Cinema e Arquitetura: "Fuga de Nova Iorque"

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A decisão de estruturar um filme dentro de uma marcação temporal específica provou geralmente subtrair uma certa seriedade e credibilidade diante do público das gerações futuras, sobretudo dentro do cinema de ficção científica e de futuros catastróficos. Ainda que "Fuga de Nova Iorque" não seja a exceção a regra, sua referência temporal  expirada ganha um novo valor, pois nos permite examinar o contexto histórico em que foi produzida e os fantasmas sociais onde encontrou a base para seu argumento.

O filme adota um futurismo negro, similar a distopia (término muitas vezes utilizado como sinônimo), refere-se a um futuro hipotético onde a humanidade atravessa uma realidade mais escura do que brilhante. Enquanto a distopia opta por um claro enfoque onde a maior parte dos elementos que compõem a sociedade estão em desequilíbrio, o futurismo negro é mais um sentimento generalizado de pessimismo, onde certos elementos põem em questão o desenvolvimento da humanidade.

A escolha desta atmosfera pessimista e sem esperança, provém em grande parte da própria incerteza da sociedade da década de 80. Em plena guerra fria e após diversas crises econômicas, os Estados Unidos experimentavam um governo cada vez mais cínico e que buscava a tudo o custo controlar a imagem do seu país. Diante do escândalo que resultou no caso de Watergate, a imagem de um governo honesto foi perdida e a sociedade questionada se aquilo era o princípio do colapso.

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Sobre este autor
Cita: Altamirano, Rafael. "Cinema e Arquitetura: "Fuga de Nova Iorque"" [Cine y Arquitectura: "Escape de Nueva York"] 05 Jun 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/767846/cinema-e-arquitetura-fuga-de-nova-iorque> ISSN 0719-8906

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