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Arte e Arquitetura: Dots(Motgol66)_ / Jazoo Yang

Arte e Arquitetura: Dots(Motgol66)_ / Jazoo Yang
Arte e Arquitetura: Dots(Motgol66)_ / Jazoo Yang, © Young-moon Ha
© Young-moon Ha

© Young-moon Ha © Young-moon Ha © Young-moon Ha © Young-moon Ha + 18

Jazoo Yang é uma artista que atrai as pessoas por suas obras experimentais que abrangem diversos gêneros: pinturas, instalações e arte urbana. Suas obras abordam os temas da solidão, alienação e o vazio vivido por todos na era contemporânea. Ao se deparar com a destruição de Motgol - uma vila em Busan, Coreia do Sul - feita pela especulação imobiliária, a artista decidiu intervir em uma das casas que seriam demolidas. Assim surge a obra Dots(Motgol66), que aborda questões sociais e urbanas, através da repetição incansável de suas impressões digitais pelas paredes da residência.

O processo e o contexto da obra refletem a realidade de diversas cidades, principalmente nos países em desenvolvimento. Portanto, além de retratar o quanto o mercado imobiliário influencia na vida urbana e de seus cidadãos, a intervenção nos traz um questionamento fundamental: Até que ponto o "progresso" colocado pelas operações urbanas são saudáveis para a cidade?

Conheça todo o processo da significativa obra através das palavras da artista, a seguir.

© Young-moon Ha
© Young-moon Ha

Motgol é uma antiga vila em Busan, Coreia do Sul. Busan é a segunda maior cidade portuária próxima da capital coreana. Mesmo que seja uma metrópole, ainda existem velhas aldeias, ao contrário de Seul que já está saturada de arranha-céus e edifícios modernos. Em particular, Motgol 66 é uma casa com telhado tradicional coreano, além de possuir estrutura e forma ímpar da aldeia costeira, uma das poucas representantes desta tipologia que restaram em Busan - onde existe um rápido processo de reconstrução em várias partes da cidade e, em breve, terá seus arranha-céus. 

© Young-moon Ha
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Concordo com a melhoria do ambiente das aldeias mais precárias, mas o negócio que envolve este processo é outra coisa. Aqui, as intenções dos nativos não são levadas em consideração. Eles devem sair, mesmo se desejarem ficar, e não serão recompensados corretamente por isso. Ocorreram acidentes e óbitos de residentes que se rebelaram contra a demolição forçada. Mas tudo isso é legal externamente, de modo que nenhum dos meios de comunicação lida com esse tipo de notícia.

© Young-moon Ha
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- Impressões digitais "Inju"

A impressão digital "Inju" é chamada de "Jijang", que em coreano significa um ato de colocar o polegar na almofada de tinta para imprimir sua impressão digital, semelhante a uma assinatura, é comumente usada em repartições públicas e em documentos importantes ou contratos, com significado jurídico e efeito. Assim, 'Jijang' é uma expressão pública sobre promessas, contratos, garantias e juramentos, como o selo de nobres ocidentais e royalties, em outras palavras, isso pode significar uma apresentação. A Coreia vive atualmente um caos devido a várias questões políticas e sociais. No ano passado, cerca de 300 estudantes do ensino médio morreram com o desabamento de um forro e o governo não fez nada. Cidadãos enfurecidos realizaram um protesto maciço com o slogan: "Não esqueceremos". No entanto, um ano se passou e a maioria das pessoas parecem ter esquecido. Pessoas ficam chateadas e furiosas no momento dos desastres, mas os esquecem prontamente. Nada pode ser alterado desta forma, e ocorre o mesmo com o mercado imobiliário. Becos, casas tradicionais, árvores e tudo o que levou muito tempo para se embelezar é destruído num instante, sem deixar vestígios. O ato de imprimir cada "Jijang" vermelho é uma promessa para se lembrar de tudo isto, é um registro temporal e espacial.

© Young-moon Ha
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Além disso, a Coreia é um país enlouquecido pelo mercado imobiliário. Há até mesmo uma piada sobre as incorporadoras serem maiores do que Deus. É um negócio tão grande, que as pessoas riem ou choram por causa de uma Jijang impressa sobre um contrato. Na verdade, durante este trabalho, um agiota, relacionado com a atividade de reurbanização, questionou sobre o motivo de eu estar imprimindo um "Jijang" aqui e perguntou se esta não era uma forma de protesto contra o trabalho da construtora.

© Young-moon Ha
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- Tempo de trabalho

De 09 a 29 de outubro, fiz um trabalho de 4-5 horas por dia, durante 3 dias por semana. Antes disso, houve dois incidentes nos quais foram demolidas as casas que eu estava pintando.

© Young-moon Ha
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- A cor vermelha

Eu estava incrédulo, enquanto observa o estado da arte e filmes em 3D ou 4D, o valor que uma pintura pode alcançar. Então, por acaso, eu assisti um documentário sobre as pinturas mais antigas de parede, descobertas na França. Foram realizadas nas paredes de cavernas usando tintas vermelhas e mãos. O fato da intensidade e vitalidade básica registrada pelas mãos vermelhas é um ato extremamente raro na atualidade e isto me seduziu.

© Young-moon Ha
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Também me lembro da letra vermelha escrita por toda Busan por seus moradores, devido à disputa de terras, enquanto ocorria os planejamentos das operações urbanas. Letras que significam a determinação de arriscar a própria vida para proteger a sua casa são sempre escritas em vermelho. Mesmo que eu apoie a sua determinação em proteger a sua vida, há momentos em que essas letras vermelhas vêm até mim como uma ameaça. Talvez seja por causa da determinação destas pessoas em estarem preparadas para qualquer coisa. Talvez o vermelho seja uma escolha que queira deixar uma marca instintiva nos seres humanos em um período de alienação, uma sensação de avanço frontal. Talvez eles só queriam protestar contra a atmosfera da sociedade coreana, onde um deveria estar consciente sobre as decisões de outros.

© Young-moon Ha
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- A destruição das casas de Motgol66 e o significado do trabalho

Sou uma artista visual. Instalações, performances, arte de rua são uma extensão do meu trabalho de pintura. Trabalhar em áreas de remodelação que serão demolidas em breve tem a vantagem de ser ao mesmo tempo uma metáfora que envolve a arte e o capitalismo, ela perde a sua eternidade sendo realmente destruída, chegando assim a um estado não comerciável, sendo libertada do capitalismo. Esta, especialmente a pintura entre as artes, é uma forma de protesto em sua vulnerabilidade.

© Young-moon Ha
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Além disso, ao trabalhar em áreas de reformas urbanas, muitas vezes as pessoas questionam o real motivo de eu fazer isto desnecessariamente, uma vez que serão inevitavelmente destruídos. Esta maneira de pensar não pode ser mais capitalista. As velhas máquinas analógicas sempre precisaram de ajustes, limpeza e lubrificação. De relógios a carros, apesar de inanimados, a vitalidade pode ser concedida através do processo. Isso pode ser um ato de compartilhar a respiração humana. Durante o tempo de trabalho em Mortgol 66, eu senti que estava começando a conhecer e construir memórias com esta casa enquanto tateava cada canto. Assim, em comparação com outras obras, eu particularmente criei diversos laços com esta casa. Isso é algo que está ficando mais difícil de experienciar na era digital, tempos nos quais apenas as questões de eficiência importam.

© Young-moon Ha
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- A resposta vinda dos habitantes da vila abandonada

As operações urbanas coreanas são um lugar extremamente sensível e perigoso. Além disso, são ações privadas de corporações que avançam no processo de reconstrução, é ilegal que pessoas de fora se envolvam nisto. Portanto, na verdade, o nervoso ato de deixar impressões digitais, torna-se uma evidência clara. Na realidade, havia ameaças vindas do canteiro de obras e momentos em que eu era quase expulso. Mas foram os cidadãos que não tornaram isto possível. Eles permitiram que eu tivesse acesso a eletricidade e água. Eu era capaz de perceber que dar atenção para as vilas - que se transformaram em escombros e lixo - deixando obras de artes e registrando-as em fotos, devolveu o orgulho das pessoas que ali viveram. Além disso, muitos pediam por trabalhos em suas próprias casas ou apenas um registro fotográfico. Foi triste ver a vila e casas desaparecerem na frente de seus olhos.

© Young-moon Ha
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Conheça o trabalho de Jazoo Yang em seu site oficial.

Cita: Victor Delaqua. "Arte e Arquitetura: Dots(Motgol66)_ / Jazoo Yang" 06 Dez 2015. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/778086/arte-e-arquitetura-dots-motgol66-jazoo-yang> ISSN 0719-8906