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Os edifícios de Hundertwasser: manifestos construídos de uma arquitetura para o ser humano

Os edifícios de Hundertwasser: manifestos construídos de uma arquitetura para o ser humano
Os edifícios de Hundertwasser: manifestos construídos de uma arquitetura para o ser humano, © Vía Flickr, Usuario a_medusa
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"A arte pela arte é uma aberração, a arquitetura pela arquitetura é um crime".

A partir de 1950, o controverso artista e arquiteto austríaco Friedensreich Hundertwasser (1928-2000) desenvolveu uma série de ensaios contra a arquitetura racional, a ortogonalidade e os espaços "não humanos" que tiravam o homem de seu meio ambiente natural. O artista rejeitou sempre a linha reta e apostou na mudança pela espiral, as cores fortes e as formas orgânicas. Para Hundertwasser, a miséria humana era resultado de uma arquitetura monótona, estéril e repetitiva, gerada por uma produção industrial mecanizada. Em seus discursos chamava a boicotar este tipo de arquitetura e exigia, em troca, a liberdade criativa da construção e o direito à individualidade.

Apesar de atualmente o discurso "ecológico" ser o pão de cada dia, seus edifícios são manifestos construídos a partir de um pensamento muito mais profundo de como o ser humano se relaciona com o meio através do espaço habitável e como pode determinar sua existência em harmonia com a natureza.

Você acha que precisamos de uma reflexão deste nível na arquitetura de hoje?

© Vía Flickr, Usuario Mc Nastia © Vía Flickr, Usuario Remco G. Slijkhuis © Vía Flickr, Usuario NOB-BE © Vía Flickr, Usuario a_medusa + 15

Através de sua obra, o artista promovia uma ideologia em harmonia com a natureza e com forte compromisso ecológico desde sua concepção. Dessa forma motivou campanhas inéditas para a preservação do habitat natural e uma vida em conformidade com as leis na natureza. Escreveu numerosos artigos e realizou uma grande quantidade de palestras a favor da proteção da natureza, incluindo a energia nuclear e a recuperação dos oceanos, das baleias e da selva tropical.

Em 1970 iniciou a construção de seus primeiros projetos arquitetônicos - a princípio remodelando edifícios existentes - em uma operação em que se denominava "doutor arquitetura".

Friedensreich Hundertwasser. Image © Hannes Grobe. Licensed under CC-BY-SA-2.5
Friedensreich Hundertwasser. Image © Hannes Grobe. Licensed under CC-BY-SA-2.5

Mas suas ideias iam além do estético e do ecológico; tinha uma visão de mundo centrada na espiral, forma que determinaria a maneria como os humanos se relacionam com a realidade exterior. Para Hundertwasser, no centro de cada pessoa está seu "ser", que ao longo da vida vai se rodeando de camadas de significação que começam a determinar sua relação com o universo.

© Anton Repponen
© Anton Repponen

A primeira camada é a pele, a segunda a roupa e a terceira é a casa. Neste terceiro ponto, o artista defendia a individualidade criativa de cada pessoa e acreditava que cada habitação devia se inspirar na "estética" e particularidades de seus habitantes. Para ele, a arquitetura padronizada não podia ser chamada de arte.

A quarta camada é o entorno social - a família, a vizinhança, a cidade e o país - e a quinta o entorno mundial, incluindo e acologia e o restante da humanidade.

© Vía Flickr, Usuario Remco G. Slijkhuis
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Um de seus projetos mais conhecidos é o edifício de apartamentos Hundertwasserhaus, unidades de baixo custo localizados em Viena, que inclui superfícies onduladas ("um piso ondulado é uma melodia para os pés"), coberturas verdes inovadoras para a época e grandes árvores que crescem no interior dos recintos, com seus galhos saindo pelas janelas.

© Vía Flickr, Usuario Lena_Ni
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Muitas vezes comparada com a obra de Gaudí, Hundertwasser construiu mais de 30 obras, incluindo casas, museus, igrejas, jardins de infância e restaurantes, rompendo com a linha reta para entregar a seus habitantes "um espaço para amar".

© Vía Flickr, Usuario pm2019
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Seu direito à janela – Seu dever para com a árvore

"Aquele que vive em uma casa deve ter direito a olhar por sua janela e desenhar como queira toda a parte da parede externa que possa alcançar com o braço, assim será evidente para todo o mundo, à distância, que ali vive uma pessoa.

Nos asfixiamos na cidade às custas da contaminação atmosférica e da falta de oxigênio. A vegetação que nos permite viver e respirar está sendo destruída sistematicamente. Nossa existência está perdendo dignidade. Passamos por fachadas cinza e estéreis, sem nos dar conta que estamos condenados a viver em celas de prisão.

© Vía Flickr, Usuario Mc Nastia
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Se quisermos sobreviver, todos temos que atuar. Cada um de nós deve desenhar seu próprio ambiente. Não podemos esperar que as autoridades nos deem permissão. As paredes externas pertencem a você tanto quanto sua roupa e o interior de sua casa. Qualquer desenho pessoal é melhor do que a morte estéril.

© Vía Flickr, Usuario NOB-BE
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Tem o direito de desenhar a seu gosto suas janelas e as paredes externas até onde seu braço alcança. Deve ignorar as regras que proíbem ou restringem este direito. É seu dever ajudar a vegetação a conseguir seus direitos com todos os meios a seu alcance.

© Vía Flickr, Usuario a_medusa
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A natureza deve crescer livremente onde cai a chuva e a neve, o que está branco no inverno deve ser verde no verão. Tudo o que corre horizontalmente sob o céu pertence à natureza, nas estradas e nos telhados devem se plantar árvores. Deve ser possível respirar de novo o ar do bosque na cidade, A relação ente o homem e a árvore deve adquirir proporções religiosas, Assim, finalmente as pessoas entenderão a frase - a linha reta é ateia."  - Friedensreich Hundertwasser.

Referência: La Paradoja de la Percepción

 Fotografias: Hannes Grobe, Anton Repponen / Vía Flickr, Usuarios Remco G. Slijkhuis / Lena_Ni / Paul Mills / Mc Nastia / a_medusa / NOB-BE / Leonieke Aalders / r allesok /Hans Splinter / Joachim S. Müller / johnsam / Bockstark Knits

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Cita: Franco, José Tomás. "Os edifícios de Hundertwasser: manifestos construídos de uma arquitetura para o ser humano" [Los edificios de Hundertwasser: manifiestos construidos de una arquitectura para el ser humano] 26 Dez 2013. ArchDaily Brasil. (Trad. Marcon, Naiane) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/163014/os-edificios-de-hundertwasser-manifestos-construidos-de-uma-arquitetura-para-o-ser-humano> ISSN 0719-8906