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Fotografia e Arquitetura: Pedro Kok

Fotografia e Arquitetura: Pedro Kok
Fotografia e Arquitetura: Pedro Kok, Harpa Concert Hall, Reykjavik, Islândia - Olafur Eliasson & Henning Larsen Architects © Pedro Kok
Harpa Concert Hall, Reykjavik, Islândia - Olafur Eliasson & Henning Larsen Architects © Pedro Kok

Esta semana, em nossa série de Fotógrafia e Arquitetura, queremos mostrar o trabalho do fotógrafo brasileiro Pedro Kok . Pedro dedica-se a a fotografar arquitetura desde o início do curso na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de SãoPaulo. Atualmente atua como fotógrafo independente e realiza trabalhos encomendados pelos principais arquitetos, editoriais e revistas, além de produzir vídeos de arquitetura.

Deixamos vocês com uma entrevista exclusiva e uma recopilação de suas melhores fotos e vídeos.

Departamento de Educação da Hogeschool Utrecht, Holanda - Ector Hoogstad © Pedro Kok

1. Quando e como começou a fotografar arquitetura?

Comecei a me interessar por fotografia aos 19 anos, por uma questão ordinária: tenho uma memória fraca e não conseguia me recordar dos lugares que visitava. Logo depois entrei no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, e imediatamente tive contato com o edifício do João Batista Vilanova Artigas. O prédio da FAUUSP tornou-se meu campo de provas, experimentos e aprendizado – em conjunto com o laboratório de fotografia, que em meados de 2005 encontrava-se silencioso e esquecido. Naquela época muitos alunos já possuiam uma câmera digital, e eu achei por bem deixar de lado a minha e aprender a usar filme fotográfico.

No ano seguinte tive um breve contato com o fotógrafo brasileiro Nelson Kon, em aulas que muito me fascinaram. Para mim, abriram um caminho de estudo em fotografia de arquitetura para os meus dois últimos anos do curso de graduação. Por fim, acabei me profissionalizando apenas após concluir o curso em 2009.

Residência Artigas, São Paulo - João Batista Vilanova Artigas © Pedro Kok

2. És arquiteto?

Sim, tenho diploma e registro no órgão brasileiro que regulamenta a profissão. Mas nunca atuei com projeto ou execução de uma obra. Ainda assim, acredito que seja possível produzir arquitetura de outras formas, talvez por texto, fotografias, vídeos, debates e embates. Não descarto a possibilidade de um dia atuar como arquiteto dessa forma … só não me bote um lápis na mão!

The Whale, Amsterdam – de Architekten Cie © Pedro Kok

3. Por que gostas de fotografar arquitetura?

A fotografia de arquitetura apresenta um intenso choque entre aquilo que pode ser controlado e o que foge das possibilidades do fotógrafo, do arquiteto e do homem em geral. Se por um lado os edifícios estão sempre lá, imóveis, intactos e sem reclamar, os imprevisíveis homens que os ocupam e rodeiam são o oposto. Junte-se a isso a volatilidade das condições climáticas, luz e humor, e tem-se uma dinâmica incrível, capaz de trazer grandes satisfações e frustrações em campo.

Eu gosto desses momentos; de poder me deparar com aquilo que o arquiteto não havia previsto no desenho, de como os homens alteram a arquitetura. Assim, a imagem é o resultado dessa busca dos momentos em que ‘espaços’ tornam-se ‘lugares’.

Por continuidade, passei a transpor a fotografia para vídeo, para que essas histórias de lugares pudessem ser contadas de outra forma, com movimento e cadência. Os figurantes ou a câmera podem se movimentar, e as imagens ganham temporalidade.

Não é bem cinema, tampouco documentário. Acredito que arquitetura pode continuar como fotografia; e que pode continuar como vídeo; e que pode continuar como literatura; e no caminho de volta, cristalizam-se na arquitetura. Em toda essa cadeia, um altera o outro. Ao fotografar, participo desse processo de produção de arquitetura.

Antiga Galeria Leme, São Paulo – Paulo Mendes da Rocha © Pedro Kok

4. Arquiteto favorito?

Muitos arquitetos conseguem simultaneamente me encantar e me decepcionar, seja numa único edifício ou no conjunto de obras. Gosto muito disso, de não saber ao certo o que vem pela frente.

Por exemplo, acabo de visitar a Fundação Serralves na cidade do Porto (Portugal), do arquiteto Álvaro Siza, e que em muito me decepcionou: o descortinar dos espaços, a relação com o entorno natural, os percursos permitidos. Logo em seguida fui às Piscinas de Leça da Palmeira, do mesmo arquiteto, e fiquei absolutamente encantado com o lugar, pelas mesmíssimas razões! Foram contatos breves, mais como usuário observador do que como fotógrafo, e cuja avaliação é sempre mutável.

Silodam, Amsterdam, Holanda - MVRDV © Pedro Kok

5. Obra favorita?

As mesmas impressões que descrevi acima sobre os arquitetos se aplicam às obras. De toda forma, é melhor que a obra preferida seja aquela que eu esteja a fotografar em um dado momento. Para que o diálogo com ela seja mais amigável e animado.

Auditório Ibirapuera - Oscar Niemeyer © Pedro Kok

6. Como trabalhas? (independente? Com revistas, arquitetos? Viajas?)

De todas essas formas. Gosto de trabalhar de maneira independente, definindo uma pauta, pensando em como tratar do assunto, e ter a liberdade de abordá-la criticamente, ou abandoná-la se for equivocada. Essa produção não-requisitada (ou não-encomendada) pode eventualmente ser publicada. Por outro lado, a falta de estrutura nessas situações incomoda muito: muitas vezes falta-me as autorizações necessárias, bem como a vontade dos responsáveis em permitir esse estudo.

Ao trabalhar junto ao arquiteto elimina-se muitas dessas barreiras, e esses costumam ser trabalhos deliciosos, que fluem muito bem. Normalmente está muito próximo da inauguração de uma obra, da sua estréia para o mundo. Só que há então um limite da capacidade crítica, tanto no momento de fotografar como na chancela final do arquiteto, que tem que aprovar as fotografias publicáveis.

Ser comissionado por revistas e publicações – sobretudo aquelas que possuem uma linha editorial bem definida e não são puramente catálogos ou vitrines – é um interessante meio-termo: tem-se garantia, remuneração e facilidade de trabalho, enquanto conservo algum grau de independência.

Também são importantes para mim comissões diretamente ligadas à exposições de arquitetura, sobretudo quanto ao vídeo.

SESC Pompéia, São Paulo – Lina Bo Bardi © Pedro Kok

7. Que equipamentos e softwares você usa?

Skype! Tão essencial para manter contato quando está sempre em movimento. E também por isso, todo equipamento precisa caber dentro de uma mochila para me acompanhar nos vôos, trens e ônibus.

Para fotografias e filmagens utilizo uma Canon 5D Mark II, com três objetivas (eram só duas até pouco tempo). Uma objetiva grande-angular, uma normal e uma teleobjetiva zoom. É um equipamento pequeno e portátil, essencial para viajar leve. Sobretudo porque trabalho sozinho, sem assistentes.

Faço a edição de fotografias no Photoshop, mas em esporádicas situações que exigem um tratamento muito específico, utilizo o Capture One. Para vídeos, a edição é feita em Photoshop e Final Cut Pro.

Veja a seguir alguns dos vídeos produzidos por Pedro Kok:

Sobre este autor
Cita: Joanna Helm. "Fotografia e Arquitetura: Pedro Kok" 30 Abr 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/46146/fotografia-e-arquitetura-pedro-kok> ISSN 0719-8906

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