Poesia e Arquitetura: Olhei os muros da pátria minha / Francisco de Quevedo

Poesia e Arquitetura: Olhei os muros da pátria minha / Francisco de Quevedo

Olhei os muros da pátria minha,
se um tempo fortes, já desmoronados,
da carreira da idade cansados,
por quem caduca já sua valentia.

Saí ao campo, vi que o sol bebia
os arroios do gelo desatados,
e do monte queixosos os gados,
que com suas sombras furtou sua luz ao dia.

Entrei em minha casa, vi que enxovalhada
de anciã habitação era espólios;
meu báculo mais curvo e menos forte.

Vencida pela idade senti minha espada
e não achei coisa em que pôr os olhos
que não fosse relembrança da morte.

 

© Da Tradução: Igor Fracalossi

Referencia: Quevedo, Francisco de. “Miré los muros de la patria mía” (1613). Em: Poemas escogidos. Madrid: ed. Castalia, 1972, pp.71-72.

Sobre este autor
Cita: Igor Fracalossi. "Poesia e Arquitetura: Olhei os muros da pátria minha / Francisco de Quevedo" 10 Jul 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/01-58535/poesia-e-arquitetura-olhei-os-muros-da-patria-minha-francisco-de-quevedo> ISSN 0719-8906

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