Ernest, Valparaiso 1857 [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons
Charton, Ernest, Valparaiso 1857 [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons

Tanto a atual diretora do Programa de Paisagismo de Harvard, Anita Berrizbeitia (2), quanto o reconhecido arquiteto paisagista James Corner (3) argumentaram que se concordarmos que a partir da prática disciplinar se proporciona forma física às configurações urbanas, consequentemente a organização, programa, escala e materialidade são fundamentais no entendimento daquilo que se propõe. Projetos estratégicos como os de paisagem supõem o desenho de sistemas em superfície, uma sincronização de materiais, uma lógica de implementação, um rezoneamento de solos e a definição de uma conversão territorial no tempo. Isto permitiu, em conjunto, mudar o antigo paradigma da paisagem como uma cena bucólica e estética por sistemas complexos, performativos, multifuncionais e de longa duração.

Trattato dell agricoltora (s.XV) Pier de Crescenzi, Maître de Marguerite d'york [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons
Trattato dell agricoltora (s.XV) Pier de Crescenzi, Maître de Marguerite d'york [Dominio público]. Imagem via Wikimedia Commons

Então, se é certo que a paisagem não pode ser capturada em somente um momento, pois sempre está chegando a ser algo e por consequência, colecionando seus processos de idealização, materialização, crescimento e decadência, por que continuamos acreditando que é um meio de sublimação geográfica que pousa no território?

(1) Ver Williams, “Nature” em Keywords (New York: Oxford University Press, 1985 [1976]), p.219.
(2) Ver Berrizbeitia, “Re-placing Process” em Jualia Czerniak e George Hargreaves (eds.), Large Parks (New York: Princeton Architectural Press, 2007), p.174-96.
(3) Ver Corner e Alison Bick Hirsch (eds.), The Landscape Imagination: Collected Essays of James Corner 1990–2010 (New York: Princeton Architectural Press, 2014).

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Sobre este autor
Romy Hecht M.
Autor
Cita: Romy Hecht M.. "Paisagem não se encontra, se cria" [El paisaje no se encuentra, se confecciona] 22 Mai 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/787949/paisagem-nao-se-encontra-se-cria> ISSN 0719-8906

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